"A impunidade é a maior causadora de crimes, não a violência ou a miséria. Os ferrenhos defensores dos "direitos humanos, os adeptos de tudo que é politicamente correto", precisam compreender isso. Esses são os primeiros a lutarem em defesa dos bandidos, condenando somente os abusos de polícia, e usando argumentos como "são apenas crianças" ou a culpa é da miséria". Não sabem o desserviço que prestam à nação". Rodrigo Constantino.

sábado, 31 de maio de 2014

LIBERDADE A GOLPISTA SOB CONDIÇÕES


ZERO HORA 31 de maio de 2014 | N° 17814


HUMBERTO TREZZI


DECISÃO DA JUSTIÇA. Liberdade a Dal Agnol sob condições

SUSPEITO DE GOLPE que teria lesado 30 mil clientes da extinta CRT, advogado foragido teve prisão preventiva suspensa e até o dia 30 de junho deverá se apresentar em Passo Fundo, entregar o passaporte e pagar uma fiança fixada em R$ 1,6 milhão



OTribunal de Justiça (TJ) suspendeu ontem a prisão preventiva e deu prazo até 30 de junho para que o advogado Maurício Dal Agnol, foragido e suspeito de um golpe que pode ter lesado 30 mil clientes da extinta CRT, apresente-se à 3ª Vara Criminal de Passo Fundo. A decisão liminar determina que, nestes 30 dias, ele entregue o passaporte, pague uma fiança de R$ 1,6 milhão, não tenha contato com vítimas e compareça em juízo às segundas e sextas-feiras.

Durante a semana, o TJ também decidiu cancelar as ordens de pagamento dirigidas ao Banrisul e que tivessem como beneficiado Dal Agnol. O advogado é o maior credor de uma onda bilionária de processos contra a Brasil Telecom (BrT), movida por antigos acionistas da CRT, que exigem reajuste nos valores pagos pelas ações da empresa – comprada pela BrT e que deu origem à atual Oi.

A Polícia Federal (PF) aponta que o advogado fez acordos em nome dos clientes e não repassou a eles os ganhos das causas (veja quadro). Mais de 45 pessoas afirmam na Justiça que foram enganadas. Com base nesse histórico, a Corregedoria-Geral de Justiça mandou fazer uma busca nas contas do Banrisul abertas para indenizar ganhadores da causa contra a BrT. Em todos os casos em que Dal Agnol era o advogado credor, o dinheiro devido foi bloqueado. O total somou R$ 6 milhões, que ficarão disponíveis aos credores:

– Levamos em consideração a suspensão preventiva da licença de Dal Agnol para advogar, determinada pela OAB – explica o corregedor-geral da Justiça, desembargador Tasso Caubi Soares Delabary, que tomou a decisão.

A suspensão foi possível porque o TJ é avisado de alvarás de pagamento de causas judiciais. Os juízes que tinham concedido ganho de causa a Dal Agnol foram informados de que ele não pode sacar o dinheiro. Delabary admite que os credores podem trocar de advogado e tentar reaver os valores.



De fusca a carros de luxo e arena de hipismo, patrimônio deu salto

Maurício Dal Agnol descobriu nas ações contra grandes empresas de telefonia um filão que o tornou, no entender da PF, um dos advogados mais ricos do Estado. Mas o grande salto patrimonial exibido por ele e seus familiares foi um dos fatores que chamou a atenção dos policiais.

Em 1996, quando saiu do Banco do Brasil, Dal Agnol tinha um Fusca modelo 1978. Oito anos depois, já tinha trocado por um Polo 2002. No ano passado, o patrimônio incluía Land Cruiser, Prisma, Clio, Discovery, Mégane e Captiva. Em nome da mulher dele constam um Honda CRV e um Porsche Cayenne turbo. O advogado ainda comprou um avião Phenom 300, que é avaliado em US$ 12 milhões (R$ 27 milhões).

Ao completar 15 anos, a filha dele ganhou uma festa que deslumbrou Passo Fundo e um cavalo avaliado em R$ 800 mil. Dal Agnol, aliás, virou referência em de hipismo no Estado. Em 2009, abriu o Centro Hípico e Haras MD, em área de 10 hectares, dotada de arena de shows para 8 mil pessoas. Ali se apresentaram, com entrada gratuita, Jorge & Mateus e NX Zero. O local tem arquibancada com capacidade para 1,8 mil pessoas, parque de diversões, estacionamento e restaurante.

Dal Agnol estaria nos Estados Unidos, passando férias com a família, quando ocorreu a operação da Polícia Federal, em fevereiro. Em razão da denúncia, ele foi expulso da OAB e é procurado pela Interpol e pela Polícia Federal.


O ESQUEMA EM CINCO ATOS. Entenda como funcionaria a fraude envolvendo os processos judiciais

1. O escritório de advocacia captaria clientes que tinham ações da antiga CRT. Na maioria das vezes, não seria Dal Agnol quem faria a captação de clientes, mas outros empregados espalhados em escritórios que tinha pelo Estado, principalmente próximo a Passo Fundo e Bento Gonçalves.

2.Segundo a PF, todos os clientes passariam uma procuração a Dal Agnol, que centralizaria as informações. O escritório moveria dois tipos de ações: individual (para rever valores das ações da antiga CRT da telefonia móvel) e coletiva (para recuperar valores de linha fixa). O cliente, porém, não sabia que eram dois processos.

3. No final das ações judiciais, em vez de repassar 80% do valor ao cliente e ficar com 20%, como prevê a lei, esse percentual seria invertido. Em cima dos 20% repassados, também seriam cobrados honorários.

4. Para que tudo ficasse dentro da lei, a Polícia Federal suspeita de que dois contratos eram assinados como se fossem apenas um, sendo um deles de honorários e outro de cessão de direitos, que seria similar à segunda via do primeiro. Este segundo faria com que o cliente expressasse concordância com o valor repassado. Para convencer o cliente, documentos (alvará ou petição) seriam adulterados e repassados valores menores. Às vezes, ainda entregaria apenas a correção monetária da ação.

5. Como o advogado ficava com a procuração, poderia pegar o dinheiro em nome do cliente. Depois de retirá-lo, dizia aos clientes que a ação ainda não teria andado. E, como poderia fazer o acordo sem a presença do cliente, muitas vezes teria feito uma negociação que levantaria suspeitas: depois de julgado, haveria um acerto entre a Brasil Telecom e Dal Agnol de receber apenas metade do que foi ganho. A Polícia Federal investiga essa relação.



domingo, 4 de maio de 2014

PICHADOR MORRE AO CAIR DE EDIFÍCIO

ZERO HORA  04/05/2014 

Jovem que tentava pichar hotel morre ao cair do 8º andar. Na ação, vítima estaria na companhia de outras duas pessoas



Pichador morreu ao cair do oitavo andar do Hotel Umbu, no centro de Porto AlegreFoto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS


Um jovem de 16 anos morreu na madrugada deste sábado ao cair do oitavo andar de um hotel na região central de Porto Alegre. Segundo a Brigada Militar (BM), o rapaz estaria tentando pichar a fachada do prédio, localizado na Avenida Farrapos, nas proximidades da rodoviária.

A vítima, identificada como Gabriel Severo Pacheco Morales, estaria na companhia de outros dois homens — um deles seria foragido. Conforme a BM, boa parte do edifício já estava pichada, exceto o último andar (oitavo). Ao tentar chegar ao local, o jovem acabou despencando e caindo sobre a via, por volta das 4h30min.

Na mochila da vítima, a polícia encontrou sprays utilizados para pichação. O local foi isolado para a perícia.

CAMINHADA POR JUSTIÇA

ZERO HORA 03/05/2014 | 14h46


Esquecer jamais. Caminhada em Santa Maria pede justiça no caso Bernardo. Familiares de vítimas da Kiss e de crimes violentos fizeram manifestação

por Marilice Daronco



Grupo carregou cartazes com fotos de Bernardo e pedidos de justiçaFoto: Gabriel Haesbaert / Especial


Uma caminhada na manhã deste sábado, em Santa Maria, reuniu cerca de 50 pessoas para homenagear Bernardo Boldrini, menino de 11 anos que desapareceu no dia 4 de abril, em Três Passos, e foi encontrado morto no dia 14, no interior de Frederico Westphalen.


A manifestação foi organizada por familiares de vítimas da boate Kiss e famílias de vítimas de crimes violentos. Ela saiu da Praça Saldanha Marinho, com as pessoas carregando cartazes com fotos de Bernardo e pedidos de justiça. A maioria das frases pedia que a morte não seja esquecida, que os culpados sejam responsabilizados e lamentava que o pedido de socorro do garoto às autoridades — o menino havia procurado por ajuda no Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Cededica), de Três Passos. O término da manifestação foi na Igreja das Dores, onde o padre Francisco Bianchini, o padre Xiko, fez uma bênção especial para as famílias.


— Participar de eventos como esses é importante para despertar a consciência da sociedade de que ela precisa mudar os seus valores e atitudes, para que haja mais amor ao próximo e mais solidariedade. Se não nos unirmos, as coisas continuarão como estão ou até tendem a piorar — afirma Irá Marta Beuren, 63 anos, mãe de Sílvio Beuren, morto na tragédia da boate Kiss.


O aposentado Eglon Pietrowski, 56 anos, não perdeu nenhum familiar em situações violentas, mas resolveu participar porque se sentiu sensibilizado com o assassinato de Bernardo.


— Chorei três dias seguidos por esta criança — contou Pietrowski.


Entre os participantes da caminhada, que ocorreu em Santa Maria porque ela é a cidade natal de Bernardo e onde ele foi sepultado, estavam alguns familiares do menino, como a prima dele Tuanny Uglione, 22 anos. Segundo ela, para a família, foi muito importante ver que algumas pessoas estão mobilizadas para que haja justiça no caso.


— Ele era uma criança, uma criança inocente, e isso mexe com as pessoas. Se ver uma morte injusta de um adulto já é difícil, imagine de uma criança, indefesa, que buscou ajuda e não foi ouvida — afirmou Tuanny.


Durante a bênção aos participantes, padre Xiko pediu que todos rezassem juntos o Pai Nosso e pediu que Maria olhe pelas famílias, lembrando que ela também perdeu um filho de forma injusta.