"A impunidade é a maior causadora de crimes, não a violência ou a miséria. Os ferrenhos defensores dos "direitos humanos, os adeptos de tudo que é politicamente correto", precisam compreender isso. Esses são os primeiros a lutarem em defesa dos bandidos, condenando somente os abusos de polícia, e usando argumentos como "são apenas crianças" ou a culpa é da miséria". Não sabem o desserviço que prestam à nação". Rodrigo Constantino.

sábado, 30 de março de 2013

CERTEZA DE IMPUNIDADE


ZERO HORA 30 de março de 2013 | N° 17387

PÁGINA 10 | ROSANE DE OLIVEIRA


A propósito de comentário feito na Página 10 de quinta-feira sobre a certeza de impunidade que estimula a repetição de fraudes em concorrências, o delegado Ronaldo Lemos, da Polícia Federal, escreve para dizer que concorda com a primeira parte, mas contesta o trecho que fala em lentidão da polícia.

O delegado diz que há outros fatores que contribuem para a impunidade. Entre eles, as penas irrisórias previstas na Lei de Licitações (8.666/93).

Faltou citar a lentidão da Justiça.


NOTÍCIA RELACIONADA:


ZERO HORA 28 de março de 2013 | N° 17385


ROSANE DE OLIVEIRA - Capivaras vorazes

Incontáveis vezes a frase as empreiteiras combinavam entre si os preços que seriam propostos nas licitações foi usada em reportagens dos veículos do Grupo RBS. Só na voz do repórter Giovani Grizotti, foram tantas, que nem o próprio seria capaz de dizer com precisão o número.

A frase sí­mbolo da fraude em concorrências voltou a dar o ar da graça ontem, na divulgação da primeira etapa da Operação Capivara, realizada em parceria entre o Ministério Público e a Brigada Militar. Grizotti já gravou confissões de administradores públicos sobre essa modalidade de fraude, mas a divulgação não foi capaz de impedir que continuassem ocorrendo.

Embora o nome da operação seja uma referência a Tramandaí, por onde a investigação começou, a “capivara” está espalhada pela Região Metropolitana e pelo Litoral Norte. O balanço preliminar mostra que foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão em empresas e residências de Porto Alegre, São Leopoldo, Tramandaí, Imbé, Sapiranga, Novo Hamburgo, Guaíba e Esteio, e apreendidos cheques, documentos, agendas e relatórios. Duas pessoas foram presas em flagrante por posse ilegal de armas e munição de calibres restritos. De acordo com as investigações, pelo menos 30 empresas da construção civil fraudaram 15 licitações municipais, envolvendo obras no valor de R$ 40 milhões. O prejuízo seria de pelo menos R$ 8 milhões em obras como construção de praças e casas populares, reforma de hospitais e ginásios.

Segundo o Ministério Público, a partir da publicação do edital, as empreiteiras começavam a articular a fraude. O representante da interessada em ganhar a licitação de forma fraudulenta verificava nas visitas técnicas ou na relação de retirada do edital quais as concorrentes que participariam do certame. E oferecia, então, dinheiro para que os demais participantes frustrassem o caráter competitivo do procedimento.

Em entrevista ao lado do promotor Ricardo Herbstrith, o procurador-geral de Justiça, Eduardo de Lima Veiga, usou a operação para defender a rejeição à proposta de emenda constitucional que retira do MP o comando das investigações criminais. Chamada de PEC da Impunidade, a proposta que tramita no Congresso é defendida pela polícia, que quer exclusividade no comando das investigações.

– O resultado das investigações da Operação Capivara é a afirmação da necessidade de que o MP continue seu trabalho de combate aos crimes de colarinho-branco, caso das fraudes a licitações – disse Veiga.


ALIÁS

Se as fraudes em licitações continuam se repetindo é porque existe entre os protagonistas a certeza da impunidade, reforçada pela fragilidade das investigações e pela lentidão da polícia.

JUSTIÇA LIBERTA TRÊS SUSPEITOS DA MORTE DE UMA JOVEM ATIRADA DE PENHASCO

ZERO HORA 30 de março de 2013 | N° 17387

CASO ANA PAULA. Justiça liberta três suspeitos

Três meses após o crime, assassinato da jovem de Santa Cruz ainda não foi elucidado pela polícia



Os únicos suspeitos de envolvimento na morte de Ana Paula Sulzbacher, 15 anos, estão em liberdade. O prazo de um mês da prisão temporária expirou e, embora a Polícia Civil tenha requisitado a prorrogação do cárcere, a Justiça negou o pedido.

Ana Paula foi encontrada morta no pé de um penhasco no Parque da Cruz, ponto turístico de Santa Cruz do Sul, há mais de três meses. Há 30 dias, o delegado Ribeiro Neto pediu pela prisão de dois suspeitos, alegando controvérsia nos seus depoimentos e com base em outros indícios, mantidos em sigilo, e foi atendido. O nome deles também não foi revelado para não prejudicar as investigações, justificou, na época, o delegado responsável pelo caso.

Na noite de quinta-feira, depois de receber o alvará de soltura da Justiça, conforme o diretor do presídio, Edson Rodrigues, os homens foram soltos. De acordo com o delegado regional da Polícia Civil, Julci Severo, a falta de provas impediu que os suspeitos permanecessem presos:

– Desde o começo do caso, fomos prejudicados com a falta de provas, exigidas pela Justiça para comprovar a autoria do crime. As perícias e os exames que poderiam nos ajudar demoram a vir e alguns resultados ainda não chegaram – esclarece Severo.

O delegado regional não soube precisar quais exames ainda não foram concluídos, mas um deles seria a análise de material genético no carro de um dos suspeitos, que comprovaria a ligação com o caso. No mesmo dia em que ocorreram as prisões, a polícia apreendeu dois veículos e os encaminhou para perícia. Além disso, roupas de Ana Paula também foram enviadas para análise.

– Embora os suspeitos não tenham confessado o crime, temos provas documentais, mas apenas isso não basta – salienta o delegado regional, que acompanha as investigações.

Ele afirma, ainda, que a tragédia de Santa Maria foi prioridade do Instituto-geral de Perícias (IGP) durante muito tempo, mas que, com a conclusão do inquérito, espera que os exames requisitados em Santa Cruz do Sul sejam agilizados.

Uma das hipóteses apontadas pela polícia é de que Ana Paula tenha sido vítima de um crime circunstancial, provocado por pessoas desconhecidas e que, possivelmente, tenham se aproveitado de ela estar sozinha à noite.

VANESSA KANNENBERG



INTEGRANTE DO PCC MORTO EM ASSALTO ESTAVA EM LIBERDADE HAVIA 25 DIAS






ZERO HORA, DIÁRIO CATARINENSE ONLINE, 30/03/2013 | 07h01

Líder da quadrilha surpreendida pela Deic em Major Gercino estava em liberdade havia 25 dias. Polícia diz que Jonathan Fischer seria integrante do PCC.

Diogo Vargas



O assaltante Jonathan Rafael Fischer, 29 anos, saiu há 25 dias da cadeia para tombar morto em frente a uma agência bancária.

Assim como ele, outros dois comparsas tiveram o mesmo destino, num confronto com a polícia, na madrugada de sexta-feira, em Major Gercino, no Vale do Rio Tijucas.

Investigado por supostamente ser integrante da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo, Jonathan seria o líder da quadrilha rastreada pela Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic) e cujo flagrante culminou com o tiroteio seguido das três mortes, na frente do banco, no Centro.

Dois ladrões conseguiram fugir e são procurados na região. Um deles seria conhecido como Ceará.

Os policiais da Deic, comandados pelo delegado da divisão de combate a furtos e roubos da Deic, Anselmo Cruz, investigavam o bando de Jonathan há 30 dias. Na madrugada de sexta, descobriram que o grupo assaltaria o banco e fizeram o cerco assim que os assaltantes entraram na agência, por volta das 3h.

A quadrilha chegou num Vectra da cor prata com placas de Camboriú. Encapuzados e com luvas, os bandidos portavam pistolas e uma espingarda calibre 12. Eles foram surpreendidos quando colocariam as bananas de dinamite nos caixas eletrônicos.

Os dois fugitivos foram os que ficaram na frente do banco fazendo a segurança. A polícia relatou que houve intensa troca de tiros. Nenhum policial ficou ferido.

Quatro pistolas foram apreendidas. No carro, havia três vidros com miguelitos (pregos para furar pneus) que seriam utilizados na fuga e kits de sobrevivência.

O DC apurou que Jonathan deixou a Penitenciária de São Pedro de Alcântara no dia 4 deste mês beneficiado por alvará de soltura.

A Justiça o libertou para que cumprisse em regime aberto a condenação de três anos por receptação e uso de documento falso.

Jonathan havia sido preso em abril do ano passado pela própria Deic em ofensiva contra quadrilhas que assaltavam caixas eletrônicos pelo Estado.

A suspeita agora é que, com a liberdade, tenha rearticulado novo bando e agido também no dia 19 deste mês, em Luis Alves, no Vale.

A quadrilha levou dinheiro de caixas eletrônicos após explodir caixas eletrônicos do Banco do Brasil. Jonathan é de Campo Bom, interior gaúcho. A quadrilha teria base no litoral Norte, em Itajaí e Navegantes.

VANDALISMO: MESMO RIGOR NA MAIOR DEMOCRACIA E NA MAIOR DITADURA DO PLANETA

ZERO HORA 30 de março de 2013 | N° 17387

INFORME ESPECIAL | TULIO MILMAN

Restauração


Quem for cidadão, que não atire a primeira pedra.

A imagem de um vidro estilhaçado no prédio da prefeitura de Porto Alegre é reveladora.

Proponho um exercício simples de imaginação. Traduzo em duas perguntas.

1) O que aconteceria se alguém jogasse um pedra contra o prédio da prefeitura de Pyongyang?

2) O que aconteceria se alguém jogasse uma pedra contra o prédio da prefeitura de Nova York?

A Coreia do Norte é a mais fechada ditadura do mundo. Os EUA são a maior democracia do planeta.

Resposta: aconteceria a mesma coisa. O bandido seria preso. Se não na hora, logo depois. Porque, está provado, a questão não é ideológica.

Tudo começa no exemplo

Até compreendo que, no calor de uma manifestação, os ânimos se acirrem e os comportamentos se alterem pelo efeito da manada. Os búfalos, os gnus e os equinos selvagens também sofrem com essas reações coletivas cheias de energia incontrolável.

É por isso que nós, humanos, precisamos ser domados. Precisamos saber, por reflexo condicionado, que existe uma linha de civilidade e que passar dela gera consequências.

Essa é a hora dos rótulos fáceis e superficiais. De um lado, os “moderninhos que se mobilizam pelas redes sociais”. Do outro, os “reacionários malvados de direita”. A divisão aqui é outra. De um lado, os que estão prontos a compartilhar um espaço coletivo que se chama cidade. Do outro, os que precisam aprender.

Quando alguém joga uma pedra contra um prédio histórico e volta rindo pra casa, todos perdemos. O vidro da janela já deve até ter sido trocado.

Mas o que foi quebrado não se remenda nunca mais.

domingo, 17 de março de 2013

CASSINO FUTEBOL CLUBE


ZERO HORA 17 de março de 2013 | N° 17374

ALTAS APOSTAS. Futebol virou roleta

O aumento de apostas em sites do Exterior especializados em jogos dispara um alerta sobre o risco de manipulação de resultados de campo. Só no ano passado, usuários brasileiros apostaram R$ 4 bilhões em páginas estrangeiras



O futebol brasileiro vive um momento de risco. Por um lado, a arrecadação de sites estrangeiros de apostas esportivas com usuários do Brasil quintuplicou entre 2009 e 2012 ou seja, aumentou o contingente de interessados em acertar (no bom sentido) resultados de jogos de campeonatos e torneios. Por outro, nossa obsoleta legislação coloca os operadores dessas páginas em uma zona cinza jurídica e dificulta a detecção de eventuais esquemas para acertar (no mau sentido) resultados.

A manipulação de partidas de futebol é uma praga que se alastra. O mundo foi surpreendido com a revelação do escândalo do Calcioscommesse, após investigação entre 2011 e 2012, que mostrou o arranjo em jogos da segunda, terceira e quarta divisões da Itália. O mais estarrecedor foi divulgado no mês passado pela Europol, polícia com sede na Holanda que atua na Comunidade Europeia.

A investigação conduzida pela entidade apontou 680 jogos suspeitos entre 2008 e 2011, incluindo confrontos na América do Sul. Essa apuração não flagrou arranjos no Brasil. Um total de 425 pessoas foram apontadas como suspeitas de envolvimento e 50 delas foram detidas.

De acordo com a Europol, os manipuladores embolsaram cerca de US$ 11 milhões (mais de R$ 22 milhões) e distribuíram US$ 3 milhões (cerca de R$ 6 milhões) em subornos.

No Brasil, a legislação dificulta o monitoramento de possíveis deslizes, apesar do crescimento do número das apostas em sites estrangeiros.

O volume já é astronômico. Em 2009, usuários brasileiros gastaram R$ 800 milhões apostando em páginas do Exterior. O valor pulou para R$ 4 bilhões em 2012. Isso se aproxima dos R$ 4,2 bilhões arrecadados no ano passado pela Mega Sena.

A atividade é considerada jogo de azar, proibido desde a década de 1940. Mas há divergências. Alguns especialistas consideram legal a aposta em sites estrangeiros e comparam com o jogo em cassino de Las Vegas. Outros defendem que, se o jogo aqui surte efeito, fica sujeito às leis locais. Neste caso, é ilegal.

Por conta da antiga lei, os sites não são registrados no Brasil, o que dificulta a detecção de padrões “estranhos”, como a aposta de uma bolada de dinheiro bancando a vitória de uma equipe não favorita.

– O Brasil já conhece isso de perto, como vimos em 2005 com o caso Edilson. O que mais preocupa é que não se toma nenhuma atitude. O crescimento (das apostas) é normal, já que acompanha o ritmo de todo o mundo – lembra Pedro Trengrouse, membro do Conselho de Estudos Jurídicos do Ministério do Esporte e Coordenador de Projetos da Fundação Getúlio Vargas.

Em meio ao aumento das apostas, o Brasil está despreparado para reagir ao sinal de alerta que vem da Europa. O risco é cada vez maior.

ANDRÉ BAIBICH


Quadrilhas, mistério e traição

A história de Tan Seet Eng, acusado de comandar uma quadrilha que manipula resultados de futebol pelo mundo, é um livro fechado. Há muita especulação e poucas certezas sobre a vida de Dan Tan, como é conhecido pelas autoridades policiais.

Ele seria o principal responsável pelo escândalo revelado pela Europol no mês passado. Não se sabe ao certo sua nacionalidade ou idade, mas a maioria das descrições o aponta como um chinês com cerca de 40 anos.

Em 2011, o jornal The New Paper, de Cingapura, conseguiu uma rara entrevista com o suspeito.

– Não sei por que sou descrito como um manipulador de resultados. Sou inocente – garantiu.

Seu nome surgiu pela primeira vez quando Wilson Raj Perumal foi preso na Finlândia, há quase dois anos. Na época, citou Dan Tan como um comparsa que liderava a quadrilha e o traiu.

A história da prisão de Perumal é um capítulo à parte. Em fevereiro de 2011, um homem de Cingapura entrou em uma delegacia de polícia de Rovaniemi, na Finlândia, e informou que seu compatriota (Perumal) estava na cidade com um passaporte falso. A polícia passou a seguir Perumal, até que o flagrou pagando propinas a três jogadores da equipe local.

Desde que Dan Tan foi apontado como chefe da quadrilha, a Justiça italiana emitiu mandado para sua prisão, mas como o suspeito não deixa o país onde vive, segue livre. O governo de Cingapura recebeu críticas por não cooperar com as autoridades policiais estrangeiras na luta contra os manipuladores.

Se Tan era realmente criminoso, parece ter mudado de lado nas últimas semanas. A rede inglesa BBC noticiou, no mês passado, que ele está ajudando a polícia de Cingapura nas investigações de manipulação de resultados. A informação surgiu dias após a prisão, pela Interpol, de um de seus supostos comparsas, o esloveno Admir Suljic, na Itália.

Os escândalos brasileiros

Em 1982, a Revista Placar revelou um escândalo de manipulação de resultados relacionados à Loteria Esportiva. No total, 125 pessoas entre jogadores, árbitros, dirigentes, técnicos e personalidades ligadas ao futebol foram denunciadas. Ninguém foi preso.

O torcedor colorado guarda amargas lembranças de 2005, quando uma investigação da Polícia Federal revelou arranjo de placares nas séries A e B do Campeonato Brasileiro. Os 11 jogos apitados pelo árbitro Edilson Pereira de Carvalho, que recebeu dinheiro de apostadores para direcionar o desfecho das partidas, foram cancelados. O Inter, que teria terminado com a mesma pontuação do campeão Corinthians se os resultados fossem mantidos, teve que se contentar com a segunda colocação.


ENTREVISTA - “Eu aceitei dinheiro”

Joelson José Inácio - Jogador brasileiro envolvido em escândalo de jogo na segunda divisão italiana



O brasileiro Joelson José Inácio, 28 anos, é um dos envolvidos no escândalo do Calcioscommesse, que estourou na Itália entre 2011 e 2012 e distribuiu sanções a um total de 117 pessoas. O atacante, que fez toda sua carreira na Europa, atuava pelo pequeno Grosseto, da segunda divisão, entre 2009 e 2010. Foi quando aceitou arranjar resultados, o que acarretou em sua suspensão do futebol por dois anos e meio. Em conversa com Zero Hora, revela como foi cooptado pelo esquema de manipulação.

Zero Hora – Como você foi convidado a manipular resultados?

Joelson – Um diretor do clube em que eu jogava me chamou um dia. A gente ia jogar contra o Ancona e precisava ganhar a partida para ir para o playoff que classificava à Série A. Ele perguntou se eu conhecia o goleiro do Ancona, que era o Da Costa, outro brasileiro. Pediu para eu conversar com ele, para ver se ele aceitaria o dinheiro do clube. No outro dia eu fui, mas o Angelo (Da Costa) recusou os 30 mil euros, que era a quantia. Mas outros jogadores do meu time tinham relacionamento com apostadores. Depois, nós fomos jogar contra o Reggina e um deles (Filippo Carobbio) veio me procurar para fazer a combinação desse jogo. Me ofereceu 22 mil euros. Nesse caso, eu aceitei dinheiro. O meu passe era do Reggina (Joelson estava emprestado ao Grosseto) e eu ia voltar para lá em dois meses. Eles precisavam ganhar, se não seriam rebaixados para a terceira (divisão), seria até bom para mim que eles ganhassem, e nós já não tínhamos mais o que fazer no campeonato. Quando ele (Carobbio) pediu para a gente, eu e mais quatro jogadores, não sabíamos que ele estava envolvido em um esquema tão grande.

ZH – Como foi o jogo contra o Reggina?

Joelson – Eu fiquei na reserva. Pela combinação, o Reggina tinha que ganhar por 2 a 0 e estava assim quando entrei. Acabei fazendo um gol, e os caras nem olharam para mim. O meu gol desfez o resultado combinado. Depois, teve um pênalti para a gente. Eu era o batedor, mas não quis bater. Tinha medo de acertar e afundar o Reggina. Quando a combinação não deu certo, nós devolvemos o dinheiro.

ZH – O que você planeja para o futuro?

Joelson – É cumprir metade da pena, porque depois disso, ela pode ser diminuída. Eu errei e estou pagando. Só está pagando quem falou o que aconteceu. Quem ficou quieto, aproveitou que a poeira já baixou.

ZH – Você se arrepende do que fez?

Joelson – Eu não precisava. O dinheiro que foi oferecido para mim, eu ganhava mais do que aquilo por mês. Eu fiz essa coisa me envolver muito fácil. Mas isso não é desculpa. Eu errei porque eu errei.


“É fácil ficar viciado”


Divertidos, cheios de alternativas e feitos para viciar. Estas são as imagens que um assíduo apostador usa para descrever os sites de apostas esportivas. Sem querer se identificar, o apostador diz que não tem expectativas de ficar rico ao colocar dinheiro nos jogos e o faz apenas para “dar mais graça” às partidas que acompanha.

Consciente, afirma que estipulou um limite de R$ 100 por ano para investir e “se divertir”, sem correr risco de perder muito dinheiro. Lembra que a maioria dos sites dobra o crédito do cliente que aposta pela primeira vez, numa estratégia que serviria para “fisgar” o jogador rapidamente.

– É preciso ter muito autocontrole. É fácil ficar viciado – garante.

O sistema dos sites permite a simples aposta em qual time vencerá a partida, mas há outras infinitas possibilidades, como, por exemplo, tentar prever se a soma dos gols marcados pelos dois times será par ou ímpar.

– Já fiz várias experiências. Uma vez, calculando que uma rodada de 10 jogos do Campeonato Inglês teria mais ou menos três empates, apostei em empate em todos os jogos. Às vezes isso funciona, outras não – ressalta o jogador.

É possível, também, apostar em combinações de resultados. Assim, o jogador consegue colocar um pequeno valor em várias partidas. Quando acerta todos os resultados, o lucro é bem maior, já que a premiação corresponde a todos os jogos que fazem parte da combinação.

O apostador, entrevistado por Zero Hora, revela que paga os sites com um cartão de crédito internacional. Diz que já sacou dinheiro de premiações, mas lembra que há sempre um valor mínimo – que varia dependendo do operador – para solicitar a retirada. Neste caso, o pagamento é feito com transferência para a conta bancária do cliente.

Colorado, diz que chegou até a apostar contra seu time de coração.

– Assim é bom. Quando eu faço isso, não tem resultado ruim para mim – afirma o jogador.



Caixa Federal pode entrar nas apostas


O tema das apostas esportivas entrou na pauta dos ministérios do Esporte e da Fazenda. As discussões, porém, são embrionárias. Há planos de regulamentar a prática, o que facilitaria o monitoramento, mas tudo ainda depende de estudos de operação de um sistema que seria gerido pela Caixa Econômica Federal.

O problema é que a entidade está acostumada a lidar com operações como a Loteria Esportiva, em que o jogador banca apenas quem será o vencedor da partida. As apostas na internet são mais complexas e possibilitam, por exemplo, tentar prever quem marca o primeiro gol de um jogo ou a equipe que terá mais escanteios a seu favor.

Se o estudo concluir que há possibilidade de criar o sistema, o governo acredita na confiabilidade de um órgão oficial para atrair os apostadores que hoje recorrem aos sites estrangeiros. Existe também a percepção de que será necessário oferecer premiações competitivas. Quanto ao perfil de quem aposta, já se sabe que difere dos que tentam enriquecer com as loterias. O jogador costuma investir pequenas quantias e o faz como forma de divertimento.

Em outubro do ano passado, uma reunião do Conselho de Estudos Jurídicos do Ministério do Esporte discutiu a questão. A ideia de legalizar e, ao mesmo tempo, criar uma agência reguladora, capaz de monitorar a atividade e captar possíveis tentativas de manipulação de resultados, foi introduzida.

– É necessário instituições fortes nessas demandas, já que o futebol é de uma importância que vai além do esporte – afirmou, à época, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo.

Não há prazo para avançar no tema, mas o Brasil analisará modelos de outros países antes de decidir os próximos passos. Um dos exemplos é o da França, que criou, em 2010, uma agência reguladora de apostas na internet.



COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - É SURREAL NOSSO PAÍS. Todos sabemos que a impunidade da corrupção é generalizada, inclusive no Futebol. Na minha opinião não é o jogo que corrompe, mas o monopólio de Estado e a impunidade dos envolvidos. Se a CEF está pensando em entrar nas apostas é porque o Estado quer o controle também deste nicho milionário. Se o Brasil é realmente um país democrático, está na hora de acabar com o monopólio de Estado e legalizar o jogo, tirando recursos para a segurança pública que não tem orçamento definido, e punir o máximo rigor os envolvidos em fraudes, corrupção e sonegação.