"A impunidade é a maior causadora de crimes, não a violência ou a miséria. Os ferrenhos defensores dos "direitos humanos, os adeptos de tudo que é politicamente correto", precisam compreender isso. Esses são os primeiros a lutarem em defesa dos bandidos, condenando somente os abusos de polícia, e usando argumentos como "são apenas crianças" ou a culpa é da miséria". Não sabem o desserviço que prestam à nação". Rodrigo Constantino.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

BRASIL, PAÍS DA IMPUNIDADE



ZERO HORA 14 de maio de 2015 | N° 18162


VITOR STEPANSKY



No dia 17 de julho de 2007 um avião se espatifa na Avenida 23 de Maio próximo ao aeroporto de Congonhas em São Paulo. O maior acidente aéreo do Brasil matou 199 pessoas.

A revolta e a indignação dos primeiros dias à procura dos responsáveis se amainou. Hoje, oito anos depois, a diretora da Anac, o diretor de Operações da empresa, bem como o diretor de Segurança de Voo, réus no processo, foram absolvidos.

Um acidente aéreo nunca tem uma causa única. De todas as causas, algumas são mais determinantes que outras. Nesse caso, a autorização da Anac por pressão das empresas, de autorizar a operação no aeroporto de Congonhas que estava em reforma, com a pista molhada, sem grooving (ranhuras na pista que facilitam o escoamento d’água e evitam aquaplanagem).

A outra, de responsabilidade da TAM, que autorizou o pouso num aeroporto cuja operação é extremamente crítica, com a pista encharcada e o reverso do motor direito inoperante. Se o voo fosse desviado para Campinas ou Guarulhos, o acidente poderia ter acontecido, mas o máximo que teríamos seria um avião atolado na grama ao lado da pista.

Quando se trata de segurança, as companhias aéreas podem e devem usar restrições maiores do que a legislação permite. Isto acontecia na antiga Varig. O lema, infelizmente, mudou para “nada substitui o lucro”.

O responsável pelo acidente vai acabar sendo um funcionário do sexto escalão da Infraero que, na noite do ocorrido, pressionado por gerentes das empresas, “Congonhas não pode parar”, com uma lanterna e um guarda-chuva numa mão e uma régua na outra mediu a quantidade de água na pista e liberou a operação no aeroporto.

A tragédia da boate Kiss vai seguindo o mesmo caminho do acidente da TAM. Políticos e corresponsáveis vão sendo excluídos do processo pelos mais variados motivos. Daqui a alguns anos, o culpado pelo incêndio da boate poderá vir a ser um soldado do Corpo de Bombeiros.

Marcos Stepansky e mais três companheiros, todos jovens e futuros pilotos faleceram no acidente de Congonhas. É em respeito a eles e a todas as outras vítimas da TAM e da boate Kiss, que não podemos admitir que a Justiça no Brasil determine que acidentes simplesmente acontecem.


Ex-comandante da antiga Varig

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