
ZERO HORA 14 de maio de 2015 | N° 18162
VITOR STEPANSKYNo dia 17 de julho de 2007 um avião se espatifa na Avenida 23 de Maio próximo ao aeroporto de Congonhas em São Paulo. O maior acidente aéreo do Brasil matou 199 pessoas.
A revolta e a indignação dos primeiros dias à procura dos responsáveis se amainou. Hoje, oito anos depois, a diretora da Anac, o diretor de Operações da empresa, bem como o diretor de Segurança de Voo, réus no processo, foram absolvidos.
Um acidente aéreo nunca tem uma causa única. De todas as causas, algumas são mais determinantes que outras. Nesse caso, a autorização da Anac por pressão das empresas, de autorizar a operação no aeroporto de Congonhas que estava em reforma, com a pista molhada, sem grooving (ranhuras na pista que facilitam o escoamento d’água e evitam aquaplanagem).
A outra, de responsabilidade da TAM, que autorizou o pouso num aeroporto cuja operação é extremamente crítica, com a pista encharcada e o reverso do motor direito inoperante. Se o voo fosse desviado para Campinas ou Guarulhos, o acidente poderia ter acontecido, mas o máximo que teríamos seria um avião atolado na grama ao lado da pista.
Quando se trata de segurança, as companhias aéreas podem e devem usar restrições maiores do que a legislação permite. Isto acontecia na antiga Varig. O lema, infelizmente, mudou para “nada substitui o lucro”.
O responsável pelo acidente vai acabar sendo um funcionário do sexto escalão da Infraero que, na noite do ocorrido, pressionado por gerentes das empresas, “Congonhas não pode parar”, com uma lanterna e um guarda-chuva numa mão e uma régua na outra mediu a quantidade de água na pista e liberou a operação no aeroporto.
A tragédia da boate Kiss vai seguindo o mesmo caminho do acidente da TAM. Políticos e corresponsáveis vão sendo excluídos do processo pelos mais variados motivos. Daqui a alguns anos, o culpado pelo incêndio da boate poderá vir a ser um soldado do Corpo de Bombeiros.
Marcos Stepansky e mais três companheiros, todos jovens e futuros pilotos faleceram no acidente de Congonhas. É em respeito a eles e a todas as outras vítimas da TAM e da boate Kiss, que não podemos admitir que a Justiça no Brasil determine que acidentes simplesmente acontecem.
Ex-comandante da antiga Varig