"A impunidade é a maior causadora de crimes, não a violência ou a miséria. Os ferrenhos defensores dos "direitos humanos, os adeptos de tudo que é politicamente correto", precisam compreender isso. Esses são os primeiros a lutarem em defesa dos bandidos, condenando somente os abusos de polícia, e usando argumentos como "são apenas crianças" ou a culpa é da miséria". Não sabem o desserviço que prestam à nação". Rodrigo Constantino.

sábado, 26 de janeiro de 2013

ATÉ ONDE VAI A IMPUNIDADE NO FUTEBOL?


ZERO HORA 26 de janeiro de 2013 | N° 17324

Briga entre organizadas no Olímpico resulta em 32 torcedores barrados de estádios em dias de jogos do Grêmio por seis meses. Confrontos anteriores terminaram com a mesma punição, que nunca foi cumprida 


Por conta dos confrontos no pátio do Olímpico antes do jogo contra o Canoas na quinta-feira, a Justiça determinou que 32 torcedores ficarão proibidos de frequentar os estádios da Capital pelos próximos seis meses. Em dias de jogos do Grêmio, os punidos (que não tiveram seus nomes divulgados) terão que se apresentar, ou na 2ª Delegacia de Polícia ou no 1º Batalhão de Polícia Militar, duas horas antes das partidas e serão liberados duas horas após o término do evento.

– O não cumprimento dessa medida deve ser avisado imediatamente. Pode resultar em reabertura de processo ou até pedidos de prisão preventiva – garante o juiz Marco Aurélio Martins Xavier, responsável pelo Juizado Especial Criminal (Jecrim).

Ocorreram dois incidentes no Olímpico. O primeiro acabou com a detenção de seis torcedores que brigaram perto do pórtico de entrada. Uma brigadiana foi derrubada da montaria do cavalo e precisou de atendimento médico. Depois, a confusão se espalhou.

Entre os envolvidos nas brigas está Cristiano Roballo Brum, o Zóio, número 2 na hierarquia da Geral do Grêmio e um dos responsáveis pela confusão na inauguração da Arena. Com antecedentes, ele poderá enfrentar punições mais severas.

– Esse fato novo vai gerar outra ocorrência – avisa Xavier.

Na série de reportagens Drible na Justiça, publicada por Zero Hora em julho de 2012 (leia mais na página ao lado), dois torcedores foram flagrados descumprindo a proibição de entrar nos estádios da Capital. Por conta disso, tiveram a punição estendida por mais nove meses. Entretanto, segundo o juiz Amadeo Buttelli, do 2º Juizado Criminal de Porto Alegre, os torcedores continuam sem se apresentar.

– Não tenho como colocar um oficial de Justiça atrás de cada um deles. Se não se apresentaram, vou ficar sabendo só no dia seguinte. Não dá para levar até a delegacia à força. Quem não cumprir, terá o seu processo levado adiante. Mas esses delitos não acarretam prisão – afirma Buttelli.

Brigada Militar aumentará efetivo na Arena na quarta

Responsável pelo Comando do Policiamento da Capital (CPC), o coronel Alfeu Freitas demonstra preocupação com as ameaças entre torcidas para os próximos jogos do clube em Porto Alegre. Nas redes sociais, haveria combinação de tumulto para amanhã no Centro. O tricolor enfrenta o Santa Cruz pelo Gauchão. O efetivo no Olímpico deve ser de 140 policiais.

Para o jogo de quarta, contra a LDU, na Arena, o alerta é ainda maior para o CPC. A meta é reunir 250 policiais, número que garanta a segurança no estádio e, ao mesmo tempo, não deixe o restante da cidade desprotegida.

– Vamos prever um efetivo reforçado em função da briga, mas sem descuidar o policiamento ostensivo na cidade – observa Freitas.

A proibição da entrada de instrumentos, faixas e bandeiras que possam ser utilizados como “armas”, segundo o comandante do CPC, está mantida por tempo indeterminado.



AUTORIDADES EM TESTE

ZERO HORA 26 de janeiro de 2013 | N° 17324


PAULO GERMANO | REPÓRTER, 
AUTOR DA SÉRIE DRIBLE NA JUSTIÇA


Em julho do ano passado, quando Zero Hora publicou a série de reportagens Drible na Justiça, sete torcedores envolvidos em pancadarias estavam proibidos de entrar nos estádios. Nenhum deles cumpria a medida. Nenhum deles se apresentava à polícia no horário dos jogos, conforme a Justiça havia determinado. Agora, após a briga de quinta-feira nas imediações do Olímpico, o número de infratores proibidos de frequentar as partidas é quase cinco vezes maior são 32 banidos.

Por um lado, é louvável que o cerco contra torcedores violentos tenha aumentado. Por outro, uma pergunta acaba se impondo: se no ano passado as autoridades fracassaram na fiscalização de sete pessoas, conseguirão agora fiscalizar 32? Em entrevista a ZH naquela época, um dos gremistas infratores, Thiago Araújo da Rosa, explicou por que nunca compareceu à delegacia no horário dos jogos:

– Não me cobraram nada até agora, ninguém me ligou.

Por trás do desdém de Thiago, havia de fato uma apatia do poder público. Quando um torcedor era proibido de entrar no estádio por seis meses, por exemplo, somente ao final desse prazo o delegado responsável por recebê-lo enviaria um relatório comunicando a Justiça sobre eventuais ausências na delegacia. Ou seja: durante todo o período de vigência da medida, os infratores estavam imunes a qualquer fiscalização. Tanto é que ZH flagrou dois deles, um gremista e um colorado, assistindo a jogos dentro do Olímpico e do Beira-Rio.

Na época, os delegados argumentaram que, nos ofícios que recebiam do Judiciário, o texto dizia: “Solicito-lhe que monitore o cumprimento, enviando relatório ao final do prazo.” Os juízes se defenderam dizendo que tudo era “uma questão de interpretação”: enfatizaram que a polícia deveria avisá-los imediatamente caso algum infrator se ausentasse da delegacia, para que o brigão fosse intimado a se explicar.

Depois desse jogo de empurra, o juiz Amadeo Ramella Butelli anunciou uma mudança. Passou a exigir que os torcedores levassem ao juizado, uma vez por mês, um atestado de presenças fornecido pela delegacia. Resta saber se isso será suficiente para monitorar 32 pessoas que maculam o futebol. Porque os órgãos de repressão do Estado continuam atuando sem integração nenhuma.



GRÊMIO. “O clube não é meio de vida para ninguém”

Nestor Hein - Integrante do Conselho de Administração do Grêmio



Designado por Fábio Koff para tratar com as torcidas, Nestor Hein tem um discurso forte contra o financiamento das organizadas. O dirigente acredita que o corte de verba foi o que gerou a confusão no pátio do Olímpico momentos antes da partida contra o Canoas.

Zero Hora – Que medidas o Grêmio vai adotar para coibir brigas no jogo contra a LDU?

Nestor Hein – Faremos um controle rigoroso para não permitir a entrada dos torcedores punidos no estádio. Estamos cadastrando as torcidas, fotografando. Tudo o que é possível fazer, estamos fazendo.

ZH – O Grêmio cortou os incentivos financeiros para as organizadas?

Hein – Agora é zero verba. Se uma torcida cadastrada, em ordem com o Estatuto do Torcedor, criar um modelo para se autofinanciar, o Grêmio não fará restrição. Mas dinheiro do cofre do Grêmio para torcida não terá mais.

ZH – O que levou o clube a tomar essa decisão?

Hein – Quando assumimos, adotamos a medida de não distribuir ingresso grátis para terminar com essa história de lideranças de organizadas viverem às custas do Grêmio. São essas pessoas que estragam todo o espetáculo. O clube não é meio de vida para ninguém, a não ser seus funcionários e jogadores.

ZH – O corte de verba teria originado essas brigas?

Hein – Em um jogo de 4 mil pessoas contra o Canoas no meio de semana não existe conflito emocional para dar briga. Isso acontece porque não há mais a irrigação de dinheiro para o bolso dessas pessoas que têm interesse em viver às custas do Grêmio.



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