"A impunidade é a maior causadora de crimes, não a violência ou a miséria. Os ferrenhos defensores dos "direitos humanos, os adeptos de tudo que é politicamente correto", precisam compreender isso. Esses são os primeiros a lutarem em defesa dos bandidos, condenando somente os abusos de polícia, e usando argumentos como "são apenas crianças" ou a culpa é da miséria". Não sabem o desserviço que prestam à nação". Rodrigo Constantino.
domingo, 15 de julho de 2012
RADIOGRAFIA DA IMPUNIDADE
ZERO HORA 15/07/2012
PÁGINA 10 | ROSANE DE OLIVEIRA
A reportagem Marcas na parede da história, que você vai ler nas páginas seguintes, deixa martelando no cérebro a sensação de que, quando o assunto é corrupção, o crime compensa. Além de raras, as punições demoram tanto a chegar que muitos dos acusados desfrutam o dinheiro amealhado indevidamente como se fosse fruto do seu trabalho, transferem fortunas para terceiros ou para contas secretas no Exterior, até fazer a polícia ou a Justiça perder o rastro do dinheiro, se elegem para cargos públicos ou morrem antes de cumprir a pena.
Como têm dinheiro para pagar bons advogados, os acusados de corrupção conseguem acesso a todos os recursos permitidos no sistema penal brasileiro e, não raro, safam-se pela prescrição. Os advogados cumprem o seu papel ao fazer de tudo para absolver o cliente. O problema está na lei. Os juízes julgam de acordo com ela e enfrentam dificuldades para acelerar os processos, seja por falta de estrutura, seja pelo cipoal de recursos.
No Rio Grande do Sul, o escândalo do Detran é um dos casos mais emblemáticos dessa demora para punir – ou absolver os réus que a Justiça considerar inocentes. Ouvir os acusados e todas as testemunhas foi uma maratona repleta de obstáculos como a indicação de testemunhas de fora do Estado, que a Justiça teve dificuldades em localizar. Somente agora, perto de o escândalo completar cinco anos, a juíza responsável, Simone Barbisan Fortes, está perto de assinar a sentença.
O cidadão que acompanha as operações da Polícia Federal, as denúncias do Ministério Público e o trabalho das forças-tarefas que reúnem várias instituições tem dificuldade para saber se as acusações eram frágeis ou se é o sistema mesmo que torna fácil a vida dos corruptos. As prisões, os indiciamentos, as apreensões de documentos e as entrevistas que detalham o funcionamento da “organização criminosa” acabam caindo no esquecimento enquanto corre o processo, já com todos livres da prisão preventiva.
Se retroceder no tempo, voltarão à memória outros escândalos do século passado, quando não existiam as redes sociais para disseminar as notícias. Quem já sabia ler e escrever nos anos 1970 e 1980 haverá de lembrar do adubo-papel, do caso Capemi, do escândalo da mandioca. Nos anos 1990, os brasileiros derrubaram Fernando Collor da Presidência da República, mas ele foi absolvido pela Justiça e hoje é senador da República pelo voto dos alagoanos.
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