"A impunidade é a maior causadora de crimes, não a violência ou a miséria. Os ferrenhos defensores dos "direitos humanos, os adeptos de tudo que é politicamente correto", precisam compreender isso. Esses são os primeiros a lutarem em defesa dos bandidos, condenando somente os abusos de polícia, e usando argumentos como "são apenas crianças" ou a culpa é da miséria". Não sabem o desserviço que prestam à nação". Rodrigo Constantino.

sábado, 26 de janeiro de 2013

SURREAL: POLÍCIA PRENDENDO PRESOS


ZERO HORA 26 de janeiro de 2013 | N° 17324

Operação para prender presos

Cerca de 700 policiais civis e militares desbarataram quadrilha que atuava dentro de uma cadeia na Região Metropolitana

TAÍS SEIBT. Colaborou Bruno Felin
Vinte e cinco de janeiro de 2013 vai entrar para a história gaúcha como o dia em que o Estado mobilizou 700 agentes para prender presos. A ação que mobilizou as polícias Civil e Militar, a Superintendência de Serviços Penitenciários (Susepe) e o Instituto-geral de Perícia (IGP) resultou em 33 prisões e revelou um dado alarmante: dois em cada três presos no Instituto Penal de Viamão (IPV) portavam celulares nos alojamentos.

Os cachorros da vizinhança foram os únicos a quebrar o sigilo da operação deflagrada na madrugada de ontem para prender detentos do IPV que seguiam praticando crimes na Região Metropolitana. Em uma cadeia que abriga cerca de 450 apenados, foram apreendidos 303 telefones. Os policiais também encontraram armas, drogas e até mulheres na prisão (veja quadro). Além dos 19 suspeitos presos que já estavam no IPV e serão encaminhados para o regime fechado, foram efetuadas duas prisões em Arroio dos Ratos e outras duas em Charqueadas. Dez foragidos também foram capturados.

A investigação da Polícia Civil começou há sete meses, após dois detentos serem flagrados transportando armas para dentro do albergue. Uma série de interceptações telefônicas confirmou que os presos tinham saída livre do prédio. A polícia montou um álbum com todos os apenados para que vítimas de roubo pudessem reconhecer os suspeitos. Como resultado, a Justiça expediu mandados de busca e apreensão e de prisão. Parte dos mandados foi cumprida na Capital e em Novo Hamburgo, Gravataí, Guaíba, São Leopoldo, Cachoeirinha e Canoas.

– Estamos habituados a prender pessoas na rua, hoje vamos prender dentro da cadeia – disse o chefe de Polícia, Ranolfo Vieira Junior, aos 350 policiais que se concentraram na Academia de Polícia, em Porto Alegre, por volta das 4h30min.

O Grupo de Ações Táticas Especiais já estava em Viamão para isolar o perímetro ao redor do IPV e cerca de 250 policiais se deslocavam em cinco ônibus até o local. As celas foram esvaziadas, os presos foram colocados em um dos anexos e cerca de 20 peritos do IGP, além de policiais civis, começaram a varredura nas galerias. Nenhum objeto foi tocado até a chegada da perícia, para não prejudicar as provas.



Fim da farra

JOSÉ LUÍS COSTA

É mais do que bem-vinda a operação da Polícia Civil para acabar com a farra da quadrilhas que tomaram conta do Instituto Penal de Viamão (IPV).

Ninguém, em sã consciência, acredita que o IPV pode ressocializar alguém. Por mais boa vontade que um apenado tenha em voltar ao convívio social, a partir do IPV, isso é quase impossível.

O maior albergue do Estado tem tudo para ser a maior boca de fumo de Viamão. Oferece crack para qualquer um dos 450 presos e ainda tem freguesia externa, vinda das vilas do entorno. Poderia, também, ser chamado de motel porque recebe garotas de programa ou locadora de armas, porque revólveres e pistolas, dizem que também fuzil, passam de mão em mão entre os detentos.

Eles saem a qualquer hora do dia ou da noite para roubar, sequestrar ou matar. Pulam janelas sem grades e atravessam cercas furadas, voltando com a maior tranquilidade. Isso tudo diante de meia dúzia de agentes, que nada podem fazer, fechados na administração com placas de aço nas janelas para se protegerem de tiroteios.

O mais chocante crime desta semana tem o dedo de um foragido do IPV que apertou o gatilho para matar o policial civil Michel Vieira e a mãe dele, em um assalto frustrado na zona leste da Capital. A Justiça já tinha interditado o IPV. A Brigada Militar já vinha monitorando e capturando fujões, e, agora, a Polícia Civil. Todos tentando prender quem deveria estar preso.


Descaso no semiaberto

Saiba o que os policiais encontraram durante o pente-fino no Instituto Penal de Viamão (IPV), na manhã de ontem:

- 16 armas apreendidas – Uma das pistolas recolhidas ontem no IPV pode ter sido usada em um homicídio registrado recentemente em Porto Alegre. A polícia, com ajuda das provas periciais, irá investigar o caso.

- Cinco quilos de drogas – Detentos teriam montado uma boca de fumo dentro do presídio para vender drogas a moradores, que tinham entrada facilitada no local pela fragilidade da vigilância no abrigo.

- Seis mulheres – Quando o batalhão entrou na cadeia, seis mulheres estavam irregularmente no local. É possível que elas tenham dormido na prisão. No ano passado, já tinham sido registradas visitas femininas ao presídio fora do horário permitido, inclusive de adolescentes.

- Quatro carros clonados – Envolvimento de detentos em roubo de carros era um dos crimes investigados pela polícia. Quatro veículos clonados estavam estacionados no pátio do IPV na madrugada de ontem.

- 303 celulares, 89 carregadores e 91 chips – O número de aparelhos recolhidos expõe a facilidade com que entravam na cadeia. Interceptações telefônicas foram peças fundamentais para que a investigação confirmasse o envolvimento de presos em diversos delitos cometidos nas ruas.


AS PROMESSAS 

MAIS AGENTES - O secretário estadual de Segurança Pública, Airton Michels, comprometeu-se a dobrar o número de agentes penitenciários que atuam no IPV. Atualmente, são apenas 12. Michels sinalizou, também, para a realização de um concurso público para contratação de 1,4 mil novos agentes penitenciários ainda este ano.

REFORÇO NA SEGURANÇA - Outra medida imediata anunciada pelo secretário é o reforço no policiamento no entorno do albergue, com apoio da Brigada Militar.

TORNOZELEIRAS - A partir de março, 400 tornozeleiras eletrônicas serão usadas para monitorar presos do semiaberto, segundo o superintendente da Susepe, Gelson dos Santos Treiesleben. Inicialmente, a previsão era de que a medida fosse implantada em fevereiro. A expectativa é de que, até o fim do ano, a Susepe tenha 800 tornozeleiras à disposição.

NOVOS ALBERGUES - Treiesleben anunciou ontem que, também em março, dois imóveis devem ser alugados para abrigar novos albergues na Região Metropolitana, totalizando 300 novas vagas, que serão ocupadas por apenados transferidos do IPV. A promessa de novos albergues em locais alugados também não é nova. A locação, que havia sido anunciada para novembro do ano passado, foi adiada para o mês de janeiro.

ATÉ ONDE VAI A IMPUNIDADE NO FUTEBOL?


ZERO HORA 26 de janeiro de 2013 | N° 17324

Briga entre organizadas no Olímpico resulta em 32 torcedores barrados de estádios em dias de jogos do Grêmio por seis meses. Confrontos anteriores terminaram com a mesma punição, que nunca foi cumprida 


Por conta dos confrontos no pátio do Olímpico antes do jogo contra o Canoas na quinta-feira, a Justiça determinou que 32 torcedores ficarão proibidos de frequentar os estádios da Capital pelos próximos seis meses. Em dias de jogos do Grêmio, os punidos (que não tiveram seus nomes divulgados) terão que se apresentar, ou na 2ª Delegacia de Polícia ou no 1º Batalhão de Polícia Militar, duas horas antes das partidas e serão liberados duas horas após o término do evento.

– O não cumprimento dessa medida deve ser avisado imediatamente. Pode resultar em reabertura de processo ou até pedidos de prisão preventiva – garante o juiz Marco Aurélio Martins Xavier, responsável pelo Juizado Especial Criminal (Jecrim).

Ocorreram dois incidentes no Olímpico. O primeiro acabou com a detenção de seis torcedores que brigaram perto do pórtico de entrada. Uma brigadiana foi derrubada da montaria do cavalo e precisou de atendimento médico. Depois, a confusão se espalhou.

Entre os envolvidos nas brigas está Cristiano Roballo Brum, o Zóio, número 2 na hierarquia da Geral do Grêmio e um dos responsáveis pela confusão na inauguração da Arena. Com antecedentes, ele poderá enfrentar punições mais severas.

– Esse fato novo vai gerar outra ocorrência – avisa Xavier.

Na série de reportagens Drible na Justiça, publicada por Zero Hora em julho de 2012 (leia mais na página ao lado), dois torcedores foram flagrados descumprindo a proibição de entrar nos estádios da Capital. Por conta disso, tiveram a punição estendida por mais nove meses. Entretanto, segundo o juiz Amadeo Buttelli, do 2º Juizado Criminal de Porto Alegre, os torcedores continuam sem se apresentar.

– Não tenho como colocar um oficial de Justiça atrás de cada um deles. Se não se apresentaram, vou ficar sabendo só no dia seguinte. Não dá para levar até a delegacia à força. Quem não cumprir, terá o seu processo levado adiante. Mas esses delitos não acarretam prisão – afirma Buttelli.

Brigada Militar aumentará efetivo na Arena na quarta

Responsável pelo Comando do Policiamento da Capital (CPC), o coronel Alfeu Freitas demonstra preocupação com as ameaças entre torcidas para os próximos jogos do clube em Porto Alegre. Nas redes sociais, haveria combinação de tumulto para amanhã no Centro. O tricolor enfrenta o Santa Cruz pelo Gauchão. O efetivo no Olímpico deve ser de 140 policiais.

Para o jogo de quarta, contra a LDU, na Arena, o alerta é ainda maior para o CPC. A meta é reunir 250 policiais, número que garanta a segurança no estádio e, ao mesmo tempo, não deixe o restante da cidade desprotegida.

– Vamos prever um efetivo reforçado em função da briga, mas sem descuidar o policiamento ostensivo na cidade – observa Freitas.

A proibição da entrada de instrumentos, faixas e bandeiras que possam ser utilizados como “armas”, segundo o comandante do CPC, está mantida por tempo indeterminado.



AUTORIDADES EM TESTE

ZERO HORA 26 de janeiro de 2013 | N° 17324


PAULO GERMANO | REPÓRTER, 
AUTOR DA SÉRIE DRIBLE NA JUSTIÇA


Em julho do ano passado, quando Zero Hora publicou a série de reportagens Drible na Justiça, sete torcedores envolvidos em pancadarias estavam proibidos de entrar nos estádios. Nenhum deles cumpria a medida. Nenhum deles se apresentava à polícia no horário dos jogos, conforme a Justiça havia determinado. Agora, após a briga de quinta-feira nas imediações do Olímpico, o número de infratores proibidos de frequentar as partidas é quase cinco vezes maior são 32 banidos.

Por um lado, é louvável que o cerco contra torcedores violentos tenha aumentado. Por outro, uma pergunta acaba se impondo: se no ano passado as autoridades fracassaram na fiscalização de sete pessoas, conseguirão agora fiscalizar 32? Em entrevista a ZH naquela época, um dos gremistas infratores, Thiago Araújo da Rosa, explicou por que nunca compareceu à delegacia no horário dos jogos:

– Não me cobraram nada até agora, ninguém me ligou.

Por trás do desdém de Thiago, havia de fato uma apatia do poder público. Quando um torcedor era proibido de entrar no estádio por seis meses, por exemplo, somente ao final desse prazo o delegado responsável por recebê-lo enviaria um relatório comunicando a Justiça sobre eventuais ausências na delegacia. Ou seja: durante todo o período de vigência da medida, os infratores estavam imunes a qualquer fiscalização. Tanto é que ZH flagrou dois deles, um gremista e um colorado, assistindo a jogos dentro do Olímpico e do Beira-Rio.

Na época, os delegados argumentaram que, nos ofícios que recebiam do Judiciário, o texto dizia: “Solicito-lhe que monitore o cumprimento, enviando relatório ao final do prazo.” Os juízes se defenderam dizendo que tudo era “uma questão de interpretação”: enfatizaram que a polícia deveria avisá-los imediatamente caso algum infrator se ausentasse da delegacia, para que o brigão fosse intimado a se explicar.

Depois desse jogo de empurra, o juiz Amadeo Ramella Butelli anunciou uma mudança. Passou a exigir que os torcedores levassem ao juizado, uma vez por mês, um atestado de presenças fornecido pela delegacia. Resta saber se isso será suficiente para monitorar 32 pessoas que maculam o futebol. Porque os órgãos de repressão do Estado continuam atuando sem integração nenhuma.



GRÊMIO. “O clube não é meio de vida para ninguém”

Nestor Hein - Integrante do Conselho de Administração do Grêmio



Designado por Fábio Koff para tratar com as torcidas, Nestor Hein tem um discurso forte contra o financiamento das organizadas. O dirigente acredita que o corte de verba foi o que gerou a confusão no pátio do Olímpico momentos antes da partida contra o Canoas.

Zero Hora – Que medidas o Grêmio vai adotar para coibir brigas no jogo contra a LDU?

Nestor Hein – Faremos um controle rigoroso para não permitir a entrada dos torcedores punidos no estádio. Estamos cadastrando as torcidas, fotografando. Tudo o que é possível fazer, estamos fazendo.

ZH – O Grêmio cortou os incentivos financeiros para as organizadas?

Hein – Agora é zero verba. Se uma torcida cadastrada, em ordem com o Estatuto do Torcedor, criar um modelo para se autofinanciar, o Grêmio não fará restrição. Mas dinheiro do cofre do Grêmio para torcida não terá mais.

ZH – O que levou o clube a tomar essa decisão?

Hein – Quando assumimos, adotamos a medida de não distribuir ingresso grátis para terminar com essa história de lideranças de organizadas viverem às custas do Grêmio. São essas pessoas que estragam todo o espetáculo. O clube não é meio de vida para ninguém, a não ser seus funcionários e jogadores.

ZH – O corte de verba teria originado essas brigas?

Hein – Em um jogo de 4 mil pessoas contra o Canoas no meio de semana não existe conflito emocional para dar briga. Isso acontece porque não há mais a irrigação de dinheiro para o bolso dessas pessoas que têm interesse em viver às custas do Grêmio.



quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

VANDALISMO E DESRESPEITO À MEMÓRIA




ZERO HORA 24 de janeiro de 2013 | N° 17322

Centenário e abandonado. Prestes a completar cem anos, monumento a Júlio de Castilhos permanece alvo de vandalismo na Capital


– Esta estátua do homem sentado representa Júlio de Castilhos como um sábio, um pensador. E as pichações representam o relaxamento do povo aqui de Porto Alegre – relata uma guia de turismo para um grupo de visitantes paraibanos em passeio pela Praça da Matriz, na Capital.

Completando, nesta sexta-feira, um século desde que foi inaugurado, o monumento em homenagem a Júlio de Castilhos, o patriarca da República Rio-grandense, é também um símbolo do descaso com que população e poder público tratam o patrimônio histórico da cidade. De acordo com a Superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Rio Grande do Sul, as esculturas de autoria de Décio Villares não recebem sequer uma limpeza há, no mínimo, quatro anos.

Professora do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Celia Ferraz de Souza entende que o município não sabe cuidar de suas obras públicas:

– Há um esforço, mas a política de preservação não trata o todo. Deveria haver um calendário, com limpeza, pelo menos uma vez por ano. Se a população é mal-educada, o poder público tem de vigiar, como se faz com uma criança que quer riscar as paredes de casa.

Para o historiador e curador do Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli (Margs), José Francisco Alves, não existe justificativa para tamanha depredação de um marco tão significativo na História de Porto Alegre:

– Não há uma cidade no mundo em que um monumento tão importante do ponto de vista político e histórico, localizado entre instituições tão relevantes, esteja tão depredado.

Restauração dependerá de novo programa federal

Previstas para serem restauradas com a Praça da Matriz por meio do Projeto Monumenta, do governo federal, as esculturas e a própria praça ficaram de fora da lista de sítios contemplados com as verbas do programa mesmo depois de dois processos licitatórios. Agora, as esculturas precisam esperar pelo PAC das Cidades Históricas – que vai beneficiar municípios declarados patrimônio da humanidade e cidades-sede da Copa 2014.

– O PAC deve abrir em junho. A restauração do monumento e da praça serão prioridades. Temos um orçamento provisório de R$ 2,5 milhões para a praça. Para o monumento, seriam R$ 370 mil – afirma Luiz Merino, arquiteto do Projeto Monumenta na Secretaria Municipal da Cultura.

Símbolos do positivismo

A homenagem a Júlio de Castilhos traz referências ao positivismo – doutrina criada no século 19 pelo francês Auguste Comte, que reúne princípios filosóficos e científicos –, de culto ao passado e à História. De acordo com a professora de História da PUCRS Margaret Bakos, o próprio objetivo da construção do monumento simboliza o pensamento positivista.

– A Praça da Matriz reúne as sedes dos três poderes, além da Igreja e do Theatro São Pedro, locais de reunião da população. Ali foram plantadas árvores de todo o Brasil. Estes aspectos representam a valorização da natureza, a racionalidade das escolhas arquitetônicas e a importância da história que, em essência, são símbolos vitais da visão de mundo positivista – explica a autora do livro Júlio de Castilhos: Positivismo, Abolição e República.



Outras obras. Veja a situação de outros monumentos da Capital:

MONUMENTO AOS AÇORIANOS
- Onde fica: Largo dos Açorianos
- Como está: construído em 1973, em homenagem aos primeiros casais açorianos que chegaram à cidade em 1752, tem pichações de uma ponta à outra. Em duas das três colunas centrais, há enormes buracos que surgem do chão. Dentro, há lixo.

ESTÁTUA DE BENTO GONÇALVES
- Onde fica: Avenida João Pessoa
- Como está: produzida em 1935, em homenagem ao comandante da Revolução Farroupilha, Bento Gonçalves, apresenta pichações na base que sustenta a estátua, que está coberta de fuligem.

MONUMENTO AO GENERAL OSÓRIO
- Onde fica: Praça da Alfândega
- Como está: com as obras de restauração da praça concluídas no fim de 2012, o monumento inaugurado em 1933 em homenagem ao patrono da Cavalaria do Exército Brasileiro foi restaurado. Atualmente, a parte de trás tem resquícios de uma pichação, e a base está danificada.

LAÇADOR
- Onde fica: Sítio do Laçador
- Como está: o monumento não tinha sinais de vandalismo quando visitado pela reportagem, no dia 23.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

INVESTIGAÇÃO SOBRE NOTAS FISCAIS FRIAS ESTÁ PARADA

FOLHA.COM 23/01/2013 - 04h00

Investigação sobre Renan está parada há quase dois anos


ANDREZA MATAIS
MATHEUS LEITÃO DE BRASÍLIA
ANDREIA SADI DO PAINEL, EM BRASÍLIA

O inquérito aberto há cinco anos e meio para investigar o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) --por supostamente ter apresentado notas fiscais frias-- está parado há quase dois anos na Procuradoria-Geral da República.

Com isso, a Procuradoria nem apresentou denúncia nem arquivou o caso, surgido na esteira de suspeitas levantadas contra o senador em 2007. O inquérito corre em segredo de Justiça.

Por meio de sua assessoria, o procurador-geral, Roberto Gurgel, afirmou que o procedimento está em fase final e que "nos próximos dias" vai se manifestar.

Gurgel disse que a demora deve-se ao fato de o inquérito ter 43 volumes e de ele ter priorizado, no ano passado, o processo do mensalão.

O procurador já foi alvo de críticas por ter esperado três anos para pedir investigação sobre o ex-senador Demóstenes Torres (GO), cassado por suas ligações com o empresário Carlinhos Cachoeira.

Mantida a intenção do procurador de se pronunciar logo sobre o caso, a movimentação do inquérito pode ocorrer próxima à eleição de Renan à presidência do Senado, no início do mês que vem.

Se confirmar o favoritismo, Renan voltará para o cargo que teve de deixar em dezembro de 2007, num acordo para preservar seu mandato.

Naquele ano, o senador enfrentou suspeitas de que contas da jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha, eram pagas por um lobista da empresa Mendes Júnior.

Ele negou e, para provar que tinha renda para os pagamentos, apresentou notas referentes à venda de bois.

Um laudo do Polícia Federal, contudo, apontou que as notas fiscais não comprovavam a capacidade financeira do senador para arcar com a pensão --na época, de R$ 12 mil mensais à Mônica.

Dizia ainda que não havia comprovação das operações de venda de gado e apontou incongruência entre a quantidade de vacinas contra febre aftosa adquiridas e o número de bois declarados.

Contatado, Renan disse que não dará entrevista até sua indicação oficial pelo PMDB como candidato à presidência do Senado.

Cláudio Gontijo, suspeito de ter pago despesas de Mônica, disse que não comentaria o assunto. Ele ainda é funcionário da Mendes Júnior.



FOLHA.COM 19/01/2013 - 18h05

Renan Calheiros destinou cota parlamentar para empresa de marido de assessora


O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e seu filho, o deputado federal Renan Filho (PMDB-AL), usaram R$ 110,5 mil da cota parlamentar do Senado e da Câmara para uma empresa que pertence ao marido de uma assessora de gabinete do senador.

A informação foi revelada neste sábado (19) pela revista "Época".

Calheiros usou R$ 16 mil, em 2011, da cota de seu gabinete para a empresa Ibrape Pesquisa Ltda., sediada em Alagoas.

Na época, a empresa pertencia à assessora Edênia Damasceno Sales, com 5% das cotas, e seu marido, Francivaldo Diniz, com 95% das cotas. Em março de 2012, Edênia deixou a empresa, hoje administrada pelo seu marido.

Edênia está lotada no gabinete de Renan no Senado desde 2005, atuando no gabinete do senador em Maceió (AL).

Em 2012, o deputado federal Renan Filho usou R$ 94,5 mil da verba de seu gabinete também para contratar o Ibrape. Os pagamentos ocorreram de janeiro a outubro.

Calheiros é o candidato favorito para assumir a presidência do Senado no início de fevereiro. Na Câmara, outro peemedebisa, o deputado Henrique Eduardo Alves (RN), também concorre com apoio dos principais partidos da Casa.

No caso de Eduardo Alves, a Folha já havia revelado que um assessor recebeu pelo menos R$ 1,2 milhão de um órgão do governo federal controlado politicamente pelo deputado.

Procurado ontem pela Folha em seu telefone celular para comentar o assunto, o senador não foi localizado. O aparelho permaneceu desligado. A assessoria de Renan Filho também não atendeu chamadas no aparelho celular.

Na sede da Ibrape, em Maceió, localizada por telefone, uma funcionária disse que passaria o recado para Edênia e Diniz. Na residência do casal, também foi deixado recado, mas não houve retorno até o fechamento desta edição.

Segundo "Época", Diniz afirmou que seu trabalho consiste em realizar pesquisas "sobre os problemas e as demandas de cada município". Edênia disse à revista que o fato de ser casado com Diniz não deveria "privar" o senador de ter acesso a "um serviço bom".
Na semana passada, a Folha revelou que o senador usou R$ 10 mil da sua cota de gabinete para uma empresa de áudio e vídeo cujo responsável disse, contudo, que não trabalhou para o mandato do senador, mas sim para sua campanha eleitoral. Renan negou ter usado o recurso para quitar dívida eleitoral.

As cotas parlamentares são recursos públicos. Os políticos podem usar a cota sem licitação pública e servidores públicos podem ser donos de empresas, desde que não exerçam cargos de direção. Os parlamentares apresentam as notas fiscais e são ressarcidos pela Casa.