"A impunidade é a maior causadora de crimes, não a violência ou a miséria. Os ferrenhos defensores dos "direitos humanos, os adeptos de tudo que é politicamente correto", precisam compreender isso. Esses são os primeiros a lutarem em defesa dos bandidos, condenando somente os abusos de polícia, e usando argumentos como "são apenas crianças" ou a culpa é da miséria". Não sabem o desserviço que prestam à nação". Rodrigo Constantino.

sábado, 21 de março de 2015

JURADOS ABSOLVEM TRAFICANTE

 

ZERO HORA 21 de março de 2015 | N° 18108





CRISTIANE BAZILIO


JULGAMENTO NA CAPITAL

Traficante Jura é absolvido de acusação de homicídios


EMBORA RECONHEÇA AUTORIA do réu no crime, júri decidiu não condenar Juraci Oliveira da Silva. Recurso da promotoria pede anulação da sentença

Depois de um julgamento que durou 17 horas e terminou na madrugada de sexta-feira, o traficante Juraci Oliveira da Silva, o Jura, foi absolvido dos homicídios triplamente qualificados de Henrique Ribeiro da Silva e Wagner Machado Silveira, ocorridos em 2006. Por maioria, os jurados entenderam que o réu ordenou os crimes, mas não o condenaram. A promotoria recorreu pedindo anulação do julgamento.

– Respeito a decisão do júri, mas não faz sentido que, depois de dizerem que ele cometeu os crimes, o absolvam. É com base nessa contradição que vou pedir a anulação. Como os votos são sigilosos e os jurados não têm de justificar a decisão, fica difícil ter uma ideia do que pode ter acontecido para justificar essa absolvição – explicou a promotora do caso, Lúcia Callegari.

Após a apresentação de alegações de acusação e defesa, o juiz faz três perguntas ao júri: se o crime ocorreu, se o réu foi o autor e se deve ser absolvido. A maioria respondeu sim às três questões.

Em 12 de maio de 2006, Jura ordenou, de dentro da cadeia, a morte de Henrique e Wagner. O duplo homicídio ocorreu na Rua Primeiro de Setembro, bairro Partenon, zona leste da Capital. Segundo a polícia, a motivação seria desavença do tráfico na Vila São José.

Jura está detido na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas. Considerado um dos maiores traficantes do Estado, foi preso em 2010, em Pedro Juan Caballero, no Paraguai. Ele também é réu em processo na Justiça Federal, sobre a assassinato do então vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado, Marco Antônio Becker, em dezembro de 2008.




Polícia confirma prisão de traficante mais procurado do RS. Jura foi preso por agentes da Secretaria Nacional Antidrogas no Paraguai

por Humberto Trezzi13/05/2010 | 08h23

Juraci Oliveira da Silva estava escondido no Paraguai Foto: Capitanbado.com, Divulgação / clicRBS É mesmo Juraci Oliveira da Silva, o Jura, - o mais procurado traficante do Rio Grande do Sul - o bandido preso ontem em Pedro Juan Caballero, no Paraguai. A confirmação foi dada a Zero Hora por policiais civis da 20ª Delegacia da Polícia Civil de Porto Alegre, que estiveram este ano no Paraguai, atrás de informações sobre Jura.

A titular daquela delegacia, delegada Vivian Nascimento, pretende embarcar ainda hoje para o Paraguai, em companhia de agentes da Polícia Federal. Ela tem mandados de captura contra o foragido gaúcho e tentará acelerar a extradição de Jura.

O traficante foi preso na localidade paraguaia de Bella Vista-Norte, no Departamento de Amambay, fronteiriço com o Mato Grosso do Sul. A captura foi feita por agentes da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) do Paraguai.

No Paraguai, Jura estava usando o nome de Carlos Sergio Villarba dos Santos, supostamente nascido em Ponta Porã (MS) - seria uma identidade falsa. Isso foi confirmado pelo Senad.

O Senad afirma que os dois integram um cartel de drogas montado na fronteira paraguaio-brasileira pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), a mais forte facção criminosa de São Paulo, hoje espalhada por outros Estados brasileiros.

É antiga, aliás, a suspeita de que Jura é um dos representantes, no Rio Grande do Sul, do PCC. Arnaldo (ou Jura, como dizem os policiais gaúchos) deve ser embarcado em vôo comercial desde Ponta Porã (Mato Grosso do Sul) para Porto Alegre, ainda hoje.

Conforme informações do site paraguaio capitanbado.com, especializado em notícias criminais, Arnaldo responde a processo por porte de documentos falsos e lavagem de dinheiro no Paraguai, mas tinha permissão judicial para permanecer em liberdade.

O processo é presidido pelo juiz penal Rubén Riquelme, que pretende ordenar a extradição do brasileiro. Jura é o chefe do tráfico no Campo da Tuca, vila da Zona Leste de Porto Alegre. Atua também, segundo a PF, como atacadista na importação de drogas desde o Paraguai, onde estaria refugiado desde o início do ano passado.

Jura está condenado por homicídio, foragido e também denunciado por intermediar o assassinato do médico gaúcho Marco Antônio Becker, morto em dezembro de 2008. Conforme o Ministério Público, Jura teria ordenado a membros da sua quadrilha que executassem Becker, vice-presidente do Conselho Regional de Medicina (Cremers).

O crime teria sido cometido a pedido de um médico desafeto da vítima, Bayard Fisher, que foi cassado pelo Cremers. Bayard está preso preventivamente e responde pelo homicídio.


Quem é Jura
1999
Condenado até 2027 por tráfico e homicídio, o traficante natural de Fontoura Xavier também responde atualmente a processos por homicídio, em trâmite na 1ª Vara do Júri.
- Preso por espancar com coronhadas um jovem com quem discutiu
2001
- Indiciado pelo assassinato de um rapaz. Depois, foi indiciado pela morte de um adversário no tráfico, que foi torturado antes de ser executado. A vítima, Cássio Michel Silva da Silva, teve uma orelha e um dedo amputados
2003
- Procurado por dois homicídios, foi preso em flagrante numa caminhonete, vindo de Ponta Porã (MS), na fronteira com o Paraguai. Estava acompanhado de um dos traficantes mais procurados no Brasil, José Paulo Vieira de Melo, o Paulo Seco, gaúcho ligado ao Comando Vermelho
2005
- Indiciado por tráfico de drogas e, no mesmo ano, por esconder em caixas d´água da Pasc explosivos, cordel, toucas ninja e uma corda (jiboia), material que seria usado em uma fuga
2009
- Transferido para o albergue prisional Pio Buck em 31 de março, ficou apenas 24 dias. Fugiu em 23 de abril. A polícia concluiu que, mesmo foragido, intermediou o assassinato do médico Marco Antônio Becker como favor prestado a outro médico do qual é cliente, Bayard dos Santos
2010
- Responde a processos por um duplo homicídio (em maio de 2006) e tentativa de homicídio e pelo caso Becker


sexta-feira, 20 de março de 2015

QUE JUSTIÇA É ESSA?

Do G1 Rio - 20/03/2015 13h00

Acusados por morte de cinegrafista em ato no Rio deixam penitenciária. Informação foi confirmada pelo advogado Wallace Martins. Ministério Público afirmou que vai recorrer da decisão da Justiça.

Matheus Rodrigues



Fábio Raposo e Caio Silva deixaram a prisão nesta
sexta-feira (Foto: Reprodução GloboNews)

Caio Silva de Souza e Fábio Raposo, ambos de 23 anos, acusados de acender e atirar o rojão que matou o cinegrafista Santiago Andrade, em 6 de fevereiro de 2014, durante um protesto no Rio, foram liberados do Complexo Penitenciário de Bangu, na Zona Oeste do Rio, nesta sexta-feira (20). Eles saíram no local nos carros dos advogados e sem falar com a imprensa. A informação foi confirmada ao G1 pelo advogado Wallace Martins por volta das 12h15.

"Os dois saíram e eles vão descansar, afinal de contas passar um ano e um mês preso não é fácil, ainda mais em uma prisão como essa que foi injusta", disse o advogado Wallace Martins.


Acusados da morte de Santiago deixaram presídio
em carro preto (Foto: Matheus Rodrigues/G1)

Ao ser questionado sobre a quebra da regra, onde todos os presos saem do Complexo Penitenciário de Gericinó, Wallace Martins afirmou que quis preservar o cliente. “Justamente há uma concentração muito grande de mídia e nós tentamos evitar a exposição. Nós conseguimos. Eles vieram a pé até um determinado lugar e entraram no carro, advogado pode entrar de carro”, disse o advogado.


Advogados conversam com familiares em Bangu
(Foto: Matheus Rodrigues/G1)

A dupla não foi solta na quinta-feira (19) por causa da falta de tornozeleiras eletrônicas. Segundo a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária, o equipamento não é fornecido há quatro meses, por falta de pagamento.

Caio Silva de Souza e Fábio Raposo não responderão mais por homicídio qualificado, segundo a decisão anunciada por desembargadores em sessão realizada nesta quarta-feira (18). O Ministério Público afirmou que vai recorrer da decisão da Justiça.

Os ativistas respondiam por homicídio triplamente qualificado: por motivo torpe, com uso de explosivo e mediante recurso que tornou impossível a defesa da vítima. Depois da decisão, eles podem ser condenados, no máximo, por explosão seguida de morte. A pena, que variava de 12 a 30 anos, agora vai de dois a oito anos.


Entre as medidas cautelares impostas na decisão, ficou determinado o comparecimento periódico ao juízo; a proibição de acesso ou frequência a reuniões, manifestações, grupos constituídos ou não, bem como locais de aglomeração de pessoas de cunho político ou ideológico; proibição de manter contato com qualquer integrante do denominado "black blocs"; proibição de ausentar-se da comarca da capital; recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga, principalmente nos fins de semana e monitoramento eletrônico.

Repercussão


A filha de Santiago Andrade, manifestou sua indignação, por meio de seu perfil no Facebook, após a decisão da Justiça. Ela contou se sentir humilhada pela sensação de "não poder fazer nada".

"Sou mais uma parcela da sociedade que passa a conviver com assassinos de um homem íntegro e justo em liberdade. É difícil, é doloroso, depois de um ano sem Santiago, a sensação de não poder fazer nada me corrói, me humilha. E lamento. Lamento não ser como os defensores, que perdoam dois assassinos, que transformaram em noites os dias de uma família com um simples voto. Se Caio e Fábio estão livres, lamento mais ainda desapontá-los, mas a minha batalha continua, até a última instância, estou preparada", disse Vanessa.

A viúva de Santiago Andrade, Arlita Andrade, disse que está indignada. “Eu realmente estou muito magoada, eu espero que o mundo todo também se revolte, porque eu estou revoltada. Que Justiça é essa?”, questionou.

quarta-feira, 4 de março de 2015

AUTOCRÍTICA



ZERO HORA 04 de março de 2015 | N° 18091


MARTHA MEDEIROS



Nunca fui fã ardorosa do Brasil. Suas lindas praias, sua música, sua irreverência, nada disso jamais foi suficiente para superar meu desgosto profundo por ter gente morrendo em corredor de hospital, por professores ganharem uma merreca de salário, por não podermos andar com segurança pelas ruas e demais indignidades com que convivemos dia sim, outro também. Desde que passei a ter o mínimo de consciência política, entendi que ética não era o nosso forte. Quando o PT apareceu, simpatizei, mas não cheguei a acreditar em salvadores da pátria porque a minha descrença estava bem sedimentada. Ainda assim, dei meu voto lá no início, era uma possibilidade. Que se cumpriu até certo ponto, mas o partido se revelou vulnerável como qualquer outro e o resto da história está aí. A roubalheira, que sempre existiu, tomou conta da maior empresa estatal do país e o vexame ganhou proporções monumentais.

O quadro geral é de tristeza. Porém, o que tenho visto é uma alegria perversa entre os caçadores de bruxas. Parece que as pessoas estão salivando diante dos escândalos, satisfeitas por poderem satanizar à vontade os dirigentes do país. Não acho que corruptos mereçam absolvição, estamos sob o comando de maus gestores e péssimos exemplos de cidadania, e torço pela punição de todos aqueles que saquearam o Brasil. Estarei nas ruas no dia 15 de março porque acredito que o povo precisa se expressar, mostrar que está vigilante, mas a raiva contida em muitas declarações contra os petistas não me representa.

Uma coisa é se manifestar – inclusive com humor – a fim de pressionar pelo fim da impunidade. Demonstra amadurecimento da população. Mas, no momento em que chamamos a presidente de vaca, fazemos brincadeiras sórdidas alusivas ao rosto de Cerveró ou culpamos o PT pelo espirro do cachorro do vizinho, trocamos a maturidade da nossa indignação por um bullying coletivo que mais revela nossa pobreza de espírito do que grandeza como nação.

Faço parte da elite e me sinto à vontade para fazer uma autocrítica: sim, os elitistas talvez estejam, consciente ou inconscientemente, vingando-se de uma suposta perda que imaginaram que teriam com a ascensão de um partido popular ao poder. No fundo, torceram para que desse errado e, agora que o castelo de cartas ruiu de fato, há uma comemoração evidente. Uma desforra. Um clima de final de campeonato, como se o gol da vitória tivesse finalmente sido marcado.

No entanto, só vejo perdedores nesse jogo. Uma grande nação de perdedores. Nada de engraçado está acontecendo. A única vitória possível se confirmará caso, num futuro próximo, a impunidade já não for dada como favas contadas e uma nova classe política nascer dos escombros e reinventar o país.

E se a ética vier a ser o nosso forte, em todas as camadas da sociedade.