"A impunidade é a maior causadora de crimes, não a violência ou a miséria. Os ferrenhos defensores dos "direitos humanos, os adeptos de tudo que é politicamente correto", precisam compreender isso. Esses são os primeiros a lutarem em defesa dos bandidos, condenando somente os abusos de polícia, e usando argumentos como "são apenas crianças" ou a culpa é da miséria". Não sabem o desserviço que prestam à nação". Rodrigo Constantino.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

VAIAS PARA A IMPUNIDADE

ZERO HORA 30 de outubro de 2012 | N° 17238

EDITORIAIS

As manifestações de hostilidade contra o ministro Ricardo Lewandowski e contra os petistas José Dirceu e José Genoino no momento em que se apresentaram para votar, em São Paulo, refletem acima de tudo a rejeição coletiva à impunidade. Tanto os dois políticos condenados quanto o revisor do mensalão representavam, na visão dos eleitores mais exaltados, o pior da política e da Justiça, que é a cumplicidade e a tolerância com a corrupção. Ao condenar a maioria dos réus denunciados num julgamento de grande visibilidade, o Supremo Tribunal Federal passou exatamente esta mensagem à população: as malfeitorias cometidas no exercício da atividade pública não mais ficarão impunes.

Mas há um aspecto preocupante nas vaias e xingamentos registrados no último domingo, que é o desconfortável espírito de justiçamento. Evidentemente, os cidadãos têm todo o direito de se expressar, mas com educação e civilidade. Se a Suprema Corte está fazendo a sua parte, condenando quem tem que condenar e absolvendo quem merece ser absolvido, dentro do mais absoluto respeito ao Estado democrático, qual o sentido da hostilidade? Os condenados, enquanto não estiverem privados da liberdade, têm os mesmos direitos de exercitar a cidadania que os demais brasileiros.

A atitude agressiva de lançar impropérios e até objetos nos réus do mensalão, assim como os xingamentos dirigidos ao magistrado que exerce o papel de revisor no processo, só mostra falta de confiança nas instituições. Além disso, contribui para alimentar o sentimento de perseguição que, espertamente, militantes de partidos envolvidos em deformações procuram evidenciar, para provar que estão sendo injustiçados pelas condenações. A melhor vaia para a impunidade é o aplauso para as instituições e para os homens públicos que cumprem o seu dever e o seu compromisso republicano.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

SEMIABERTO PARA BANDIDO CRUEL E FUGITIVO

 
G1 - 25/09/2012 19h38

Homem que matou esposa queimada no RS volta para o regime semiaberto. Sanfelice fugiu em 2008 e foi recapturado dois anos depois, na Espanha. Em 2006, ele foi condenado por matar a esposa em Novo Hamburgo.

Do G1 RS

Autor de um crime de grande repercussão no Rio Grande do Sul em 2004, o empresário Luiz Henrique Sanfelice, de 48 anos, recebeu nesta terça-feira (25) o benefício da progressão de regime e irá passar a cumprir a pena no semiaberto. A decisão é da juíza Traudi Beatriz Grabin, da Vara de Execuções Criminais de Novo Hamburgo, na Região Metropolitana de Porto Alegre.

Sanfelice foi condenado em 2006 a 19 anos e três meses de prisão pelo homicídio triplamente qualificado da esposa, a jornalista Beatriz Rodrigues, então com 43 anos. Em julho de 2004, a mulher foi queimada viva próximo ao Santuário das Mães, no bairro Roselândia, em Novo Hamburgo, no Vale do Sinos.

Com a decisão, Sanfelice irá deixar o regime fechado na Penitenciária Modulada de Montenegro, onde está recolhido, e será removido ao semiaberto. Segundo a juíza, o apenado já cumpriu um sexto da pena a que foi condenado e apresenta bom comportamento.

Em abril de 2008, Sanfelice fugiu do regime semiaberto e foi recapturado só dois anos depois na Espanha pela Interpol. Agora, diz a decisão, ela precisará conseguir uma carta de emprego para poder trabalhar fora durante o dia e apenas dormir no presídio.
saiba mais

Ainda no relato da juíza Grabin, ela afirma que o apenado tem condições de ser beneficiado com a progressão de regime, ainda que registre fuga anterior, conduta pela qual foi responsabilizado. Sanfelice terá direito ainda a três saídas temporárias mensais, quando poderá pernoitar fora do albergue.

O apenado terá que fornecer endereço à Justiça e à direção do estabelecimento prisional. Ele terá que deixar claro onde reside a sua família ou onde poderá ser encontrado durante o gozo do benefício. Está proibido de frequentar bares, casas noturnas e estabelecimentos do gênero.

A Superintendência de Serviços Penitenciários (Susepe) terá que providenciar a remoção de regime de Sanfelice no prazo de cinco dias. Ele deverá ficar em presídio compatível com o regime semiaberto, preferencialmente o Albergue de Montenegro.


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Matou a esposa com cruedade, foi condenado a 19 anos de prisão, fugiu para o exterior, foi recapturado, e agora vai para o regime semiaberto onde não há controle e as portas para uma nova fuga estão abertas. Graças aos nossos congressistas benevolentes, o BRASIL É O PAÍS DA IMPUNIDADE. Aqui o crime compensa e a vida nada vale.


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

DETENTO DO SEMIABERTO EXECUTADO DENTRO DE CARRO

ZERO HORA ONLINE 27/08/2012 | 08h39

Detento do semiaberto é encontrado morto em carro queimado em Caxias do Sul

O veículo estaria abandonado no Distrito Industrial desde sábado


Detento do semiaberto é encontrado morto em carro queimado em Caxias do Sul Brigada Militar, divulgação/
Dentro do veiculo havia dois galões de combustível. Foto: Brigada Militar, divulgação
 
O detento do regime semiaberto Luis Fernando Lagni dos Santos, 46 anos, foi encontrado morto no banco traseiro de um Astra parcialmente queimado no Distrito Industrial, em Caxias do Sul. Por volta das 17h de domingo, populares informaram o Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (Ciosp) que havia um carro abandonado em uma estrada vicinal com acesso pela RS-122, próximo a empresa Eurotelhas.

Segundo informações colhidas com populares, o veiculo estaria abandonado na estrada desde o sábado. Conforme a polícia, a vítima estava com as mãos amarradas e apresentava um ferimento causado por arma de fogo do lado esquerdo do peito, próximo ao ombro. Dentro do veiculo haviam, também, dois galões de combustível.

O local foi isolado para perícia e o corpo encaminhado ao Departamento Médico Legal (DML) de Caxias do Sul para necropsia. Segundo o proprietário do veículo informou à polícia, ele havia emprestado o carro para Luis ir ao supermercado no sábado e ele não retornou. A vítima cumpria pena no Albergue Prisional de Caxias do Sul. A Polícia Civil investiga o caso.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

INDULTO PARA MATADOR CONDENADO A 117 ANOS


ZERO HORA 24 de agosto de 2012 | N° 17171

27 ANOS DEPOIS

PM condenado por execuções é solto

Beneficiado pelo indulto de Natal assinado pela presidente Dilma Rousseff em dezembro passado, Florisvaldo de Oliveira, o Cabo Bruno, 53 anos, ganhou direito à liberdade após 27 anos atrás das grades. Acusado de ser um dos principais justiceiros de São Paulo nos anos 80, o ex-policial militar condenado a 117 anos de prisão recebia dinheiro de comerciantes para matar supostos assaltantes. Ele é suspeito de pelo menos 50 execuções.

Na semana passada, o promotor Paulo José de Palma emitiu parecer favorável à liberdade de Cabo Bruno, preso desde 1983 na penitenciária Dr. José Augusto Salgado, em Tremembé (SP). Na quarta-feira, a Justiça de Taubaté, no interior paulista, mandou soltá-lo. Ontem, o ex-PM saiu escondido em um carro, tomou 1,5 quilo de sorvete e foi orar com a mulher.

O benefício - O indulto da presidente, tradição brasileira desde a época do Império, concedeu o perdão aos presos que cumpriram 20 anos ininterruptos da pena e nos últimos 12 meses não cometeram faltas graves.


FOLHA.COM 20/08/2009 - 09h21

Condenado a 103 anos, cabo Bruno passa para semiaberto

A Justiça de São Paulo decidiu ontem (19) que Florisvaldo de Oliveira, 50, mais conhecido como cabo Bruno, ex-policial militar condenado a 103 anos de prisão por homicídios, cumprirá o restante de sua pena em regime semiaberto --no qual só passará a noite na prisão.

Preso há 18 anos, e atualmente cumprindo pena na penitenciária 2 de Tremembé, cabo Bruno foi acusado de, nos anos 1980, chefiar um grupo de extermínio na zona sul de São Paulo, contando com o apoio de comerciantes da região, que lhe pagavam para ter proteção.

A direção do presídio tem prazo de até uma semana para fazer a transferência. A sentença é da juíza Sueli Armani de Menezes, da 1ª Vara de Execuções Criminais de Taubaté.

A manifestação da Promotoria levou em consideração que o ex-PM nunca cometeu uma falta grave enquanto esteve preso, além de trabalhar e ser um dos capelães do presídio.

Contudo, Bruno fugiu três vezes do presídio militar. Além de já ter cumprido um sexto de sua pena e ter bom comportamento prisional, Bruno teve o resultado de seu exame criminológico --que avalia se o preso tem condições de conviver em sociedade-- amplamente favorável à progressão de regime, segundo a Folha apurou.

Casamento

Hoje evangélico, o ex-policial militar se casou em julho do ano passado com Dayse França, moradora de Pindamonhangaba (156 km de São Paulo) que fazia serviço voluntário de evangelização na penitenciária de Tremembé.

Em entrevista concedida à Folha em novembro de 1991, cabo Bruno disse nunca ter matado ninguém. Sobre um depoimento à imprensa em que admitiu ter participado de mais de 50 homicídios, afirmou que o caso foi uma invenção, pela qual recebeu dinheiro e um texto pronto.


BANDIDO PERIGOSO SOLTO PELA JUSTIÇA É PRESO NOVAMENTE


ZERO HORA 24 de agosto de 2012 | N° 17171

FIM DA CAÇADA. Assaltante apontado como líder da mais recente onda de ataques a bancos no RS e em SC foi capturado em Cachoeirinha

JOSÉ LUÍS COSTA 

Um sentimento de alívio tomou conta da Polícia Civil ontem após a captura do assaltante Enivaldo Farias, o Cafuringa, 41 anos, apontado como o bandido gaúcho de atuação mais intensa no país e no Exterior. – É um peso que tiramos das costas. Por alguns dias, vamos estar mais tranquilos com menos assaltos a bancos – desabafou o diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), Guilherme Wondracek.

Considerado o foragido número 1 do Estado, Cafuringa era procurado pelas polícias gaúcha, catarinense, Federal e paraguaia. É suspeito de fomentar a mais recente ofensiva contra bancos no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. O bando dele seria responsável por nove ataques nos últimos dois anos.

Com envolvimento em crimes por duas décadas, ele seria o líder de uma quadrilha que se especializou em sequestrar gerentes, tesoureiros e seus familiares para assaltar bancos. Meticuloso, Cafuringa não teria pressa em observar seus alvos e planejar os ataques. Uma das primeiras investidas com esse método, em maio de 2005, foi abortada em Ribeirão Preto, no interior paulista, quando agentes do Deic o prenderam.

– Por nove dias, ele ficou em uma praça, acompanhando a rotina do banco e monitorando os funcionários de uma agência da Caixa Econômica Federal – lembra Wondracek.

Conforme o delegado, antes dos ataques, Cafuringa costumava montar uma espécie de dossiê das vítimas, com fotos de seus parentes, das casas e até dos colégios onde os filhos dos bancários estudavam. As imagens eram usadas para atemorizar os funcionários sequestrados ou aqueles que eram rendidos dentro das agências.

– Assim, quem tem coragem de ir à delegacia e reconhecer os assaltantes? A maioria fica com medo de prestar depoimento – lamenta o delegado Juliano Ferreira, da Delegacia de Roubos e Extorsões do Deic.


Bando aderiu a explosivos

Nos últimos tempos, o bando de Cafuringa também teria aderido a explosivos no ataques a bancos. Ele estava sendo monitorado pela polícia havia três meses. Agentes sabiam que o criminoso se movimentava entre Canoas, onde nasceu e tem familiares, e o sul catarinense. No dia 15, quando foram explodidos seis caixas eletrônicos de uma agência do Banco do Brasil, em Torres, no Litoral Norte, os policiais pensaram que Cafuringa estava envolvido no caso.

Mas, segundo a polícia, ele estava um pouco além do Rio Mampituba, mantendo um tesoureiro e a mulher dele reféns por 13 horas, em Criciúma (SC), obrigando o bancário a ir até a agência do BB na cidade vizinha de Içara e recolher o dinheiro do cofre.

Depois de ir a São Paulo, passar por Novo Hamburgo, Sapucaia do Sul e Canoas, Cafuringa se refugiou em uma casa de uma mãe de santo em Cachoeirinha. Ao amanhecer de ontem, 14 policiais invadiram o local. Encontraram Cafuringa dormindo, com duas pistolas calibre 9 mm – uma sob o travesseiro. Mas ele não teve tempo de reagir e foi dominado.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Apesar de somar 19 anos e dois meses de condenações – até abril de 2019 – por assaltos, receptação e adulteração de veículo, ter fugido quatro vezes, estar envolvido na execução de ex-comparsa e ter participado diretamente da morte de um agente penitenciário, o bandido obteve liberdade condicional, foi preso novamente por porte de arma e em seguida solto. Esta é a justiça brasileira que decide amparada por leis benevolentes e sem qualquer compromisso com a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. Bandido perigoso nas ruas sobra para os policiais e para o cidadão, ambos vítimas da impunidade e do descaso da lei e da justiça.



quarta-feira, 22 de agosto de 2012

LIBERDADE PARA ACUSADO DE MATAR MISSIONÁRIA

STF concede liberdade a fazendeiro acusado de matar Dorothy Stang. Segundo decisão, a prisão só poderia ocorrer após o fim de todos os recursos da defesa pendentes

22 de agosto de 2012 | 0h 58. O Estado de S.Paulo


SÃO PAULO - O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu, nesta terça-feira, 21, liminar em habeas corpus que determina liberdade provisória para Regivaldo Pereira Galvão, condenado pelo Tribunal do Júri de Belém (PA) a 30 anos de prisão pela morte da missionária Dorothy Mae Stang. Segundo o ministro, o alvará de soltura deve ser cumprido "com as cautelas próprias", caso Regivaldo não esteja preso por outro motivo. Regivaldo está preso em Altamira (PA) desde setembro de 2011, quando se apresentou à polícia.

Marco Aurélio afirmou que a prisão preventiva deve se basear em razões objetivas e concretas, capazes de corresponder às hipóteses que a autorizem. Na decisão, o ministro afirma que, na sentença, "o juízo inviabilizou o recurso em liberdade com base no fato de o Tribunal do Júri haver concluído pela culpa", determinando a expedição do mandado de prisão. "Deu, a toda evidência, o paciente como culpado, muito embora não houvesse ocorrido a preclusão do veredicto dos jurados", afirmou.

Em maio, a 5ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) havia negado pedido de habeas corpus em favor do fazendeiro. O réu teve prisão preventiva decretada pelo presidente do Tribunal do Júri, como garantia de manutenção da ordem pública, e ingressou no STJ com pedido para recorrer em liberdade.

Dorothy Stang foi assassinada em 12 de fevereiro de 2005 com seis tiros, no município de Anapu (PA). Na época, a defesa já havia alegado que o fato de o réu responder por crime hediondo não o impediria de recorrer em liberdade. Apontou também que haveria constrangimento ilegal na decisão que determinou a prisão preventiva, pois não haveria fato novo que a justificasse.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

PROJETO QUER ANISTIAR MENSALEIROS NA CÂMARA

De autoria do ex-deputado Ernandes Amorim, o PL 2589 pede a revisão da cassação dos políticos que perderam o mandato em consequência do caso que está sendo julgado pelo STF, conta Leandro Mazzini, na Coluna Esplanada

por Leandro Mazzini | CONGRESSO EM FOCO 18/08/2012 11:00

Mensaleiros tentam anistia na Câmara

Enquanto os ministros do STF discutem se condenarão ou não os réus da Ação Penal 470, o PT, PTB e PR tentam dar celeridade a um projeto de lei que anistia os mensaleiros na Câmara. A base governista aproveitou o recesso para driblar a oposição.

O PL 2589 de 2007 foi distribuído em dezembro daquele ano, mas não vingou e foi arquivado. Um aliado de Valdemar da Costa Neto (PR), réu no STF, requereu o desarquivamento em dezembro do ano passado e a proposta chegou à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde aguarda relator.

O projeto que tenta anistiar os mensaleiros é de Ernandes Amorim, aliado de Roberto JeffersonPai da criança. O projeto de anistia ‘aos cassados por quebra de decoro’ entre 2003 e 2006 é de autoria do ex-deputado Ernandes Amorim (PTB-RO), partido do réu Roberto Jefferson.

Suposto ajuste

Ao defender aliados, o ex-deputado deu outro nome ao mensalão: ‘Em virtude de suposto ajuste para manter ou obter apoio político ao governo federal’.

Cumplicidade

As tentativas nos recessos tiveram a anuência de dois petistas presidentes da Câmara. Arlindo Chinaglia (SP), em 2007, e Marco Maia (RS), ano passado.

A manobra

Para apressar a tramitação, o PT e o PR apensaram o PL em 2007 a um projeto de Neilton Mulim (PR-RJ), que proibia anistia a servidor demitido por corrupção. A ideia é boa, mas junto foi a armadilha da anistia a mensaleiros.

POLÍTICOS CONDENADOS PELO SDTF FICAM FORA DA PRISÃO


Quatro parlamentares que tiveram penas restritivas de liberdade estão soltos aguardando julgamento de recursos. Dois ainda estão no mandato 

por Mario Coelho CONGRESSO EM FOCO 20/08/2012 07:00

Condenado a 13 anos e ainda deputado, Donadon é a maior evidência de que dificilmente alguém será preso logo após o julgamento do mensalãoO procurador-geral da República, Roberto Gurgel, causou comoção no fim da sua sustentação oral ao pedir a expedição dos mandados de prisão dos réus condenados pelo mensalão. Se o pedido for integralmente aceito, algumas punições podem chegar a 150 anos de cadeia. Porém, o histórico do Supremo Tribunal Federal (STF) leva a crer que a possibilidade de alguém de fato acabar preso logo após um resultado de condenação é muito pouco provável.

Da Constituição Federal de 1988 para cá, o STF julgou e condenou seis deputados federais. Para dois deles – o ex-deputado Cássio Taniguchi (DEM-PR) e o deputado Abelardo Camarinha (PSB-SP) –, as penas prescreveram. O ex-deputado do DEM foi sentenciado a seis meses de prisão por desvio de dinheiro de público. Já o deputado do PSB, que até pouco tempo atrás era um dos recordistas de processos no STF, a seis meses de prisão.

No caso de ambos, as penas prescreveram. Taniguchi não tentou a reeleição em 2010, mas permanece na vida pública. Atualmente, é secretário de Planejamento do governo do tucano Beto Richa no Paraná. Camarinha continua no seu segundo mandato como deputado. Faz parte, inclusive, da atual composição do Conselho de Ética da Câmara como suplente. O órgão é o responsável por analisar o comportamento dos colegas pelos parâmetros da ética e do decoro.

Como as penas prescreveram, Taniguchi e Camarinha nem chegaram a correr o risco de serem presos. Mas um caso emblemático ainda aguarda a análise de um embargo de declaração pelo STF. Em 28 de outubro de 2010, Natan Donadon (PMDB-RO) foi condenado a 13 anos, quatro meses e dez dias de prisão, em regime fechado, pelos crimes de formação de quadrilha e peculato. Dias antes, renunciou ao mandato como uma forma de levar o processo para a primeira instância. Não conseguiu.

Mesmo condenado, o peemedebista conseguiu se reeleger para mais um mandato como deputado. E, passados quase dois anos da sentença proferida pelos ministros do Supremo, continua normalmente sua rotina. Espera, desde 4 de maio de 2011, o julgamento pela corte de um embargo de declaração. O recurso não tem poder de mudar a decisão, visa apenas o esclarecimento de uma parte obscura da decisão. Seus advogados, no entanto, contestam a pena, considerada exagerada. Até que se esgotem todos os recursos, ele não pode ser preso.

Demora

“O STF afirma que uma execução da pena não pode ocorrer na pendência de recurso”, explica Lucas Albuquerque, pesquisador da faculdade de direito da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro (FGV-RJ). Em tese, disse o especialista, é possível recorrer duas vezes de cada decisão do Supremo. É possível, primeiro, apresentar o embargo de declaração e, depois, um embargo infringente.

O caso de Natan ainda está no primeiro recurso. Chegou a ser pautado no fim do semestre passado, mas o julgamento foi adiado. Com a pauta do plenário exclusiva ao mensalão, não existe previsão de que ele seja analisado. Mesmo se os ministros rejeitarem o embargo, ele ainda terá outra possibilidade de contestar a condenação. E isso somente depois da publicação do acórdão. Da primeira vez, levou seis meses.

De acordo com o especialista da FGV-RJ, cada ministro teria até 20 dias para revisar o seu voto antes da publicação do acórdão. A redação fica a cargo do relator ou do ministro responsável pelo voto condutor. Mas não é incomum ultrapassar esse período. A condenação de Taniguchi, por exemplo, que ocorreu em 20 de maio de 2010, até hoje não teve seu acórdão publicado. O relator da ação penal é o ministro Celso de Mello. O decano da corte tem, durante as sessões, feito reclamações sobre o excesso de trabalho no Supremo.

Exercício de futurologia

Por isso, alerta o especialista em direito, é difícil prever o que vai acontecer no julgamento do mensalão. Primeiro pela quantidade de réus. Depois, pelo próprio histórico da corte em ações penais. “Fazer qualquer prognóstico seria um exercício de futurologia”, opinou Albuquerque. A única certeza, porém, é que antes da publicação do acórdão as decisões não serão executadas. Se recursos forem apresentados, a prisão deve esperar o trânsito em julgado da ação penal.

“É um julgamento de bala de prata. Depois que o Supremo decide, não há a quem recorrer”, disse o ministro Marco Aurélio Mello na última sexta-feira (10), após participar de um seminário em São Paulo. Apesar de não existir uma “instância superior” ao STF, a possibilidade de recursos existe. “Não temos um Supremo de semideuses. Temos homens e mulheres que não podem errar.”

Pioneiro

Situação similar à de Natan Donadon vive o ex-deputado José Fuscaldi Cesílio, o Tatico. Ele, que tentou a reeleição pelo PTB de Minas Gerais em 2010, foi condenado pelo Supremo dias antes da eleição, em 27 de setembro. Na oportunidade, cumpria mandato por Goiás. Antes, foi deputado representando o Distrito Federal. Ele recebeu como pena sete anos de prisão em regime semiaberto e 60 dias-multa.

Tatico, empresário do ramo de supermercados no entorno de Brasília, acabou sendo pioneiro. Foi o primeiro parlamentar a ser condenado a uma pena de prisão pelo Supremo. Os embargos apresentados entraram na pauta em dezembro do ano passado. No entanto, um pedido de vista do ministro Luiz Fux adiou o julgamento. Na semana passada (6), ele devolveu os autos para julgamento.

O ex-deputado Zé Gerardo (PMDB-CE) ficou conhecido nacionalmente por ser o primeiro parlamentar a ser condenado na história recente do STF. A pena dada pelos ministros pelo crime de responsabilidade foi de prestação de serviços à comunidade por dois anos e dois meses e o pagamento de 50 salários mínimos de multa (cerca de R$ 25,5 mil). A corte já rejeitou recursos apresentados pelo peemedebista, que não conseguiu a reeleição no último pleito estadual. Porém, ainda resta um agravo em um embargo infrigente para ser analisado. E, por consequência, sua punição ser cumprida.

Por fim, o último condenado pelo STF é o peemedebista Asdrubal Bentes (PA). A sentença dada pelos ministros foi de três anos, um mês e dez dias de prisão, em regime aberto, pelo crime de esterilização irregular. A decisão ocorreu em 8 de setembro do ano passado. Por uma coincidência macabra, o acórdão só foi publicado após pouco mais de nove meses, o tempo de uma gestação: 29 de junho último. Ele entrou com embargos infringentes, ainda não analisados pelo ministro relator, José Dias Toffoli. Eles estão agora sob vista da PGR.

sábado, 18 de agosto de 2012

MST E MLST ATACAM AUTORIDADES

O ESTADO DE SÃO PAULO 17 de agosto de 2012 | 12h 13

MST ataca veículos de autoridades antes de evento com Dilma em AL. Manifestantes obstruíram rodovias e Batalhão de Operações Especiais interveio, o que gerou a confusão; não há informações sobre feridos

Rafael Moraes Moura, enviado especial


MARECHAL DEODORO (AL) - Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), do Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL) e do Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST) atacaram na manhã desta sexta-feira, 17, veículos de autoridades alagoanas que se dirigiam a uma nova unidade da fábrica da Braskem, onde haveria cerimônia com a presença da presidente Dilma Rousseff.

Os manifestantes obstruíram uma das principais rodovias de acesso à fábrica, localizada no município de Marechal Deodoro, a 30 quilômetros de Maceió. Com a intervenção do Batalhão de Operações Especiais (Bope), que atirou bombas de efeito moral, os sem-terra foram para cima dos veículos.

Segundo relatos ouvidos pela Agência Estado, pelo menos quatro veículos foram danificados - um de uma equipe de um jornal local, dois do governo de Alagoas e o veículo oficial do presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas, desembargador Sebastião Costa Filho. Não há relatos sobre se há ou não feridos.

PROGRESSÃO POR SALTO

CORREIO DO POVO, 18/08/2012

BRASÍLIA - Benefício penal. Nova súmula

A Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) aprovou nova súmula que veda a chamada "progressão por salto" no regime prisional, ou seja, a passagem direta do preso do regime fechado para o aberto, sem passar pelo semiaberto. 


O novo resumo legal é baseado na interpretação do artigo 112 da Lei de Execuções Penais (LEP), que determina que o prisioneiro deve cumprir um sexto da pena original antes de evoluir de regime.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Não é a toa a onda crescente de violência e criminalidade que assola o povo brasileiro. As leis protegem a bandidagem. Veja bem: um sexto de 30 (pena máxima) significa que em 5 anos apenas, um bandido cruel e perigoso já recebe os benefícios da lei, abrindo oportunidades para a fuga e retaliação. E esta súmula aprovada para impedir a tal "progressão por salto" é inoperante, já que o regime semi-aberto já está escancarado diante da falta de controle, fiscalização, monitoramento e local adequado.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

PENA ALTERNATIVA É IMPUNIDADE DE MENSALEIRO?

OPINIÃO E NOTÍCIA- TENDÊNCIAS E DEBATES

Delúbio, Genoino e Dirceu podem até ser condenados, mas dificilmente irão presos, e podem até conseguir se candidatar em eleições vindouras

por Hugo Souza, 17 de agosto, 2012

No dia em que o julgamento do mensalão começou, 2 de agosto, em meio a todo frenesi em torno da possibilidade de estar se formando um divisor de águas no que se refere à famigerada impunidade no Brasil, o senador petista Eduardo Suplicy foi logo cantando a pedra da ilusão, ainda que o tenho feito sem a menor sombra do inconformismo e indignação que inúmeras vezes demonstrou para vociferar contra a podridão na política brasileira.

Em entrevista ao blog Poder Online, do jornalista Tales Faria, Suplicy foi um dos primeiros homens públicos a, em público, levantar a bola de que, uma vez condenados, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, o ex-presidente do partido José Genoíno e o ex-ministro José Dirceu deveriam receber penas brandas, como prestação de serviços à comunidade.


Noves fora a solidariedade partidária de Suplicy, é isso mesmo o que deve acontecer. No último dia 9 de agosto o colunista Ancelmo Gois publicou uma notinha com uma declaração atribuída ao um ex-ministro do STF, não identificado, que com sua experiência jurídica, advertiu:

“Para a frustração ser menor, é preciso avisar à população que os réus do mensalão serão condenados, mas ninguém vai ser preso”.

Como assim?!

Isso mesmo. Respondendo a uma consulta do jornal O Globo, especialistas do Centro de Justiça e Sociedade da Fundação Getúlio Vargas explicaram por que não deve ser desta vez que a sensação de impunidade no Brasil (para os poderosos, que para os pobres sobra punição) vai se dissipar:

“De acordo com o Código Penal, as penas de até quatro anos podem ser substituídas por prestação de serviços e, no caso de penas de até oito anos, o réu inicia o cumprimento da pena em regime semiaberto (dorme na cadeia e passa o dia trabalhando). Assim, nesses casos, ainda que haja condenação, pode não haver prisão em regime fechado. A definição do regime de cumprimento de pena, ou de aplicação de pena alternativa, depende dos ministros, que devem decidir com base em uma série de critérios, entre eles, os antecedentes (se o réu é primário, por exemplo)”.

Trocando em miúdos: Delúbio, Genoino e Dirceu (o chamado “núcleo político” do mensalão), acusados de corrupção ativa e formação de quadrilha, podem ser condenados a respectivos de um a três anos, e dois a 12 anos de prisão, mas poderão ter extinta a punibilidade caso a maioria dos ministros do STF considere favoráveis os antecedentes e a conduta social dos réus — o que, no entender da fonte de Ancelmo Gois, é exatamente o que vai acontecer.

E pior…

Todos devem ir pelo mesmo caminho do quarto elemento do núcleo político do mensalão, o ex-secretário-geral do PT Sílvio Pereira, que fez um acordo com o Ministério Público Federal e teve o processo contra ele suspenso em troca da prestação de 750 horas de serviços comunitários na subprefeitura do Butantã, em São Paulo, para pagar o crime de formação de quadrilha.

Em caso de condenação de Delúbio, Genoino e Dirceu às penas mínimas pelos crimes de que são acusados, elas perderiam o efeito após o trânsito em julgado do processo. É a chamada prescrição retroativa, em bom juridiquês. As penas mínimas para os crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha no âmbito do mensalão prescreveram em 2011.

E mais: em caso de absolvição por falta de provas ou prescrição, Dirceu, Genoino e Delúbio reconquistariam o seu direito à elegibilidade, a pedirem o voto do povo em eleições vindouras. Para 2014 Dirceu permaneceria inelegível por causa da cassação do seu mandato de deputado em 2006, mas em 2018…


Caro leitor,

Você acha que a provável aplicação de penas alternativas como desfecho do julgamento do mensalão seria sinônimo de impunidade para os mensaleiros?

Você ficaria, digamos, frustrado se Dirceu e Genoino, além de saírem na prática impunes, ainda puderem se candidatar nas eleições que estão por vir?

Você considera que a possibilidade de nenhum mensaleiro ir para a prisão, mesmo que todos sejam condenados, evidencia a urgência de penas mais duras para a corrupção?

domingo, 12 de agosto de 2012

SOBRE IMPUNIDADE


ZERO HORA 12 de agosto de 2012 | N° 17159. ARTIGOS

Percival Puggina*

O país inteiro – com as conhecidas exceções – quer ver na cadeia os réus que venham a ser condenados no processo do mensalão. No entanto, é pouco provável que isso ocorra. Serão todos réus primários e as penas que venham a ser aplicadas certamente os levarão, no máximo, a um período no regime semiaberto e à liberdade. Assim é o nosso Código Penal, cujas disposições, tantas vezes, divergem da opinião pública. Desnecessário dizer que haverá uma grande frustração nacional se isso acontecer, e todo o longo e oneroso procedimento judicial redundará numa réplica do que vemos acontecer, diariamente, em relação aos agentes da cadeia produtiva do crime organizado ou desorganizado. São penas que acabam desatendendo as razões substantivas de sua existência, como veremos adiante.

Infelizmente, a corrente filosófica que vem orientando os preceitos dos códigos e as decisões judiciais segue por caminho que acaba por estimular a criminalidade através da multiplicação da impunidade. O discurso que a produz e reproduz vê o criminoso como uma vítima das circunstâncias. E as regras que valem para os descamisados valem, também, para os de colarinho branco.

Se o leitor destas linhas remover cuidadosamente a tinta daquele discurso, o que aparecerá por baixo é uma paisagem ideológica: o preso é preso porque é pobre e o pobre é pobre por culpa do rico. Portanto, construir penitenciárias, manter alguém preso, é dar guarida aos desejos de vingança que a sociedade, perversa e opressora, nutre em relação àqueles que de algum modo lhe revidam com trivialidades tais como furtos, assaltos, sequestros, latrocínios, tráfico de drogas e sevícias de toda ordem. Nessa tese, quem está preso deveria estar solto e quem está solto deveria estar preso. Você e eu, leitor, estamos apenas aguardando em liberdade a citação para nosso julgamento político-ideológico.

A pena de prisão cumpre na ordem social, em quase todas as circunstâncias, um conjunto de relevantes papéis. Num país onde todo crime “não dá nada”, reservar a pena de prisão aos delitos de maior lesividade é afirmar que o crime compensa. E ele já se tornou um dos maiores e melhores negócios do país! Não podemos esquecer que na realidade atual, na insegurança em que vivemos, a principal função da pena é apartar o criminoso do convívio social. Não é sequer fazer justiça, porque a justiça das penas raramente é reparatória. Tirar o bandido das ruas já é uma grande e meritória realização das instituições! Em segundo lugar, mas ainda assim com relevância, a pena de prisão tem uma função social educativa, mostrando ao criminoso e à sociedade que essa opção não é uma boa. Enquanto as funções expostas acima são objetivas em seus efeitos, a ressocialização é hipótese bem mais remota. Não parece razoável esperar que o ambiente de um estabelecimento penal consiga levar a um bom caminho quem não o escolheu no convívio familiar, na escola, nem nas esquinas da vida. Não devemos desistir da possibilidade, mas não podemos renunciar às penas de prisão porque o sistema não produz essa recuperação. Se o conhecimento das péssimas condições do nosso Presídio Central não é suficiente para inibir a criminalidade, não será um presídio nota 10 que o fará. Nada cumpre melhor esse papel do que a certeza da captura, da condenação e do encarceramento por longo prazo, com progressão lenta e arduamente conquistada.

*Escritor

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

O ILÍCITO COMO DESCULPA

ZERO HORA 08 de agosto de 2012 | N° 17155


EDITORIAL


Com o visível propósito de livrar seus clientes de acusações mais pesadas, alguns defensores dos réus do mensalão admitem a prática de ilícito eleitoral, mais especificamente do artifício conhecido como caixa 2 – que significa a utilização em campanhas políticas de recursos financeiros não contabilizados. Essas doações não identificadas costumam encobrir crimes maiores, como lavagem de dinheiro, além de representar, na maioria dos casos, uma espécie de adiantamento de suborno, pois os doadores dificilmente deixam de cobrar favorecimentos por parte dos eleitos. Ou seja: caixa 2 não é um delito tão inocente assim.

Todos fazem, argumentam até mesmo lideranças importantes dos partidos flagrados com dinheiro escondido em partes íntimas do vestuário de seus militantes. Ora, essa é a desculpa mais esfarrapada que existe, pois serve aos vândalos, aos infratores de trânsito e aos espertalhões de qualquer natureza. Além disso, não é verdadeira. Não é verdade que todos fazem. Há na política, como em qualquer atividade, bons e maus cidadãos. E os bons certamente não cometem ilicitudes. Nem tentam se passar por vítimas do sistema.

Sob o pretexto de que a lei eleitoral é ir- realista e hipócrita, sem fiscalização adequada, os infratores dizem que não lhes resta outra alternativa a não ser entrar no jogo sujo da sonegação. Pode até ser um delito menos grave sob a ótica da legislação eleitoral, mas é, na verdade, uma traição à confiança do eleitor. O caixa 2 é o rótulo dos políticos desonestos, dos doleiros, dos laranjas, das empresas fantasmas e do envio de recursos para paraísos fiscais. Dinheiro sem origem definida e sem registro contábil invariavelmente vai parar no bolso de malfeitores. Deveria, no mínimo, ser equiparado ao crime de sonegação fiscal, para o qual a legislação penal brasileira prevê pena de reclusão de dois a cinco anos, além de multa.

Não é o que ocorre no atual processo do mensalão, pois o delito eleitoral já está prescrito devido à demora do julgamento. Por isso, principalmente, os advogados reivindicam para seus clientes esta culpa menor e garantidora de impunidade, apostando que as demais acusações serão esquecidas.

Independentemente do que o Supremo Tribunal Federal vier a decidir sobre o atual processo, o combate ao uso do caixa 2 tem que ser intensificado no país, com rastreamento mais rigoroso dos recursos suspeitos, fiscalização permanente das campanhas eleitorais e vigilância do eleitorado sobre partidos e candidatos que se utilizam de tais expedientes. Não podemos nos enganar: políticos, lideranças partidárias e servidores que manipulam dinheiro mal havido são, sim, contraventores, e merecem o repúdio da sociedade.

Usar o ilícito como desculpa é, no mínimo, uma confissão de desonestidade.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O VALERIODUTO CONTINUA OPERANDO

REVISTA ISTO É N° Edição:  2230 06.Ago.12 - 13:57


Investigações do ministério público indica que empresas ligadas ao publicitário Marcos Valério continuam a receber recursos públicos por meio de contratos feitos com pelo menos dois ministério e estatais

 
Por Claudio Dantas Sequeira e Izabelle Torres
 

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O publicitário Marcos Valério é considerado um dos maiores arquivos vivos da história recente do País. Acusado de ser o operador do esquema de corrupção que escoou milhões em recursos públicos para o caixa de partidos e políticos, Marcos Valério certamente é, entre os 38 réus do processo do mensalão, o que teria mais a revelar. No entanto, nos últimos sete anos, apesar de ter sido preso, desmoralizado publicamente e vivido às voltas com processos de cobrança na Justiça de uma dívida de pelo menos R$ 83 milhões, Valério manteve-se em silêncio. Mesmo sob o risco de ser condenado no STF a 43 anos de prisão, o publicitário mineiro permanece calado. Para o Ministério Público, o mutismo de Valério significa apenas um trunfo esperto, uma espécie de moeda de troca contra os mesmos políticos que ajudou lá atrás. Esse jogo de barganha estaria servindo ao propósito de manter o Valerioduto em plena atividade. Novas investigações, que correm em sigilo, e o cruzamento de contratos públicos feitos por ISTOÉ indicam que Marcos Valério segue faturando alto, operando de forma mais discreta com a ajuda de novos intermediários e empresas.
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Uma das principais conexões do Valerioduto, segundo o MP, é a empresa T&M Consultoria, que pertence ao advogado Rogério Tolentino, velho amigo, ex-sócio, um dos réus do mensalão e parceiro de Marcos Valério nos esquemas de corrupção. Documentos em poder do Ministério Público de Minas Gerais indicam que, apesar de não serem mais sócios formais, Valério e Tolentino dividem os lucros das consultorias e serviços prestados pela T&M a empresários interessados em vencer licitações em órgãos públicos. Uma das clientes da T&M é a ID2 Tecnologia. Com sede em Brasília, a pequena empresa, que tinha atuação inexpressiva na Esplanada, deu um salto invejável no seu faturamento. Após a intervenção da dupla Tolentino-Valério, a ID2 fechou vários contratos, um de R$ 15 milhões com o Ministério do Turismo e outro de R$ 14 milhões com a Fundação Nacional de Saúde (Funasa).
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Os dois negócios da ID2, porém, foram reprovados pelos órgãos de controle. A Controladoria-Geral da União (CGU) encontrou superfaturamento de R$ 11 milhões no contrato do Ministério do Turismo. No caso da Funasa, segundo auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), assinada pelo ministro Aroldo Cedraz, o contrato não foi cumprido de forma integral, faltando comprovações sobre o destino de pelo menos 24% dos recursos pagos. A ID2 nega qualquer relação com Tolentino e Valério. Procurado por ISTOÉ, o diretor de operações da empresa, Jessé Rovira, chegou a dizer que não tinha prestado serviço à Funasa. Confrontado com as ordens de pagamento do Ministério da Saúde, voltou atrás e admitiu a existência do contrato. “Foi entregue um sistema logístico para compra de medicamentos, que está implantado e em funcionamento”, disse Rovira, alegando desconhecer o parecer do TCU. A ID2 também foi contratada pelo Ministério dos Transportes para prestar serviços à Valec, estatal que foi alvo de ação recente da Polícia Federal. Na operação, foi preso o presidente da Valec, José Francisco das Neves, o Juquinha, ligado ao deputado Valdemar Costa Neto, cacique do PR e um dos réus do mensalão.
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O advogado de Marcos Valério, Marcelo Leonardo, negou para a ISTOÉ a nova sociedade de seu cliente com Tolentino. Mas admitiu que o publicitário tem ampliado seu leque de atuação. “Ele possui um escritório de consultoria empresarial e de negócios”, disse o advogado. Este escritório vem a ser o mesmo usado por Tolentino no sexto andar do número 925 da rua Sergipe, no bairro Savassi, em Belo Horizonte. “Eles dividem o espaço, mas atuam de forma independente”, diz Leonardo. O advogado não esclarece que tipo de consultorias são essas.

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Outra possível extensão do Valerioduto na mira do Ministério Público é a agência Fields Comunicação, criada pelo fotógrafo publicitário Sidney Campos. Pouco conhecido no mercado até recentemente, Campos é tratado em Brasília como “pupilo” de Valério. O início da parceria entre os dois foi o que chamou a atenção do MP. Em 2003, a SMP&B de Valério ganhou o contrato de publicidade da Câmara Legislativa do Distrito Federal na gestão do então deputado Benício Tavares (PMDB). O contrato 013/03 da SMP&B era compartilhado com a agência M. Cohen, que passou às mãos de Sidney Campos na assinatura do primeiro aditivo contratual. Campos depois mudou o nome da empresa para DCR Comunicação e logo virou o controlador do contrato. Em outubro de 2005, temendo ser envolvido com o escândalo do mensalão, o deputado Tavares (que foi denunciado em junho por corrupção passiva e lavagem de dinheiro), aconselhou Valério a retirar a SMP&B da conta da Câmara Legislativa. Planilhas de despesas de propaganda obtidas por ISTOÉ revelam entretanto que a SMP&B, mesmo não fazendo parte formalmente do contrato, continuou recebendo os pagamentos. Um relatório do terceiro trimestre de 2006 mostra que a Câmara emitiu um total de nove notas fiscais em nome da DCR, mas com o CNPJ da SMP&B. A maquiagem nos documentos oficiais permitiu que a agência de Marcos Valério embolsasse, só naquele período, mais de R$ 5 milhões.

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A possível fraude, no entanto, rendeu muito mais. O mesmo contrato de publicidade da Câmara Legislativa, assinado em 2003, recebeu cinco aditivos seguidos, estendendo sua duração até 2008. Seu valor saltou dos R$ 9 milhões iniciais para quase R$ 52 milhões. Auditores do Tribunal de Contas do DF, com base em questionamento da procuradora Claudia Fernanda, além de considerarem ilegal a prorrogação do contrato após a saída da SMP&B, também identificaram um prejuízo aos cofres públicos de mais de R$ 4 milhões – e isso numa amostragem de 40% das notas fiscais. Com o fim do contrato com a Câmara, a DCR Comunicação passou a operar com outro CNPJ, em nome de DCR Marketing e Propaganda. Campos rebatizou a empresa com o nome de Fields Comunicação. Naquele mesmo ano de 2008, conseguiu a conta de publicidade do Ministério do Esporte, na gestão de Orlando Silva. O que também intrigou os procuradores é que, antes de Campos, quem cuidava da publicidade do Esporte era justamente Marcos Valério, por meio da SMP&B. Alvo da CPI que investigou o mensalão em 2005, esse contrato da SMP&B com o Ministério do Esporte sofreu auditorias. A devassa encontrou diversas irregularidades, entre elas o direcionamento de patrocínios para entidades de Minas Gerais, subcontratações, pagamentos indevidos de honorários e fraudes na comprovação de despesas.

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Apesar de o MP ver indícios de que Valério estaria por trás de Sidney Campos, o dono da Fields Comunicação nega conhecer o pivô do mensalão. “Nunca o vi, nem me reuni com ele”, diz. Procurado pela reportagem da ISTOÉ, Sidney também negou inicialmente que fosse sócio da DCR Comunicação quando a empresa atuava na Câmara Legislativa. Confrontado, porém, com os documentos internos da Câmara, ele acabou admitindo sua participação na agência e no polêmico contrato. “Mas nunca repassei dinheiro para a SMP&B”, afirma. O publicitário atribui seu sucesso ao talento para atrair celebridades para peças publicitárias de órgãos públicos, sem pagamento de cachê. Foi assim, segundo ele, no convite a Pelé e Ronaldo Fenômeno para estrelarem a campanha da Copa de 2014. O contrato de divulgação de grandes eventos esportivos, avaliado em R$ 44 milhões, também foi entregue à Fields.

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O Ministério Público investiga os passos de Marcos Valério em outras fontes também. Segundo um procurador que pede anonimato, o publicitário tem se movimentado para operar ainda nos setores de petróleo e construção civil, de olho principalmente na reforma de aeroportos, como o de Confins. Prospecta igualmente oportunidades de negócios com a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016. Nessa linha, o MP amplia sua investigação para a atuação das agências MG5 e Solimões Publicidade, que têm como donos Ramon Hollerbach e Cristiano Paz, ex-sócio de Valério. Chama a atenção dos procuradores o fato de que Valério e seus ex-parceiros, mesmo com seus bens bloqueados judicialmente e sem renda aparente, conseguem manter um alto padrão de vida. Valério, por exemplo, adquiriu nos últimos três anos duas casas de alto padrão localizadas em Minas Gerais. Além de registrar os imóveis em nome da filha, ele declarou valores bem abaixo dos de mercado. Uma das casas, comprada oficialmente por R$ 550 mil, valia pelo menos o dobro no mercado à época da transação, em 2009. O advogado de Valério alega que os imóveis são da filha, de apenas 21 anos, e estão declarados à Receita Federal.

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 A situação atual de Valério é bem diferente daquela imediatamente posterior ao escândalo do mensalão e ao bloqueio de bens. Na ocasião, alegando estar sem dinheiro, o publicitário pediu à mulher, Renilda Santiago, que procurasse o ex-tesoureiro Delúbio Soares em seu apartamento em São Paulo, onde ficou recluso durante meses. A proposta de Valério era de que o PT quitasse seus cartões de crédito e lhe pagasse R$ 100 mil por mês, caso contrário ele contaria tudo sobre o mensalão. A situação de penúria de Valério parece que durou pouco.

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Fotos: Cláudio Cunha/1º Plano; Daniel Ferreira/CB/D.A Press; Alan Marques/Folhapress; Adriano Machado

A CULTURA DO SIGILO

 
ZERO HORA 06 de agosto de 2012 | N° 17153

EDITORIAL

Representantes do Executivo, do Legislativo e, principalmente, do Judiciário vêm se valendo dos mais diversos subterfúgios para driblar a Lei de Acesso à Informação, que determina a divulgação nominal dos salários dos servidores. Trata-se de evidente ilegalidade, que precisa ser examinada pelos órgãos superiores, especialmente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) no caso do Judiciário. Nada menos de metade dos tribunais ainda resiste à determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de divulgarem seus salários. A Câmara e o Senado, que foram os últimos a agendar a publicação dos vencimentos de seus funcionários, acabaram divulgando a lista sem os nomes dos beneficiários, por exigência de uma liminar obtida por sindicalistas. A transparência, que deveria ser generalizada, acaba se revelando restrita.

O que confere relevância à Lei de Acesso à Informação é justamente a sua característica de permitir aos cidadãos acompanhar como o dinheiro que desembolsam sob a forma de impostos é usado para remunerar bem os servidores e assegurar serviços de qualidade aos contribuintes. Como argumenta o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres Britto, “a remuneração dos agentes públicos constitui informação de interesse coletivo ou geral”. E mais: o princípio da publicidade da atuação administrativa “propicia controle da atividade estatal até mesmo pelos cidadãos”. O problema se amplia quando alguns líderes de servidores, a maioria dos quais situados nas faixas mais altas de ganhos, parecem ter mais poder do que outros de sensibilizar juízes a conceder liminares tornando opaco o que era para ser transparente.

O que importa mais, no caso, não é tanto a divulgação individualizada do nome de cada servidor com sua respectiva remuneração. Sob o ponto de vista dos ganhos, a lei sancionada em novembro do ano passado pela Presidência da República e regulamentada em 16 de maio prevê a publicidade do nome do servidor, seu vínculo funcional e ocupação com as devidas remunerações eventuais ou básica, vantagens de natureza pessoal, abono de permanência, descontos obrigatórios e outras parcelas, remuneratória ou indenizatória. Essas condições não são preenchidas quando as relações de vencimentos escamoteiam nomes ou omitem nos valores totais os chamados penduricalhos, por exemplo. E de que vale a sociedade tomar conhecimento de tantos servidores ganhando acima do teto salarial e de variações superiores a 500% entre o menor e o maior salário pagos pelo Executivo se não há como identificá-los nominalmente, como determina a lei recém posta em prática?

Assim como ocorreu com a Lei de Responsabilidade Fiscal, entre outros tantos instrumentos moralizadores, é compreensível que essa fase inicial seja marcada por resistências. Ainda assim, sob o ponto de vista salarial, a Lei de Acesso à Informação só poderá alcançar seus objetivos quando a garantia do conhecimento dos cidadãos sobre dados públicos conseguir se sobrepor a alegações ardilosas de direito à privacidade e à intimidade que são utilizadas mais para proteger privilégios do que para assegurar prerrogativas constitucionais.

sábado, 4 de agosto de 2012

VANDALISMO CONTRA PATRIMÔNIO PÚBLICO

Vandalismo contra patrimônio público desafia Prefeitura. Obras públicas, monumentos e mobiliário urbano de todo tipo são alvos do vandalismo; órgãos gastam com os consertos cerca de R$ 3 milhões por ano

CAROLINA OLIVEIRA CASTRO
LUISA LUCCIOLA
O GLOBO:4/08/12 - 8h33


A estátua de Carlos Drummond de Andrade sofre com a ação dos vândalos, mesmo com a ação de câmerasO GLOBO / MARCELO PIU


RIO - “E agora, você? Você que é sem nome, que zomba dos outros”. A pergunta que Carlos Drummond de Andrade faz em seu poema “E agora, José?” nunca foi tão oportuna. Quem é você que zomba dos outros e destrói a cidade? O dono dos óculos mais visados do Rio quer saber. A estátua do poeta, instalada num banco no calçadão de Copacabana, é o monumento mais atacado por vândalos na cidade: em pouco mais de nove anos, Drummond teve oito óculos roubados. Para tentar dar nome a quem zomba do poeta, a prefeitura instalou este ano duas câmeras de vigilância voltadas para a estátua, o que não impediu que mais um par voltasse a ser levado.

— Este ano o Drummond foi atacado uma vez, mesmo com a câmera. Vimos as imagens e identificamos os responsáveis. Eram menores, que estão sofrendo as consequências legais. Mas não dá para ter uma câmera virada para cada monumento da cidade, cada bueiro e cada poste de luz — afirmou o secretário municipal de Conservação e Serviços Públicos, Carlos Roberto Osório, informando que o custo de reposição de cada par de óculos é de R$ 3 mil, pagos antigamente pela prefeitura e, agora, pela empresa de lentes que adotou o monumento em 2009 e instalou as câmeras.

A civilidade também desafina do outro lado cidade. Em Vila Isabel, o túnel que leva o nome do grande poeta do bairro, Noel Rosa, sofreu 14 furtos de cabos de cobre este ano. O material, segundo a prefeitura, é depois vendido para ferros-velhos. O vandalismo já custou R$ 226 mil à Secretaria municipal de Conservação, que também gastará com uma obra para mudar a posição da rede elétrica do túnel. Outro metal cobiçado é o das grelhas das galerias de águas pluviais: 300 delas são furtadas a cada mês, uma média de dez por dia. Por ano, a Rio Águas desembolsa cerca de R$ 720 mil para repor 3.600 das 445 mil grelhas de ferro fundido que existem nas ruas.

Nem mesmo as lixeiras da Comlurb são poupadas. A empresa informou que cerca de duas mil são retiradas anualmente por causa da depredação. A Comlurb consegue recuperar apenas a metade das lixeiras, gerando um prejuízo de R$ 70 mil.

Obras públicas, monumentos e mobiliário urbano de todo tipo são alvos do vandalismo. Segundo a Secretaria de Conservação, as áreas mais afetadas são as zonas Norte e Oeste. A conta da falta de respeito pelo patrimônio é salgada para os cofres públicos: a prefeitura gasta com os consertos cerca de R$ 3 milhões por ano. Os recursos saem da CET-Rio e da Secretaria de Conservação. Cada uma desembolsa cerca de R$ 1,5 milhão para repor o que é destruído.

Em dois dias de ronda por nove bairros do Centro e das zonas Norte e Sul, O GLOBO encontrou diversos exemplos desses crimes: pontos de ônibus com vidros quebrados, placas pichadas, lixeiras queimadas, postes sem placa, muitos lustres e luminárias quebrados, estátuas com partes roubadas e bueiros sem grelhas.

CET-Rio repõe um km² de placa por ano

Segundo a prefeitura, o Centro de Operações Rio tem ajudado a diminuir os ataques ao patrimônio, mas o número de casos ainda surpreende. Para o secretário Osório, isso vai além do vandalismo: é um crime que precisa ser combatido.

— No Rio, temos dois tipos de crime. O furto, que a pessoa pratica para revender o material, principalmente cabos e metais, em busca do lucro, e a destruição pelo vandalismo. Os dois casos são crimes e têm que ser combatidos pela polícia. Por conta desses casos, em Vila Isabel vamos fazer uma obra para mudar a estrutura de iluminação no túnel e tentar dificultar a ação dos bandidos. Praticar um furto num túnel não é coisa rápida.

Na CET-Rio, as queixas se voltam contra os destruidores de sinalização. Todo ano, mais de um quilômetro quadrado de placa tem que ser reposto em consequência do vandalismo. Os problemas mais comuns são placas pichadas e roubo e depredação de sinais de trânsito. Para Claudia Secin, presidente do órgão, os atos de vandalismo vão na contramão das ações do governo e da população.

— Nós temos manutenção de rotina, já que os equipamentos ficam naturalmente danificados devido à ação do tempo e a eventuais acidentes. Esse tipo de ação nos força a deixar de lado o trabalho normal para recuperar o que foi danificado. Ficamos enxugando gelo, e isso só significa prejuízo para a cidade — disse Claudia. — É uma covardia com a população, porque somos forçados a gastar o dinheiro público que poderia estar sendo investido em áreas mais importantes.

A RioLuz é uma das mais prejudicadas com os furtos: a maior parte de seus materiais tem alto valor comercial. Só em 2011, foram furtados 44 quilômetros de cabos na cidade, o que gerou um custo de R$ 700 mil à prefeitura.

A solução ideal para dar fim aos gastos seria conseguir evitar os crimes, mas a prefeitura tem tentado também pensar em outras soluções, como a produção de peças com materiais mais baratos. A Rio-Águas, por exemplo, está substituindo suas grelhas de ferro por outro modelo, de fibras plásticas, feitas com material reciclável. A RioLuz seguiu caminho parecido e, no mês passado, inaugurou uma fábrica, em Marechal Hermes, para reutilizar o máximo possível do material danificado por vândalos.

Osório lembra que muita gente encara a depredação do patrimônio público como brincadeira. Mas ela é crime previsto no Código Penal: artigo 163, pena de um a seis meses de reclusão e multa.

— As pessoas acham que é brincadeira, mas isso é crime. Com esse dinheiro, eu poderia deixar os parques e praças da cidade mais bonitos. Mas, todo mês, tenho que tirar recursos para repor o que já estava bom. Conversei com o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, para pedir que a polícia passe a dar prioridade a esse tipo de crime — diz Osório.

Em nota, a Secretaria de Segurança informou que a PM policia todas as áreas em rondas ostensivas e procura flagrar ações de vandalismo, “tanto que algumas prisões vêm sendo feitas”. A Polícia Militar pede à população que registre ocorrência quando flagrar uma situação de vandalismo.

CASEIRO ACUSADO DE HOMICÍDIO ESTAVA COM PRISÃO DECRETADA POR OUTRO

Caseiro acusado de matar idosa já estava com prisão decretada por outro homicídio. Juiz expediu mandado antes do assassinato de idosa, mas Polícia Civil não conseguiu achar o acusado

O GLOBO :4/08/12 - 8h24


Cleiane de Oliveira Costa foi morta em Botafogo. ÁLBUM DE FAMÍLIA


RIO - “A prisão do acusado apresenta-se necessária para a garantia da ordem pública, a fim de evitar que em liberdade volte a praticar crimes, já que demonstra possuir intensa periculosidade”. A sentença do juiz Murilo Kieling, do III Tribunal do Júri, de 4 de julho, previa o risco que representava deixar solto Ênio Tomaz da Rocha, então acusado de ter matado, em maio, uma mulher em Botafogo. Como o mandado de prisão preventiva contra o suspeito não foi cumprido, semanas depois ele assassinou a viúva Alpha Dias Kieling, de 77 anos, cujo corpo foi encontrado enterrado, em 29 de julho, nos fundos da casa dela, em São Conrado.

Ênio foi denunciado pelo estupro e pela morte de Cleiane Oliveira Costa, de 30 anos, assassinada em 24 de maio passado dentro de uma clínica na Rua Elvira Machado, em Botafogo, onde ela trabalhava como recepcionista. O criminoso, que era vigilante na rua, foi flagrado por uma câmera de segurança entrando na clínica às 20h49m e saindo às 21h33min, carregando uma bolsa feminina.

Corpo foi encontrado às margens da Baía

Segundo investigações da Divisão de Homicídios (DH), Cleiane tinha começado a trabalhar três dias antes do crime na clínica, onde seu irmão Gustavo Oliveira era auxiliar administrativo. Na manhã do dia 25, ao chegar ao trabalho, Gustavo estranhou que Cleiane tivesse deixado o computador ligado, abandonado objetos pessoais e levado o dinheiro da clínica. Naquele mesmo dia, o corpo dela foi encontrado seminu, dentro de um saco plástico nas pedras da Praia do Flamengo. Gustavo foi avisado por um policial da 10ª DP (Botafogo). Ênio teria jogado a vítima na Baía de Guanabara. Cleiane deixou três filhos, de 14, 7 e 6 anos.

Ao receber a denúncia, feita pelo Ministério Público, o juiz ressaltou na sentença a periculosidade demonstrada nas provas citadas no inquérito, ressaltando o fato de haver sete anotações penais contra o vigilante. “A liberdade do acusado pode ser capaz de gerar tamanha intranquilidade às testemunhas o que impedirá, por óbvio, o alcance da verdade processual. Com efeito, o crime foi praticado com extrema brutalidade conforme narrado”, escreveu o juiz.

A Divisão de Homicídios (DH) explicou que esteve na Rocinha para cumprir o mandado de prisão expedido pela Justiça no início do mês passado, mas Ênio havia se mudado para outro endereço na mesma favela. Com a morte de Alpha, para quem Ênio trabalhava como caseiro, a polícia obteve novo mandado de prisão. Desta vez, a DH obteve o endereço correto, mas o acusado também não foi encontrado em casa. Ele acabou preso anteontem por policiais militares na Lagoa, após uma denúncia anônima. Num vídeo feito pela polícia, ele chorou, pediu desculpas e confessou ter matado sua patroa por estrangulamento. Ênio contou que atacou a idosa porque ela havia desconfiado de que ele furtara algo de sua casa.

Mãe de vítima esteve na DH para bater nele

Amargurada pela perda da filha Cleiane, Rosany de Oliveira Costa Silva deu um pulo do sofá ao receber a notícia de que o caseiro Ênio Tomaz da Rocha, acusado do crime, havia sido preso na manhã de quinta-feira.

— Fiz questão de ir até a delegacia (Divisão de Homicídios) na mesma hora. Queria das uns sopapos na cara daquele monstro, aquele diabo em forma de gente. Mas não me deixaram entrar. Agora ele vai para a cadeia comer por conta do povo. Estou com sentimentos de raiva, de ódio. Não sei como uma pessoa pode ter o sangue tão frio para fazer tanta maldade na face da terra. Quantas vidas esse homem vem tirando? E precisou tirar mais uma vida para poder ser descoberto — desabafou a mãe da vítima em sua primeira entrevista desde o crime. Ela esteve na DH acompanhada do marido e de dois filhos.

Cleiane pertencia a uma família grande. Tinha seis irmãos. Os três filhos, hoje, moram com os avós paternos e vivem perguntando pela mãe. Tia da vítima, Rosângela dos Santos Oliveira Costa conta que Cleiane morava com ela desde os 14 anos. As duas se amavam, e como Rosângela não teve filhos pediu à irmã para cuidar de Cleiane. Nesta sexta-feira, Rosângela revelou ao GLOBO que Ênio Tomaz da Rocha infernizou sua vida até mesmo depois da morte da sobrinha.

— Tenho certeza que era ele. Ligava o tempo todo. De dia, de noite e até de madrugada. Tinha música no fundo e muita gente falando. Era ele na Rocinha. Ele levou o celular da Cleiane que tinha o meu nome na agenda. Eu era identificada como mãe. Ele quis me ameaçar psicologicamente. Durou uma semana. Até que não suportei mais e troquei no número de minha linha telefônica — contou Rosângela. — Quero que ele pague por tudo aquilo que fez. E não deve ter sido somente os dois crimes, não. Tem muito mais.

Gustavo Oliveira da Silva, irmão de Cleiane, ainda sente um pouco de culpa pela morte da irmã. Ele trabalhava na clínica de psicanálise onde a irmã foi estuprada e assassinada. Foi ele quem ofereceu a ela a oportunidade de cobrir as férias de uma colega de trabalho. Cleiane havia começado a trabalhar no dia 21 de maio e foi morta três dias depois, no dia 24. Ele contou que o laudo da perícia técnica indica que houve luta corporal porque foi encontrado tecido humano sob as unhas dela.

— Fui embora da clínica depois do crime. Não suportaria estar lá todos os dias no lugar onde fizeram aquela maldade com minha irmã. Quis ajudar, mas acabei levando-a para a morte. É assim que me sinto — lamenta Gustavo.

terça-feira, 17 de julho de 2012

CRIMES NO CONGRESSO SEM PUNIÇÃO

DE HOMICÍDIO A SEQUESTRO, OS CRIMES NO CONGRESSO


Suspeitas contra quatro parlamentares no STF vão de desvio bilionário a homicídio, passando por associação ao tráfico de drogas e sequestro

POR EDSON SARDINHA - CONGRESSO EM FOCO 17/07/2012 07:00

Homicídio, sequestro e associação ao tráfico de drogas. Acusações que levam milhares de brasileiros pobres à cadeia todos os anos, quem diria, também chegaram ao Congresso Nacional, somando-se às tradicionais denúncias de desvio e mau uso do dinheiro público. Essas suspeitas ajudam a compor o eclético repertório das centenas de processos a que respondem parlamentares no Supremo Tribunal Federal (STF), órgão responsável por investigar e julgar criminalmente deputados e senadores.

Conhecer detalhes dos processos em andamento no Supremo é dar de frente com as vísceras do sistema político brasileiro. OCongresso em Foco selecionou quatro casos que, devido à gravidade das denúncias, chamam o eleitor à reflexão. Afinal, quem foi escolhido pela população para legislar em nome dela deveria ser visto como exemplo para toda a sociedade. Mas nem sempre é assim.

Um dos vice-líderes do recém-criado PSD na Câmara, o deputado Carlos Souza (AM) é o único parlamentar que responde a processo no Supremo por associação ao tráfico de drogas. Ex-governador de Mato Grosso, o deputado Júlio Campos (DEM-MT) é suspeito de ter encomendado a morte de duas pessoas. O primeiro não comenta o assunto; o segundo contesta a denúncia.

Na Câmara desde o início de 2011, o ex-prefeito de Pacaraima (RR) Paulo César Quartiero (DEM-RR), que ficou conhecido nacionalmente por liderar os arrozeiros em um sangrento conflito por terras entre indígenas e não indígenas na reserva Raposa Serra do Sol, é acusado de sequestro e cárcere privado, entre outras coisas, nas 14 investigações (seis já transformadas em ações penais) que acumula no STF. Quartiero é hoje o congressista com mais pendências judiciais na mais alta corte do país. Todas, segundo ele, motivadas por perseguição política em razão de seu papel como líder dos arrozeiros.

Excluídos os deputados, o senador com mais problemas na Justiça atualmente é Jader Barbalho (PMDB-PA), que só tomou posse no final do ano passado, meses depois de o Supremo decidir que a Lei da Ficha Limpa só valerá a partir deste ano. São cinco ações penais e dois inquéritos. Contra o ex-presidente do Senado, que renunciou ao mandato em 2001 para escapar da cassação em meio a uma série de denúncias, não pesa suspeita de envolvimento com tráfico de drogas, homicídio ou sequestro. Mas a de fazer parte de uma quadrilha acusada de desviar cerca de R$ 1 bilhão da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam).

Ninguém na cadeia

No Brasil, congressistas e outras autoridades só podem ser investigados e julgados criminalmente pela mais alta corte do país. O chamado foro privilegiado foi instituído para evitar eventuais perseguições políticas locais. Mas, por meios tortos, acabou virando um atrativo para a vida política: até 2010, os ministros do Supremo jamais haviam condenado qualquer parlamentar brasileiro.

De lá para cá, no entanto, seis foram condenados. Dois escaparam da punição porque seus casos já estavam prescritos na data do julgamento. Outros três, condenados à prisão, ainda contestam a decisão da Justiça. Dois deles, inclusive, seguem no exercício do mandato, Asdrubal Bentes (PMDB-PA) e Natan Donadon (PMDB-RO).

CINCO ANOS DE IMPUNIDADE

ZERO HORA 17 de julho de 2012 | N° 17133. ARTIGOS


Lucas Redecker, deputado estadual

O período de dois anos separa as duas maiores tragédias aéreas do país. Entre elas, há em comum as falhas decorrentes de problemas técnicos e a falta de preparo dos pilotos para lidar com essas situações.

No caso do voo JJ 3054 da TAM, que no dia 17 de julho de 2007 matou 199 pessoas ao colidir contra um prédio em Congonhas, a posição dos manetes e o reverso pinado impediram a frenagem do avião que girou ante a falta de ranhuras na pista. De lá para cá, o sinal de alerta indicador da posição dos manetes passou a ser item obrigatório.

Quanto ao acidente com o voo da Air France, que resultou na morte de 228 pessoas em 2009, foi descoberto que a causa teve origem na incapacidade de reação dos pilotos frente as diversas falhas ocorridas. A aeronave mergulhou no mar depois do congelamento das sondas que informam a velocidade e a altitude, além da desconexão do piloto automático.

A modernização e a automação cada vez maiores das aeronaves não dispensa as empresas de treinarem a tripulação para lidar com as dificuldades. Estamos falando de máquinas. E máquinas falham, quebram ou param de funcionar. Elas não são autossuficientes, dependem da ação do homem. Por isso, dá exemplo a justiça francesa, ao indiciar a Airbus e a Air France como responsáveis pelo acidente de 2009, pois cabia a elas o treinamento dos pilotos, também vítimas do sistema. O contrário ocorreu no acidente com o voo da TAM, onde a Airbus e a Infraero nada sofreram, o que é lamentável.

Em terra, não são menores os problemas nos aeroportos. A derrapagem de aviões no aeroporto de Congonhas dias antes do acidente com o voo da TAM, por exemplo, deveria ter servido de alerta, mas foi ignorada, assim como a proibição de pouso com o reverso pinado em dias de chuva. Um novo alerta foi dado esta semana, mostrando que há 45 obstáculos na rota de aproximação dos aviões em Congonhas, com potencial para provocar acidentes. Mas o que será feito com essa informação? Provavelmente nada, porque o pensamento vigente é o de que não irá acontecer nada. E se acontecer, não será punido, a exemplo do voo JJ 3054.

Quis o destino, por uma dessas ironias da vida, que meu pai fosse vítima do apagão aéreo contra o qual lutou até o fim. Como que num presságio funesto, ele já alertava para os perigos dos aeroportos e a urgente necessidade de mudanças. Cinco anos depois da tragédia em Congonhas, pouca coisa mudou. As famílias ainda esperam punição para os culpados e os aeroportos continuam caóticos, com tendência a piorar. Só a saudade e a sensação de impunidade que não mudam.



domingo, 15 de julho de 2012

OS MOTORES QUE MOVEM A RODA DA CORRUPÇÃO


 
ZERO HORA 5 de julho de 2012 | N° 17131

TRISTES RETRATOS - Por que escândalos se repetem

MARCELO GONZATTO

Oiminente julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal mês que vem, longos sete anos depois de estremecer o país, ilustra a dificuldade de apurar e julgar casos de suspeita de corrupção no Brasil. A fábrica nacional de escândalos funciona sem parar graças a um complexo mas eficiente mecanismo de desvio do dinheiro público.

Suas principais engrenagens incluem a tolerância da legislação, a lentidão da Justiça e a dificuldade para reaver os recursos. Em razão disso, investigações notórias deflagradas nos últimos 10 anos seguem sem conduzir eventuais culpados para a cadeia, e o dinheiro de volta aos cofres públicos.

Uma análise das fraudes de grande repercussão ocorridas ao longo da década no Estado e no país demonstra um ambiente favorável para a instalação de indústrias de rapinagem. Apenas no Rio Grande do Sul, uma amostra de cinco grandes descalabros revela que todo o trabalho de apuração das supostas irregularidades ainda não chegou a conclusões definitivas. No mais celebre dos casos, a fraude no Detran, há chance de sentença ainda neste ano.

– A principal razão para a sucessão interminável de escândalos são os códigos de processo civil e penal, que oferecem um exagero de oportunidades para a apresentação de recursos. Quem tem dinheiro para um bom advogado protela todo o procedimento – avalia o diretor-executivo da Transparência Brasil, Cláudio Abramo.

Há vagando no Congresso um vasto número de projetos de lei que poderiam dificultar o trabalho dos corruptos, mas não há previsão de se tornarem realidade. Atualmente, existem 138 propostas destinadas a frear as engrenagens que fabricam escândalos – mas chegam ao plenário a conta-gotas.

– Esse assunto não é prioridade – lamenta o secretário-geral da ONG Contas Abertas, Gil Castello Branco.

Como estancar desvios

Os estímulos concedidos a quem enriquece com dinheiro alheio incluem, ainda, um risco baixíssimo de ter de devolver os recursos. Mesmo quando os desvios são descobertos e resultam na aplicação de multas aos responsáveis, o índice de pagamento é mínimo. Um estudo do Tribunal de Contas da União (TCU) revela que, entre 2008 e o ano passado, apenas 9,8% do dinheiro exigido pelo órgão foi recuperado.

Em ações de improbidade, a devolução dos recursos saqueados costuma estar condicionada à condenação dos réus. Em alguns casos há bloqueio de bens de envolvidos, mas o ressarcimento depende da sentença definitiva.

– A solução não é simples. É uma combinação de providências, desde mudanças legislativas até administrativas. Hoje, por exemplo, não há limite para pedidos de habeas corpus. Não suspendem o processo, mas estão constantemente submetendo o juiz a prestar informações, o que toma tempo – observa o promotor Tiago de Menezes Conceição, da Promotoria Regional de Defesa do Patrimônio Público.

O presidente do Tribunal de Contas do Estado, Cezar Miola, afirma ser necessário aumentar a integração das instituições fiscalizadoras, incentivar o controle interno em órgãos públicos, ampliar as ações de caráter preventivo contra a corrupção e o uso da tecnologia nessas atividades.

– É preciso que especialmente para os crimes de peculato, corrupção e concussão (extorsão praticada por funcionário público) sejam estabelecidas penas mais severas – completa.


NA PRÓXIMA POSTAGEM  - ENTREVISTA

GUILHERME MAZUI | Brasília entrevista Fernando Filgueiras Professor de Ciência Política (UFMG) - “O Judiciário não pune a corrupção na política”






O JUDICIÁRIO NÃO PUNE A CORRUPÇÃO NA POLÍTICA



ZERO HORA 15/07/201215 N° 17131

 

GUILHERME MAZUI | Brasília

ENTREVISTA

“O Judiciário não pune a corrupção na política”

 

Fernando Filgueiras Professor de Ciência Política (UFMG)

 
Um dos autores do livro Corrupção e Sistema Político no Brasil, o cientista político Fernando Filgueiras acredita que, no país, cada vez mais amadurece a democracia, mas é preciso ampliar os mecanismos de punição para frear a sucessão de escândalos. Professor do departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais, Filgueiras reclama das falhas no processo de investigação e salienta que a corrupção não é cultural no Brasil, mas sim fruto da falta de aprimoramento dos mecanismos de controle.

Zero Hora – Por que o país produz escândalos em série?

Fernando Filgueiras –
Os escândalos podem fazer parecer que a corrupção é muito mais regra do que exceção no país. Não é o caso. Desde a Constituição de 1988, o Estado brasileiro tem aprimorado suas instituições de controle. O aprimoramento cria uma virtude ambígua. Melhora a gestão mas, por outro lado, desvela a corrupção no sistema político e na administração pública. Apesar disso, o enfrentamento da corrupção ainda tem muito o que ser aprimorado.

ZH – O foro privilegiado incentiva a corrupção e a impunidade?

Filgueiras –
O foro especial é muitas vezes necessário nas democracias. Foi criado para proteger os parlamentares do arbítrio. O problema é o modo como construímos isso no Brasil. O que era para ser especial tornou-se um privilégio de políticos para se verem livres de responsabilidade e de punição.

ZH – A Justiça tem sua contribuição na realidade da política brasileira?

Filgueiras –
Sim. O Judiciário não pune a corrupção, especialmente na política. Todavia, esse cenário vem mudando. E a responsabilidade não é apenas do Judiciário, mas do sistema judicial como um todo. Existem ainda muitos problemas nos processos de investigação que impedem a punição da corrupção.

ZH – O eleitor também tem sua parcela de culpa?

Filgueiras –
O eleitor é o último dos culpados. Ele é submetido a um processo confuso e escandaloso de informações e é vítima da desigualdade que a própria corrupção produz. Não podemos culpar o eleitor. Até porque ele não tem mecanismos para punir os políticos durante o mandato.

ZH – Pode se dizer que a corrupção é cultural no Brasil?

Filgueiras –
Essa questão é muito pobre. O brasileiro apoia a democracia, desconfia dos políticos e das instituições e é extremamente crítico à corrupção. O problema da corrupção não é cultural. O que existe é uma enorme ambivalência em relação aos valores e ao interesse público.

ZH – Como combater a corrupção?

Filgueiras –
Devemos manter a rota de construção institucional dos controles públicos e fortalecer a democracia. Não há outro remédio. Mas, imediatamente, no caso brasileiro, precisamos enfrentar o problema da impunidade.

ZH – A ética nas relações políticas é mais retórica do que prática, como se viu no caso do senador Demóstenes Torres?

Filgueiras –
Não se trata de retórica. Tem de haver valores públicos para que haja uma perspectiva ética na política. A ética é uma perspectiva prática, porque ela tem a ver com o que construímos no cotidiano. Ainda temos muito o que avançar, por isso precisamos estar calcados em instituições fortes, que sejam capazes de produzir e reproduzir valores éticos.

ZH – Qual a expectativa do senhor em relação ao julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal?

Filgueiras –
O cenário é um pouco nebuloso ainda. Independentemente do processo judicial e do emaranhado de leis que serão evocadas durante o julgamento, existe uma escolha política a ser feita. Acredito que o STF não vai querer se desmoralizar inocentando os envolvidos no mensalão.


RADIOGRAFIA DA IMPUNIDADE





ZERO HORA 15/07/2012
 

PÁGINA 10 | ROSANE DE OLIVEIRA


A reportagem Marcas na parede da história, que você vai ler nas páginas seguintes, deixa martelando no cérebro a sensação de que, quando o assunto é corrupção, o crime compensa. Além de raras, as punições demoram tanto a chegar que muitos dos acusados desfrutam o dinheiro amealhado indevidamente como se fosse fruto do seu trabalho, transferem fortunas para terceiros ou para contas secretas no Exterior, até fazer a polícia ou a Justiça perder o rastro do dinheiro, se elegem para cargos públicos ou morrem antes de cumprir a pena.

Como têm dinheiro para pagar bons advogados, os acusados de corrupção conseguem acesso a todos os recursos permitidos no sistema penal brasileiro e, não raro, safam-se pela prescrição. Os advogados cumprem o seu papel ao fazer de tudo para absolver o cliente. O problema está na lei. Os juízes julgam de acordo com ela e enfrentam dificuldades para acelerar os processos, seja por falta de estrutura, seja pelo cipoal de recursos.

No Rio Grande do Sul, o escândalo do Detran é um dos casos mais emblemáticos dessa demora para punir – ou absolver os réus que a Justiça considerar inocentes. Ouvir os acusados e todas as testemunhas foi uma maratona repleta de obstáculos como a indicação de testemunhas de fora do Estado, que a Justiça teve dificuldades em localizar. Somente agora, perto de o escândalo completar cinco anos, a juíza responsável, Simone Barbisan Fortes, está perto de assinar a sentença.

O cidadão que acompanha as operações da Polícia Federal, as denúncias do Ministério Público e o trabalho das forças-tarefas que reúnem várias instituições tem dificuldade para saber se as acusações eram frágeis ou se é o sistema mesmo que torna fácil a vida dos corruptos. As prisões, os indiciamentos, as apreensões de documentos e as entrevistas que detalham o funcionamento da “organização criminosa” acabam caindo no esquecimento enquanto corre o processo, já com todos livres da prisão preventiva.

Se retroceder no tempo, voltarão à memória outros escândalos do século passado, quando não existiam as redes sociais para disseminar as notícias. Quem já sabia ler e escrever nos anos 1970 e 1980 haverá de lembrar do adubo-papel, do caso Capemi, do escândalo da mandioca. Nos anos 1990, os brasileiros derrubaram Fernando Collor da Presidência da República, mas ele foi absolvido pela Justiça e hoje é senador da República pelo voto dos alagoanos.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

MATOU A FACADAS E VAI CUMPRIR PENA SOCIOEDUCATIVA

Jovem que matou mulher a facadas em Dom Pedrito vai cumprir pena socioeducativa 

CASO DE POLÍCITA. 05 de julho de 2012 0

O Juiz da Comarca de Dom Pedrito, Alexandre Fonseca, determinou a internação de um jovem de 17 anos que matou uma mulher a facadas no Bairro Filho Godoy, em Dom Pedrito. O crime ocorreu no dia 11 de março. No entendimento da Justiça, o adolescente cometeu um crime equivalente a homicídio qualificado.

O magistrado considerou que a medida socioeducativa de internação imediata é a única medida adequada para a repressão deste tipo de ato, devido à gravidade do fato e à conduta do jovem, considerada agressiva. O adolescente deve seguir internado na Fundação de Atendimento Socio-Educativo de Santa Maria, onde já estava provisoriamente aguardando decisão judicial.

O caso:

O homicídio foi motivado pela disputa de uma casa, no Bairro Filho Godoy, em Dom Pedrito, na região da campanha. O avô do jovem morreu e deixou a escritura da residência no nome do adolescente. Desde então, o pai do jovem começou a viver na resiência com a companheira, Seila Maria Ferreira Vieira, 56 anos.

Entretanto, o pai do adolescente morreu e a mulher continuou a residir no local, o que ocasionou o desentedimento. De acordo com a investigação, o jovem estava pagando um aluguel para morar em outro lugar e queria viver na residência deixada como herança. Após discussão testemunhada por vizinhos na manhã do dia 11 de março de 2012, o adolescente agrediu e matou a vítima com golpes de faca.

O agressor fugiu mas foi detido pela Brigada Militar próximo ao local do crime. Em depoimento, ele alegou legítima defesa, o que não foi constatado pelo juiz.

FONTE:  http://wp.clicrbs.com.br/casodepolicia/2012/07/05/jovem-que-matou-mulher-a-facadas-em-dom-pedrito-vai-cumprir-pena-socioeducativa/?topo=52,1,1,,171,e171

domingo, 8 de julho de 2012

SOB O DOMÍNIO DA IMPUNIDADE E DO CRIME, ATÉ QUANDO?


Domingo, 8 de julho de 2012

Edição do Alerta Total - www.alertatotal.net 

Por Jorge Serrão

Na semana em que o governo federal lança o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, Prisionais e sobre Drogas, para a formulação, implementação, execução, acompanhamento e avaliação das políticas públicas para tais questões essenciais, uma pesquisa oficial confirma que, sob o aspecto psicossocial, os brasileiros e brasileiras já são reféns do Governo do Crime Organizado.

O Sistema de Indicadores de Percepção Social de Segurança Pública do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) revelou um dado literalmente assustador. Pelo menos 62,4% da população teme morrer assassinada. Outros 62,3% temem ter muito medo de assalto à mão armada. Também 61,6% cultivam o temor de arrombamento residencial. E 54,5% morrem de medo de sofrer agressão física.

Pela leitura simples e objetiva da pesquisa do Ipea, os brasileiros e brasileiras vivem apavorados. Quem sobrevive deste jeito, por conseqüência natural, tem dificuldade de reagir e combater, de forma eficiente, o mal que o aflige. Logo, quem não reage acaba rastejando para o problema. Quando assume dimensão psicológica e social, influindo na vontade das pessoas, o sistema do crime vence e reina com mais facilidade. Ainda mais em um País de injustiças e impunidades sistemáticas.

O Estudo do Ipea indica que apenas 6% da população confiam muito na Polícia Civil. Outros 6,2%, na Polícia Militar. 8,9%, na Polícia Rodoviária, e 10,5%, na Polícia Federal. Pelo menos 12% dos entrevistados reclamaram que tiveram problemas cometidos pelas autoridades. Na lista negra, ameaças, extorsões, ofensas verbais e até agressões físicas. A pesquisa do Ipea aplicou 3.799 questionários de forma representativa para as regiões do Brasil, entre os dias 10 e 30 de março deste ano.

O teor de tal pesquisa se torna ainda mais alarmante quando temos a informação segura de que, nos bastidores do Judiciário, já se dá como muito provável a previsão de absolvição para a grande maioria dos 38 supostos mensaleiros. A tendência é que a maioria dos ministros do STF considera que não se pode comprovar o mensalão. No entanto, para não deixar no ar alguma impressão de impunidade, desagradando a opinião pública e publicada, o STF deve aplicar condenações aos réus que, comprovadamente, cometeram algum tipo de crime de lavagem de dinheiro. As acusações de peculato e formação de quadrilha, com o mensalão “incomprovável”, ficariam prejudicadas – o que facilitaria a absolvição dos principais acusados.

O medo psicologicamente cultivado pela população e mais um terrível e péssimo exemplo de impunidade dado pelo caso do Mensalão podem agravar ainda mais nossa crise institucional, abrindo espaço para duas coisas. Ou para uma ruptura (menos provável, dada a desmobilização e a inação do povo amedrontado). Ou para a consolidação do Governo do Crime Organizado, que atende aos interesses globalitários, anti-brasileiros, de nos manter sob exploração e subdesenvolvidos.

Os segmentos esclarecidos da sociedade brasileira – espera-se que menos amedrontados – vão mudar o quadro vigente? Ou vão permanecer covardes e se curvando ao Governo do Crime, apenas protestando para si mesmos, entre seus seletos grupos ou via internet? A resposta para tais dúvidas definirá o destino próximo do Brasil: Nação soberana e potência mundial ou Nação subalterna e impotente diante dos esquemas que a vilanizam.

Enquanto ninguém decide, milhares de políticos ficha-e-contas-sujas começam o patético teatrinho para conquistar seu voto, garantindo-lhes um empregão público por quatro anos aos 5.563 prefeitos de municípios brasileiros com 56.818 vereadores. Uma festança!

Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.