"A impunidade é a maior causadora de crimes, não a violência ou a miséria. Os ferrenhos defensores dos "direitos humanos, os adeptos de tudo que é politicamente correto", precisam compreender isso. Esses são os primeiros a lutarem em defesa dos bandidos, condenando somente os abusos de polícia, e usando argumentos como "são apenas crianças" ou a culpa é da miséria". Não sabem o desserviço que prestam à nação". Rodrigo Constantino.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

VANDALISMO E DESRESPEITO À MEMÓRIA




ZERO HORA 24 de janeiro de 2013 | N° 17322

Centenário e abandonado. Prestes a completar cem anos, monumento a Júlio de Castilhos permanece alvo de vandalismo na Capital


– Esta estátua do homem sentado representa Júlio de Castilhos como um sábio, um pensador. E as pichações representam o relaxamento do povo aqui de Porto Alegre – relata uma guia de turismo para um grupo de visitantes paraibanos em passeio pela Praça da Matriz, na Capital.

Completando, nesta sexta-feira, um século desde que foi inaugurado, o monumento em homenagem a Júlio de Castilhos, o patriarca da República Rio-grandense, é também um símbolo do descaso com que população e poder público tratam o patrimônio histórico da cidade. De acordo com a Superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Rio Grande do Sul, as esculturas de autoria de Décio Villares não recebem sequer uma limpeza há, no mínimo, quatro anos.

Professora do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Celia Ferraz de Souza entende que o município não sabe cuidar de suas obras públicas:

– Há um esforço, mas a política de preservação não trata o todo. Deveria haver um calendário, com limpeza, pelo menos uma vez por ano. Se a população é mal-educada, o poder público tem de vigiar, como se faz com uma criança que quer riscar as paredes de casa.

Para o historiador e curador do Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli (Margs), José Francisco Alves, não existe justificativa para tamanha depredação de um marco tão significativo na História de Porto Alegre:

– Não há uma cidade no mundo em que um monumento tão importante do ponto de vista político e histórico, localizado entre instituições tão relevantes, esteja tão depredado.

Restauração dependerá de novo programa federal

Previstas para serem restauradas com a Praça da Matriz por meio do Projeto Monumenta, do governo federal, as esculturas e a própria praça ficaram de fora da lista de sítios contemplados com as verbas do programa mesmo depois de dois processos licitatórios. Agora, as esculturas precisam esperar pelo PAC das Cidades Históricas – que vai beneficiar municípios declarados patrimônio da humanidade e cidades-sede da Copa 2014.

– O PAC deve abrir em junho. A restauração do monumento e da praça serão prioridades. Temos um orçamento provisório de R$ 2,5 milhões para a praça. Para o monumento, seriam R$ 370 mil – afirma Luiz Merino, arquiteto do Projeto Monumenta na Secretaria Municipal da Cultura.

Símbolos do positivismo

A homenagem a Júlio de Castilhos traz referências ao positivismo – doutrina criada no século 19 pelo francês Auguste Comte, que reúne princípios filosóficos e científicos –, de culto ao passado e à História. De acordo com a professora de História da PUCRS Margaret Bakos, o próprio objetivo da construção do monumento simboliza o pensamento positivista.

– A Praça da Matriz reúne as sedes dos três poderes, além da Igreja e do Theatro São Pedro, locais de reunião da população. Ali foram plantadas árvores de todo o Brasil. Estes aspectos representam a valorização da natureza, a racionalidade das escolhas arquitetônicas e a importância da história que, em essência, são símbolos vitais da visão de mundo positivista – explica a autora do livro Júlio de Castilhos: Positivismo, Abolição e República.



Outras obras. Veja a situação de outros monumentos da Capital:

MONUMENTO AOS AÇORIANOS
- Onde fica: Largo dos Açorianos
- Como está: construído em 1973, em homenagem aos primeiros casais açorianos que chegaram à cidade em 1752, tem pichações de uma ponta à outra. Em duas das três colunas centrais, há enormes buracos que surgem do chão. Dentro, há lixo.

ESTÁTUA DE BENTO GONÇALVES
- Onde fica: Avenida João Pessoa
- Como está: produzida em 1935, em homenagem ao comandante da Revolução Farroupilha, Bento Gonçalves, apresenta pichações na base que sustenta a estátua, que está coberta de fuligem.

MONUMENTO AO GENERAL OSÓRIO
- Onde fica: Praça da Alfândega
- Como está: com as obras de restauração da praça concluídas no fim de 2012, o monumento inaugurado em 1933 em homenagem ao patrono da Cavalaria do Exército Brasileiro foi restaurado. Atualmente, a parte de trás tem resquícios de uma pichação, e a base está danificada.

LAÇADOR
- Onde fica: Sítio do Laçador
- Como está: o monumento não tinha sinais de vandalismo quando visitado pela reportagem, no dia 23.

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