A Polícia de Santo Antônio da Patrulha prendeu o psicólogo aposentado
Rogério Ivo Stoffel após ele se apresentar nesta semana na Delegacia
local.
Ele foi condenado por homicídio triplamente qualificado
de uma estudante, filha de uma paciente dele, ocorrido no ano 2000 no
município do Litoral Norte. O caso teve grande repercussão na época e chocou a comunidade da região.
A estudante Carine Belletine de Souza, 18 anos, foi encontrada morta na cama, dentro da casa que morava com a família.
A mãe dela, Maria Goretti Belletine de Souza, 41 anos, disse que a
residência havia sido invadida. Outro filho dela, de 8 anos, dormia em
quarto ao lado e o marido estava viajando.
Dias depois, a comunidade da região ficou surpresa ao saber que Maria Goretti confessou ter assassinado a própria filha.
Após ser presa, ela foi encontrada morta, enforcada na cela. No
entanto, um bilhete deixado por Maria Goretti e o depoimento do irmão de
Carine causaram uma reviravolta no caso ao incriminar Rogério Ivo
Stoffel. O menino disse que o psicólogo esteve na residência da família e
que ele discutiu com sua mãe. Já o bilhete dizia que Stoffel participou
do assassinato.
Antes de morrer, Maria Goretti confessou que havia se
apaixonado pelo seu terapeuta, mas que este havia se interessado pela
sua filha. Na época, ele negou que esteve no local do
homicídio, mas confessou o interesse pela estudante. Na verdade, a mãe
se passava pela filha para tentar seduzir o psicólogo através de cartas e
telefonemas. O relatório policial aponta que Maria Goretti chegou a
marcar um encontro com ele na véspera do crime. Segundo a acusação, o
terapeuta se irritou com a situação e usou uma barra de metal para bater
na cabeça da vítima, além de uma faca para atingir o rosto dela. Ele
foi ajudado pela mãe de Carine.
Prisão
Segundo o delegado Peterson Benites, foi assinado e expedido no dia
28 de maio deste ano, pela comarca de Santo Antônio da Patrulha, um
mandado de prisão para Rogério Ivo Stoffel. Os agentes da delegacia do
município tentaram localizar o psicólogo em três endereços na Capital e
em outro no Litoral Norte. Até no aeroporto Salgado Filho os policiais
fizeram buscas. Mas após contato com advogados e familiares, Stoffel se
apresentou junto com o pai na Delegacia de Santo Antônio da Patrulha e
foi encaminhado para a Penitenciária de Osório. A prisão foi na
quarta-feira, mas a Polícia divulgou somente hoje.
Defesa
O advogado Edson Brozoza destaca que após a prisão de Stoffel, em 2000, ingressou com um
habeas corpus
e seu cliente, sem antecedentes criminais, respondeu ao processo em
liberdade. Em 2005, o júri foi cancelado e a defesa sustentou a nulidade
do processo devido a uma série de irregularidades.
Em 2006, o psicólogo foi condenado por homicídio triplamente qualificado, com uma pena de 15 anos de prisão.
No entanto, após a condenação, Brozoza seguia sustentando a nulidade
do processo. Em 2007, foi mantida a condenação do réu e a pena foi
diminuída em um ano. Ele ainda tinha o direito de apelar em liberdade,
uma garantia constitucional, enquanto ainda havia recurso a ser julgado.
Neste mesmo ano, a defesa ingressou com habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça e até hoje, cinco anos depois, aguarda pela decisão.
Na próxima semana Brozoza vai solicitar urgência e preferência no
julgamento do recurso, principalmente devido ao fato do seu cliente
agora estar preso. Caso contrário, vai ingressar com
habeas corpus
no Supremo Tribunal Federal. A decisão pelo mandado de prisão no final
de maio deste ano, pela comarca de Santo Antônio da Patrulha, se deu
pelo fato de terem sido esgotados todos os recursos na Justiça no Rio
Grande do Sul.
FONTE: http://wp.clicrbs.com.br/casodepolicia/?topo=52,1,1,,171,e171