"A impunidade é a maior causadora de crimes, não a violência ou a miséria. Os ferrenhos defensores dos "direitos humanos, os adeptos de tudo que é politicamente correto", precisam compreender isso. Esses são os primeiros a lutarem em defesa dos bandidos, condenando somente os abusos de polícia, e usando argumentos como "são apenas crianças" ou a culpa é da miséria". Não sabem o desserviço que prestam à nação". Rodrigo Constantino.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

EM LIBERDADE, APESAR DE SER SUSPEITO EM MAIS DE 10 ASSASSINATOS



ZERO HORA 22 de maio de 2015 | N° 18170


Preso suspeito de mais de 10 assassinatos na Capital


A 4ª Delegacia de Homicídios prendeu ontem à noite um suspeito de ter cometido mais de 10 assassinatos na Capital desde 2013. Fernando Lopes Antunes, 35 anos, conhecido por Troia, foi detido no Hospital da Brigada Militar, na Zona Sul, quando acompanhava a esposa que estava em trabalho de parto. Ele estava armado no momento da abordagem. As informações são da Rádio Gaúcha.

O delegado Adriano Melgaço afirma que o foragido era um dos mais procurados em Porto Alegre. Inclusive, já havia sido denunciado por três mortes e duas tentativas. Além disso, era investigado em pelo menos outros seis inquéritos de homicídios na cidade.

Ele também é apontado em uma das linhas de investigação do tiroteio dentro do Hospital Vila Nova, em 15 de março, quando um agente penitenciário foi baleado. Antunes fazia escolta do traficante Luis Fernando Barbosa de Lima, o Ninho, da Vila Cruzeiro.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

IMPUNIIDADE COM QUEM MATA



ZERO HORA 14 de maio de 2015 | N° 18162


FÊCRIS VASCONCELLOS



Da última vez em que eu vi o Bruno, ele me acalmava o choro de uma despedida que deveria ter prazo de validade dizendo: “Calma, seis meses passam rápido”. Ainda entre soluços, eu respondi “mas muita coisa acontece em seis meses”. Numa das raras vezes em que eu preferia estar errada, infelizmente, muito aconteceu e nã tornamos a nos ver. Sua vida de garoto de vinte e poucos anos, alegre, fã de Beatles, inteligente e gentil, teve fim pelas mãos de um taxista que furava o sinal vermelho da Avenida João Pessoa em alta velocidade num final de tarde ensolarado de sábado.

Contudo, numa das não raras vezes em que eu preferia estar certa, nada aconteceu em seis meses. E nada aconteceu também nos oito anos que se passaram desde então. Quero pedir desculpas aos pais e à irmã do Bruno por tocar novamente nessa dolorosa ferida – que pulsa em mim toda vez que eu vejo alguém de bicicleta na rua, ouço uma das músicas que a gente gostava ou passo na Rua da República, onde tantas vezes nos encontramos –, mas ao ler uma matéria como a publicada em ZH no dia 12 de maio (13 no jornal impresso), que mostra como um taxista que já matou três pessoas no trânsito segue trabalhando como taxista livremente, sinto a impunidade e a dor esfregadas na minha cara. Sinto meu coração despedaçado. Nada, absolutamente nada resultou da morte do meu querido amigo.

É o que a gente pensa quando perde alguém dessa maneira brutal: “Tomara que isso abra os olhos da sociedade e das autoridades para que ninguém mais morra desse jeito”. Errado. Nada acontece. Gente como o Bruno e o Joel – artista e arquiteto da Capital, atropelado perto do aeroporto, cuja morte mobilizou a cidade – segue morrendo e gente como esse taxista ou o que matou o meu amigo segue impunemente carregando nossos familiares e amigos pela rua, destruindo nossos corações e nossas esperanças de que finalmente algo vai acontecer. Mas nada vai.

As brechas na legislação, que permitem que motoristas imprudentes matem no trânsito e sigam livres de punição mais severa, fazem com que haja uma permissão para matar no Brasil. O carro tem o poder de matar alguém. Dirigi-lo com irresponsabilidade, desrespeitando limites e sob o efeito de drogas que colocam a vida de outras pessoas em risco, deveria ser punido com mais rigor. E quem mata no trânsito por consequência dessa imprudência deveria ser punido como quem sai na rua assumindo o risco de matar alguém.

Mas eu estava muito errada. Nada acontece em seis meses.

Editora de Entretenimento e Vida&Estilo de ZH Digital

BRASIL, PAÍS DA IMPUNIDADE



ZERO HORA 14 de maio de 2015 | N° 18162


VITOR STEPANSKY



No dia 17 de julho de 2007 um avião se espatifa na Avenida 23 de Maio próximo ao aeroporto de Congonhas em São Paulo. O maior acidente aéreo do Brasil matou 199 pessoas.

A revolta e a indignação dos primeiros dias à procura dos responsáveis se amainou. Hoje, oito anos depois, a diretora da Anac, o diretor de Operações da empresa, bem como o diretor de Segurança de Voo, réus no processo, foram absolvidos.

Um acidente aéreo nunca tem uma causa única. De todas as causas, algumas são mais determinantes que outras. Nesse caso, a autorização da Anac por pressão das empresas, de autorizar a operação no aeroporto de Congonhas que estava em reforma, com a pista molhada, sem grooving (ranhuras na pista que facilitam o escoamento d’água e evitam aquaplanagem).

A outra, de responsabilidade da TAM, que autorizou o pouso num aeroporto cuja operação é extremamente crítica, com a pista encharcada e o reverso do motor direito inoperante. Se o voo fosse desviado para Campinas ou Guarulhos, o acidente poderia ter acontecido, mas o máximo que teríamos seria um avião atolado na grama ao lado da pista.

Quando se trata de segurança, as companhias aéreas podem e devem usar restrições maiores do que a legislação permite. Isto acontecia na antiga Varig. O lema, infelizmente, mudou para “nada substitui o lucro”.

O responsável pelo acidente vai acabar sendo um funcionário do sexto escalão da Infraero que, na noite do ocorrido, pressionado por gerentes das empresas, “Congonhas não pode parar”, com uma lanterna e um guarda-chuva numa mão e uma régua na outra mediu a quantidade de água na pista e liberou a operação no aeroporto.

A tragédia da boate Kiss vai seguindo o mesmo caminho do acidente da TAM. Políticos e corresponsáveis vão sendo excluídos do processo pelos mais variados motivos. Daqui a alguns anos, o culpado pelo incêndio da boate poderá vir a ser um soldado do Corpo de Bombeiros.

Marcos Stepansky e mais três companheiros, todos jovens e futuros pilotos faleceram no acidente de Congonhas. É em respeito a eles e a todas as outras vítimas da TAM e da boate Kiss, que não podemos admitir que a Justiça no Brasil determine que acidentes simplesmente acontecem.


Ex-comandante da antiga Varig