
FIM DA CAÇADA. Assaltante apontado como líder da mais recente onda de ataques a bancos no RS e em SC foi capturado em Cachoeirinha
JOSÉ LUÍS COSTA
JOSÉ LUÍS COSTA
Um sentimento de alívio tomou conta da Polícia Civil ontem após a captura do assaltante Enivaldo Farias, o Cafuringa, 41 anos, apontado como o bandido gaúcho de atuação mais intensa no país e no Exterior. – É um peso que tiramos das costas. Por alguns dias, vamos estar mais tranquilos com menos assaltos a bancos – desabafou o diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), Guilherme Wondracek.
Considerado o foragido número 1 do Estado, Cafuringa era procurado pelas polícias gaúcha, catarinense, Federal e paraguaia. É suspeito de fomentar a mais recente ofensiva contra bancos no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. O bando dele seria responsável por nove ataques nos últimos dois anos.
Com envolvimento em crimes por duas décadas, ele seria o líder de uma quadrilha que se especializou em sequestrar gerentes, tesoureiros e seus familiares para assaltar bancos. Meticuloso, Cafuringa não teria pressa em observar seus alvos e planejar os ataques. Uma das primeiras investidas com esse método, em maio de 2005, foi abortada em Ribeirão Preto, no interior paulista, quando agentes do Deic o prenderam.
– Por nove dias, ele ficou em uma praça, acompanhando a rotina do banco e monitorando os funcionários de uma agência da Caixa Econômica Federal – lembra Wondracek.
Conforme o delegado, antes dos ataques, Cafuringa costumava montar uma espécie de dossiê das vítimas, com fotos de seus parentes, das casas e até dos colégios onde os filhos dos bancários estudavam. As imagens eram usadas para atemorizar os funcionários sequestrados ou aqueles que eram rendidos dentro das agências.
– Assim, quem tem coragem de ir à delegacia e reconhecer os assaltantes? A maioria fica com medo de prestar depoimento – lamenta o delegado Juliano Ferreira, da Delegacia de Roubos e Extorsões do Deic.
Bando aderiu a explosivos
Nos últimos tempos, o bando de Cafuringa também teria aderido a explosivos no ataques a bancos. Ele estava sendo monitorado pela polícia havia três meses. Agentes sabiam que o criminoso se movimentava entre Canoas, onde nasceu e tem familiares, e o sul catarinense. No dia 15, quando foram explodidos seis caixas eletrônicos de uma agência do Banco do Brasil, em Torres, no Litoral Norte, os policiais pensaram que Cafuringa estava envolvido no caso.
Mas, segundo a polícia, ele estava um pouco além do Rio Mampituba, mantendo um tesoureiro e a mulher dele reféns por 13 horas, em Criciúma (SC), obrigando o bancário a ir até a agência do BB na cidade vizinha de Içara e recolher o dinheiro do cofre.
Depois de ir a São Paulo, passar por Novo Hamburgo, Sapucaia do Sul e Canoas, Cafuringa se refugiou em uma casa de uma mãe de santo em Cachoeirinha. Ao amanhecer de ontem, 14 policiais invadiram o local. Encontraram Cafuringa dormindo, com duas pistolas calibre 9 mm – uma sob o travesseiro. Mas ele não teve tempo de reagir e foi dominado.
COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Apesar de somar 19 anos e dois meses de condenações – até abril de 2019 – por assaltos, receptação e adulteração de veículo, ter fugido quatro vezes, estar envolvido na execução de ex-comparsa e ter participado diretamente da morte de um agente penitenciário, o bandido obteve liberdade condicional, foi preso novamente por porte de arma e em seguida solto. Esta é a justiça brasileira que decide amparada por leis benevolentes e sem qualquer compromisso com a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. Bandido perigoso nas ruas sobra para os policiais e para o cidadão, ambos vítimas da impunidade e do descaso da lei e da justiça.

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