"A impunidade é a maior causadora de crimes, não a violência ou a miséria. Os ferrenhos defensores dos "direitos humanos, os adeptos de tudo que é politicamente correto", precisam compreender isso. Esses são os primeiros a lutarem em defesa dos bandidos, condenando somente os abusos de polícia, e usando argumentos como "são apenas crianças" ou a culpa é da miséria". Não sabem o desserviço que prestam à nação". Rodrigo Constantino.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

EM LIBERDADE, APESAR DE SER SUSPEITO EM MAIS DE 10 ASSASSINATOS



ZERO HORA 22 de maio de 2015 | N° 18170


Preso suspeito de mais de 10 assassinatos na Capital


A 4ª Delegacia de Homicídios prendeu ontem à noite um suspeito de ter cometido mais de 10 assassinatos na Capital desde 2013. Fernando Lopes Antunes, 35 anos, conhecido por Troia, foi detido no Hospital da Brigada Militar, na Zona Sul, quando acompanhava a esposa que estava em trabalho de parto. Ele estava armado no momento da abordagem. As informações são da Rádio Gaúcha.

O delegado Adriano Melgaço afirma que o foragido era um dos mais procurados em Porto Alegre. Inclusive, já havia sido denunciado por três mortes e duas tentativas. Além disso, era investigado em pelo menos outros seis inquéritos de homicídios na cidade.

Ele também é apontado em uma das linhas de investigação do tiroteio dentro do Hospital Vila Nova, em 15 de março, quando um agente penitenciário foi baleado. Antunes fazia escolta do traficante Luis Fernando Barbosa de Lima, o Ninho, da Vila Cruzeiro.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

IMPUNIIDADE COM QUEM MATA



ZERO HORA 14 de maio de 2015 | N° 18162


FÊCRIS VASCONCELLOS



Da última vez em que eu vi o Bruno, ele me acalmava o choro de uma despedida que deveria ter prazo de validade dizendo: “Calma, seis meses passam rápido”. Ainda entre soluços, eu respondi “mas muita coisa acontece em seis meses”. Numa das raras vezes em que eu preferia estar errada, infelizmente, muito aconteceu e nã tornamos a nos ver. Sua vida de garoto de vinte e poucos anos, alegre, fã de Beatles, inteligente e gentil, teve fim pelas mãos de um taxista que furava o sinal vermelho da Avenida João Pessoa em alta velocidade num final de tarde ensolarado de sábado.

Contudo, numa das não raras vezes em que eu preferia estar certa, nada aconteceu em seis meses. E nada aconteceu também nos oito anos que se passaram desde então. Quero pedir desculpas aos pais e à irmã do Bruno por tocar novamente nessa dolorosa ferida – que pulsa em mim toda vez que eu vejo alguém de bicicleta na rua, ouço uma das músicas que a gente gostava ou passo na Rua da República, onde tantas vezes nos encontramos –, mas ao ler uma matéria como a publicada em ZH no dia 12 de maio (13 no jornal impresso), que mostra como um taxista que já matou três pessoas no trânsito segue trabalhando como taxista livremente, sinto a impunidade e a dor esfregadas na minha cara. Sinto meu coração despedaçado. Nada, absolutamente nada resultou da morte do meu querido amigo.

É o que a gente pensa quando perde alguém dessa maneira brutal: “Tomara que isso abra os olhos da sociedade e das autoridades para que ninguém mais morra desse jeito”. Errado. Nada acontece. Gente como o Bruno e o Joel – artista e arquiteto da Capital, atropelado perto do aeroporto, cuja morte mobilizou a cidade – segue morrendo e gente como esse taxista ou o que matou o meu amigo segue impunemente carregando nossos familiares e amigos pela rua, destruindo nossos corações e nossas esperanças de que finalmente algo vai acontecer. Mas nada vai.

As brechas na legislação, que permitem que motoristas imprudentes matem no trânsito e sigam livres de punição mais severa, fazem com que haja uma permissão para matar no Brasil. O carro tem o poder de matar alguém. Dirigi-lo com irresponsabilidade, desrespeitando limites e sob o efeito de drogas que colocam a vida de outras pessoas em risco, deveria ser punido com mais rigor. E quem mata no trânsito por consequência dessa imprudência deveria ser punido como quem sai na rua assumindo o risco de matar alguém.

Mas eu estava muito errada. Nada acontece em seis meses.

Editora de Entretenimento e Vida&Estilo de ZH Digital

BRASIL, PAÍS DA IMPUNIDADE



ZERO HORA 14 de maio de 2015 | N° 18162


VITOR STEPANSKY



No dia 17 de julho de 2007 um avião se espatifa na Avenida 23 de Maio próximo ao aeroporto de Congonhas em São Paulo. O maior acidente aéreo do Brasil matou 199 pessoas.

A revolta e a indignação dos primeiros dias à procura dos responsáveis se amainou. Hoje, oito anos depois, a diretora da Anac, o diretor de Operações da empresa, bem como o diretor de Segurança de Voo, réus no processo, foram absolvidos.

Um acidente aéreo nunca tem uma causa única. De todas as causas, algumas são mais determinantes que outras. Nesse caso, a autorização da Anac por pressão das empresas, de autorizar a operação no aeroporto de Congonhas que estava em reforma, com a pista molhada, sem grooving (ranhuras na pista que facilitam o escoamento d’água e evitam aquaplanagem).

A outra, de responsabilidade da TAM, que autorizou o pouso num aeroporto cuja operação é extremamente crítica, com a pista encharcada e o reverso do motor direito inoperante. Se o voo fosse desviado para Campinas ou Guarulhos, o acidente poderia ter acontecido, mas o máximo que teríamos seria um avião atolado na grama ao lado da pista.

Quando se trata de segurança, as companhias aéreas podem e devem usar restrições maiores do que a legislação permite. Isto acontecia na antiga Varig. O lema, infelizmente, mudou para “nada substitui o lucro”.

O responsável pelo acidente vai acabar sendo um funcionário do sexto escalão da Infraero que, na noite do ocorrido, pressionado por gerentes das empresas, “Congonhas não pode parar”, com uma lanterna e um guarda-chuva numa mão e uma régua na outra mediu a quantidade de água na pista e liberou a operação no aeroporto.

A tragédia da boate Kiss vai seguindo o mesmo caminho do acidente da TAM. Políticos e corresponsáveis vão sendo excluídos do processo pelos mais variados motivos. Daqui a alguns anos, o culpado pelo incêndio da boate poderá vir a ser um soldado do Corpo de Bombeiros.

Marcos Stepansky e mais três companheiros, todos jovens e futuros pilotos faleceram no acidente de Congonhas. É em respeito a eles e a todas as outras vítimas da TAM e da boate Kiss, que não podemos admitir que a Justiça no Brasil determine que acidentes simplesmente acontecem.


Ex-comandante da antiga Varig

sábado, 18 de abril de 2015

HIATIANOS PAGAM POR LOTE INVADIDO


ZERO HORA 18/04/2015 | 04h07

por Cleidi Pereira

Haitianos pagaram até R$ 4 mil por lotes em terreno invadido. Metade das famílias que vivem na Ocupação Progresso, na zona norte de Porto Alegre, são de refugiados do país da América Central



Sinais Saint-Vil constrói casa enquanto Lurdia Jeune vai buscar água Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

Há um ano em Porto Alegre, o haitiano Sinais Saint-Vil, 33 anos, tem feito dupla jornada nas últimas semanas para concretizar o sonho de ter uma casa para chamar de sua. Durante o dia, ele faz medições, constrói pisos e ergue paredes de madeira. À noite, muitas vezes exausto, ainda tem pela frente o trabalho como gari, atividade que lhe rende cerca de R$ 800 mensais.

Quando terminar de construir a casa, Saint-Vil quer juntar dinheiro para trazer os dois filhos e os sete irmãos para o Brasil. O que ele não compreende é que, apesar de ter pago R$ 1,2 mil para um "brasileiro" por um lote na Ocupação Progresso, no bairro Sarandi, todo o seu esforço pode estar sendo em vão. Se os proprietários do terreno invadido em julho do ano passado conseguirem aval da Justiça para uma reintegração de posse, ele e as cerca de 100 famílias que estão no local podem ser despejados, como quase ocorreu no último dia 13.

Questionado pela reportagem se ele sabe que a área foi invadida e que venda não foi feita pelo verdadeiro dono do terreno, Saint-Vil diz:

— Não sei, não sei. Brasileiro negociou terra para nós, para quem não tem casa.

Zero Hora esteve na ocupação no início da semana e constatou que, pelo menos cinco haitianos — ou 10% das 50 famílias de refugiados que se encontram no local —, teriam pago entre R$ 1 mil e R$ 4 mil por casas e terrenos da área invadida em julho do ano passado. O "brasileiro" citado por Saint-Vil seria, segundo os próprios moradores, Jocimar Cardoso de Mello, o Carioca, ex-líder comunitário que comandou a invasão. No fim do ano passado, quando surgiram as primeiras suspeitas em relação à conduta do ex-líder comunitário, ele desapareceu da Progresso. Localizado por ZH, Carioca negou que tenha negociado lotes (leia a entrevista abaixo).





Primeiro dos cerca de 120 haitianos que se mudaram para o local, Jimmy Charitoble, 28 anos, disse que entregou R$ 1 mil para Carioca pela área onde construiu a casa que divide com a esposa e uma prima. Ele morava de aluguel nas redondezas e soube que famílias estavam ocupando a área ao passar na frente do terreno. Foi orientado a conversar com o então líder comunitário, que fez a oferta. Após a permissão de Carioca para ocupar o lote, fez um empréstimo de R$ 7 mil para comprar material de construção.

A notícia da oferta de lotes se espalhou entre os haitianos que moravam ou trabalhavam na região. E o sonho de uma vida melhor, somado às dificuldades de comunicação, transformam os refugiados em presas fáceis. Há dois anos no país, Getoni Ghistinvil, 42 anos, juntou todas as suas economias para comprar, por R$ 4 mil, um casebre na ocupação. Com medo, ele não quis revelar o nome de quem lhe vendeu o imóvel, mas garante que todos as 50 famílias de haitianos pagaram para estar no local. Lurdia Jeune, 29 anos, também disse à reportagem que ela e seu pai, Lucien, investiram R$ 1,5 mil e R$ 2 mil em dois terrenos.

— Tem muita coisa que não entendo, muitas perguntas que gostaria de fazer. Os dois anos que trabalhei aqui, tudo se gastou. Estou com uma hérnia por causa do trabalho pesado. Passei por quatro hospitais e não consegui fazer a cirurgia. Estou há quatro meses esperando um exame. Vim para cá para ter uma vida melhor, mas me decepcionei — lamenta Ghistinvil, que espera contar com a ajuda da família para retornar a Porto Príncipe, capital do Haiti.


Ocupado por cerca de 100 famílias há nove meses, o terreno de quase 20 mil metros quadrados está entre os 14 locais que, no início deste mês, foram decretados como Áreas Especiais de Interesse Social (Aeis). Com a promulgação da lei municipal, aprovada por unanimidade em dezembro do ano passado, essas áreas só poderão ser destinadas para a habitação popular. E foi baseado na nova legislação que o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul suspendeu a reintegração de posse que estava marcada para o último dia 13.

De acordo com Ilisiane Vida, atual líder comunitária da Progresso, como a Progresso foi decretada Aeis, agora existem duas possibilidades: ou os moradores negociam a compra do terreno com o proprietário ou a prefeitura desapropria a área. Ela conta que assumiu a liderança da ocupação na tentativa de ajudar as famílias, principalmente de haitianos, que vinham sendo exploradas.

— Eles têm dificuldade de se comunicar, porque não falam bem o português, e reclamam de brasileiros que se aproveitaram deles por serem estrangeiros refugiados e com dificuldade de moradia. Exploraram o sonho, venderam a expectativa de ter uma casa, um pedaço de chão. Sabendo disso, eu fiquei muito triste e resolvi vir para cá ajudar, para conscientizá-los de que não têm que pagar, que isso é um direito.



Coordenador do Fórum das Ocupações Urbanas da Região Metropolitana, Juliano Fripp afirmou que a entidade não admite que as lideranças "se tornem grileiros". Segundo ele, não foi feita uma denúncia contra o antigo líder porque, quando a informação sobre a venda de lotes chegou no fórum, Carioca já tinha saído da Progresso. Para evitar que situações como essa se repitam, a ideia é intensificar a realização de plenárias nas ocupações para explicar o funcionamento. — 99% das pessoas que estão fazendo a ocupação são, de fato, pessoas que não tem onde morar, ou tinham e não conseguiram mais conviver com o pagamento de aluguel. As áreas, que não cumpriam sua função social, agora estão abrigando centenas de famílias. O direito à moradia é um direito constitucional, e nós estamos fazendo a parte do agente fiscalizador, inclusive ajudando município e o Estado, indicando onde estão os vazios urbanos.



Contraponto

"Eu não sei de nada", diz ex-líder comunitário


Foto: Facebook/Reprodução

Jocimar Cardoso de Mello, o Carioca, nega toda as acusações de que teria vendido lotes ou cobrado taxas de moradores da Ocupação Progresso. Segundo o ex-líder comunitário do local, os relatos viriam de pessoas que teriam sido influenciadas por seus desafetos.

O senhor vendeu lotes de terrenos invadidos ano passado no bairro Sarandi?
Não, não. Por quê?

Famílias da ocupação Progresso — principalmente de haitianos — relataram ter pago entre R$ 1 mil e R$ 4 mil por áreas que teriam sido negociadas com o senhor?
Não, não sei de nada disso. Lá foi uma ocupação, que foi cedida para o povo.

Pelo menos 10 pessoas disseram que ou pagaram pelos terrenos ou por taxas para cadastramento ou instalação de luz e água.
Não. Nós arrecadamos uma quantia de R$ 10 cada pessoa para comprar fiação. Compramos fio, botamos água. Foi isso.

Como os haitianos foram parar lá?
Nós fomos lá, o terreno estava vazio e eles marcaram o lote e entraram, entendeu?

Por que eles dizem ter pago até R$ 4 mil pelos lotes?
Isso aí foi influenciado por alguém que não gosta de mim, porque eu larguei de mão lá, né?

O senhor possui casa própria?

Sim, senhora.

Por que o senhor comandou a ocupação?

Para ajudar. Tenho parentes que não tinham onde morar, tenho filha, que é casada, e não tem onde morar.

O senhor tem ligação com entidades de luta por moradia?
Não, não tenho mais. Me desviei. É muito estresse. Uns querem apoiar, vão nas reuniões, mas outros não. Eles querem casa, mas não querem lutar. Querem morar, mas não querem lutar pela moradia. Se faz uma reunião, uma passeata, uns vão e outros não. Por isso, larguei de mão.



sábado, 21 de março de 2015

JURADOS ABSOLVEM TRAFICANTE

 

ZERO HORA 21 de março de 2015 | N° 18108





CRISTIANE BAZILIO


JULGAMENTO NA CAPITAL

Traficante Jura é absolvido de acusação de homicídios


EMBORA RECONHEÇA AUTORIA do réu no crime, júri decidiu não condenar Juraci Oliveira da Silva. Recurso da promotoria pede anulação da sentença

Depois de um julgamento que durou 17 horas e terminou na madrugada de sexta-feira, o traficante Juraci Oliveira da Silva, o Jura, foi absolvido dos homicídios triplamente qualificados de Henrique Ribeiro da Silva e Wagner Machado Silveira, ocorridos em 2006. Por maioria, os jurados entenderam que o réu ordenou os crimes, mas não o condenaram. A promotoria recorreu pedindo anulação do julgamento.

– Respeito a decisão do júri, mas não faz sentido que, depois de dizerem que ele cometeu os crimes, o absolvam. É com base nessa contradição que vou pedir a anulação. Como os votos são sigilosos e os jurados não têm de justificar a decisão, fica difícil ter uma ideia do que pode ter acontecido para justificar essa absolvição – explicou a promotora do caso, Lúcia Callegari.

Após a apresentação de alegações de acusação e defesa, o juiz faz três perguntas ao júri: se o crime ocorreu, se o réu foi o autor e se deve ser absolvido. A maioria respondeu sim às três questões.

Em 12 de maio de 2006, Jura ordenou, de dentro da cadeia, a morte de Henrique e Wagner. O duplo homicídio ocorreu na Rua Primeiro de Setembro, bairro Partenon, zona leste da Capital. Segundo a polícia, a motivação seria desavença do tráfico na Vila São José.

Jura está detido na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas. Considerado um dos maiores traficantes do Estado, foi preso em 2010, em Pedro Juan Caballero, no Paraguai. Ele também é réu em processo na Justiça Federal, sobre a assassinato do então vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado, Marco Antônio Becker, em dezembro de 2008.




Polícia confirma prisão de traficante mais procurado do RS. Jura foi preso por agentes da Secretaria Nacional Antidrogas no Paraguai

por Humberto Trezzi13/05/2010 | 08h23

Juraci Oliveira da Silva estava escondido no Paraguai Foto: Capitanbado.com, Divulgação / clicRBS É mesmo Juraci Oliveira da Silva, o Jura, - o mais procurado traficante do Rio Grande do Sul - o bandido preso ontem em Pedro Juan Caballero, no Paraguai. A confirmação foi dada a Zero Hora por policiais civis da 20ª Delegacia da Polícia Civil de Porto Alegre, que estiveram este ano no Paraguai, atrás de informações sobre Jura.

A titular daquela delegacia, delegada Vivian Nascimento, pretende embarcar ainda hoje para o Paraguai, em companhia de agentes da Polícia Federal. Ela tem mandados de captura contra o foragido gaúcho e tentará acelerar a extradição de Jura.

O traficante foi preso na localidade paraguaia de Bella Vista-Norte, no Departamento de Amambay, fronteiriço com o Mato Grosso do Sul. A captura foi feita por agentes da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) do Paraguai.

No Paraguai, Jura estava usando o nome de Carlos Sergio Villarba dos Santos, supostamente nascido em Ponta Porã (MS) - seria uma identidade falsa. Isso foi confirmado pelo Senad.

O Senad afirma que os dois integram um cartel de drogas montado na fronteira paraguaio-brasileira pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), a mais forte facção criminosa de São Paulo, hoje espalhada por outros Estados brasileiros.

É antiga, aliás, a suspeita de que Jura é um dos representantes, no Rio Grande do Sul, do PCC. Arnaldo (ou Jura, como dizem os policiais gaúchos) deve ser embarcado em vôo comercial desde Ponta Porã (Mato Grosso do Sul) para Porto Alegre, ainda hoje.

Conforme informações do site paraguaio capitanbado.com, especializado em notícias criminais, Arnaldo responde a processo por porte de documentos falsos e lavagem de dinheiro no Paraguai, mas tinha permissão judicial para permanecer em liberdade.

O processo é presidido pelo juiz penal Rubén Riquelme, que pretende ordenar a extradição do brasileiro. Jura é o chefe do tráfico no Campo da Tuca, vila da Zona Leste de Porto Alegre. Atua também, segundo a PF, como atacadista na importação de drogas desde o Paraguai, onde estaria refugiado desde o início do ano passado.

Jura está condenado por homicídio, foragido e também denunciado por intermediar o assassinato do médico gaúcho Marco Antônio Becker, morto em dezembro de 2008. Conforme o Ministério Público, Jura teria ordenado a membros da sua quadrilha que executassem Becker, vice-presidente do Conselho Regional de Medicina (Cremers).

O crime teria sido cometido a pedido de um médico desafeto da vítima, Bayard Fisher, que foi cassado pelo Cremers. Bayard está preso preventivamente e responde pelo homicídio.


Quem é Jura
1999
Condenado até 2027 por tráfico e homicídio, o traficante natural de Fontoura Xavier também responde atualmente a processos por homicídio, em trâmite na 1ª Vara do Júri.
- Preso por espancar com coronhadas um jovem com quem discutiu
2001
- Indiciado pelo assassinato de um rapaz. Depois, foi indiciado pela morte de um adversário no tráfico, que foi torturado antes de ser executado. A vítima, Cássio Michel Silva da Silva, teve uma orelha e um dedo amputados
2003
- Procurado por dois homicídios, foi preso em flagrante numa caminhonete, vindo de Ponta Porã (MS), na fronteira com o Paraguai. Estava acompanhado de um dos traficantes mais procurados no Brasil, José Paulo Vieira de Melo, o Paulo Seco, gaúcho ligado ao Comando Vermelho
2005
- Indiciado por tráfico de drogas e, no mesmo ano, por esconder em caixas d´água da Pasc explosivos, cordel, toucas ninja e uma corda (jiboia), material que seria usado em uma fuga
2009
- Transferido para o albergue prisional Pio Buck em 31 de março, ficou apenas 24 dias. Fugiu em 23 de abril. A polícia concluiu que, mesmo foragido, intermediou o assassinato do médico Marco Antônio Becker como favor prestado a outro médico do qual é cliente, Bayard dos Santos
2010
- Responde a processos por um duplo homicídio (em maio de 2006) e tentativa de homicídio e pelo caso Becker


sexta-feira, 20 de março de 2015

QUE JUSTIÇA É ESSA?

Do G1 Rio - 20/03/2015 13h00

Acusados por morte de cinegrafista em ato no Rio deixam penitenciária. Informação foi confirmada pelo advogado Wallace Martins. Ministério Público afirmou que vai recorrer da decisão da Justiça.

Matheus Rodrigues



Fábio Raposo e Caio Silva deixaram a prisão nesta
sexta-feira (Foto: Reprodução GloboNews)

Caio Silva de Souza e Fábio Raposo, ambos de 23 anos, acusados de acender e atirar o rojão que matou o cinegrafista Santiago Andrade, em 6 de fevereiro de 2014, durante um protesto no Rio, foram liberados do Complexo Penitenciário de Bangu, na Zona Oeste do Rio, nesta sexta-feira (20). Eles saíram no local nos carros dos advogados e sem falar com a imprensa. A informação foi confirmada ao G1 pelo advogado Wallace Martins por volta das 12h15.

"Os dois saíram e eles vão descansar, afinal de contas passar um ano e um mês preso não é fácil, ainda mais em uma prisão como essa que foi injusta", disse o advogado Wallace Martins.


Acusados da morte de Santiago deixaram presídio
em carro preto (Foto: Matheus Rodrigues/G1)

Ao ser questionado sobre a quebra da regra, onde todos os presos saem do Complexo Penitenciário de Gericinó, Wallace Martins afirmou que quis preservar o cliente. “Justamente há uma concentração muito grande de mídia e nós tentamos evitar a exposição. Nós conseguimos. Eles vieram a pé até um determinado lugar e entraram no carro, advogado pode entrar de carro”, disse o advogado.


Advogados conversam com familiares em Bangu
(Foto: Matheus Rodrigues/G1)

A dupla não foi solta na quinta-feira (19) por causa da falta de tornozeleiras eletrônicas. Segundo a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária, o equipamento não é fornecido há quatro meses, por falta de pagamento.

Caio Silva de Souza e Fábio Raposo não responderão mais por homicídio qualificado, segundo a decisão anunciada por desembargadores em sessão realizada nesta quarta-feira (18). O Ministério Público afirmou que vai recorrer da decisão da Justiça.

Os ativistas respondiam por homicídio triplamente qualificado: por motivo torpe, com uso de explosivo e mediante recurso que tornou impossível a defesa da vítima. Depois da decisão, eles podem ser condenados, no máximo, por explosão seguida de morte. A pena, que variava de 12 a 30 anos, agora vai de dois a oito anos.


Entre as medidas cautelares impostas na decisão, ficou determinado o comparecimento periódico ao juízo; a proibição de acesso ou frequência a reuniões, manifestações, grupos constituídos ou não, bem como locais de aglomeração de pessoas de cunho político ou ideológico; proibição de manter contato com qualquer integrante do denominado "black blocs"; proibição de ausentar-se da comarca da capital; recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga, principalmente nos fins de semana e monitoramento eletrônico.

Repercussão


A filha de Santiago Andrade, manifestou sua indignação, por meio de seu perfil no Facebook, após a decisão da Justiça. Ela contou se sentir humilhada pela sensação de "não poder fazer nada".

"Sou mais uma parcela da sociedade que passa a conviver com assassinos de um homem íntegro e justo em liberdade. É difícil, é doloroso, depois de um ano sem Santiago, a sensação de não poder fazer nada me corrói, me humilha. E lamento. Lamento não ser como os defensores, que perdoam dois assassinos, que transformaram em noites os dias de uma família com um simples voto. Se Caio e Fábio estão livres, lamento mais ainda desapontá-los, mas a minha batalha continua, até a última instância, estou preparada", disse Vanessa.

A viúva de Santiago Andrade, Arlita Andrade, disse que está indignada. “Eu realmente estou muito magoada, eu espero que o mundo todo também se revolte, porque eu estou revoltada. Que Justiça é essa?”, questionou.

quarta-feira, 4 de março de 2015

AUTOCRÍTICA



ZERO HORA 04 de março de 2015 | N° 18091


MARTHA MEDEIROS



Nunca fui fã ardorosa do Brasil. Suas lindas praias, sua música, sua irreverência, nada disso jamais foi suficiente para superar meu desgosto profundo por ter gente morrendo em corredor de hospital, por professores ganharem uma merreca de salário, por não podermos andar com segurança pelas ruas e demais indignidades com que convivemos dia sim, outro também. Desde que passei a ter o mínimo de consciência política, entendi que ética não era o nosso forte. Quando o PT apareceu, simpatizei, mas não cheguei a acreditar em salvadores da pátria porque a minha descrença estava bem sedimentada. Ainda assim, dei meu voto lá no início, era uma possibilidade. Que se cumpriu até certo ponto, mas o partido se revelou vulnerável como qualquer outro e o resto da história está aí. A roubalheira, que sempre existiu, tomou conta da maior empresa estatal do país e o vexame ganhou proporções monumentais.

O quadro geral é de tristeza. Porém, o que tenho visto é uma alegria perversa entre os caçadores de bruxas. Parece que as pessoas estão salivando diante dos escândalos, satisfeitas por poderem satanizar à vontade os dirigentes do país. Não acho que corruptos mereçam absolvição, estamos sob o comando de maus gestores e péssimos exemplos de cidadania, e torço pela punição de todos aqueles que saquearam o Brasil. Estarei nas ruas no dia 15 de março porque acredito que o povo precisa se expressar, mostrar que está vigilante, mas a raiva contida em muitas declarações contra os petistas não me representa.

Uma coisa é se manifestar – inclusive com humor – a fim de pressionar pelo fim da impunidade. Demonstra amadurecimento da população. Mas, no momento em que chamamos a presidente de vaca, fazemos brincadeiras sórdidas alusivas ao rosto de Cerveró ou culpamos o PT pelo espirro do cachorro do vizinho, trocamos a maturidade da nossa indignação por um bullying coletivo que mais revela nossa pobreza de espírito do que grandeza como nação.

Faço parte da elite e me sinto à vontade para fazer uma autocrítica: sim, os elitistas talvez estejam, consciente ou inconscientemente, vingando-se de uma suposta perda que imaginaram que teriam com a ascensão de um partido popular ao poder. No fundo, torceram para que desse errado e, agora que o castelo de cartas ruiu de fato, há uma comemoração evidente. Uma desforra. Um clima de final de campeonato, como se o gol da vitória tivesse finalmente sido marcado.

No entanto, só vejo perdedores nesse jogo. Uma grande nação de perdedores. Nada de engraçado está acontecendo. A única vitória possível se confirmará caso, num futuro próximo, a impunidade já não for dada como favas contadas e uma nova classe política nascer dos escombros e reinventar o país.

E se a ética vier a ser o nosso forte, em todas as camadas da sociedade.