"A impunidade é a maior causadora de crimes, não a violência ou a miséria. Os ferrenhos defensores dos "direitos humanos, os adeptos de tudo que é politicamente correto", precisam compreender isso. Esses são os primeiros a lutarem em defesa dos bandidos, condenando somente os abusos de polícia, e usando argumentos como "são apenas crianças" ou a culpa é da miséria". Não sabem o desserviço que prestam à nação". Rodrigo Constantino.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

A IMPUNIDADE, SE NÃO MATA, ALEIJA



JORNAL DO COMÉRCIO 27/11/2014



Ligia de Beatriz


Que o digam os mil trabalhadores da Iesa, que o diga eu. Vamos pegar apenas uma ponta da ganância desmedida, a que leva o homem a roubar. Ele não sabe, ou se sabe, não se importa com as consequências de seu ato. No momento em que derruba a barreira do respeito próprio e ao outro, ele inicia um processo, comparável a um jogo de dominó, devastador, matará ou aleijará quem estiver pela frente e abaixo. A frase do advogado de um dos envolvidos no esquema da Operação Lava Jato sintetiza que no Brasil não se faz obra pública sem “acerto” e que quem nega isso “desconhece a história do País” é verdadeira. Todos sabem. Nós sabemos. Eu sabia. Eu sabia que havia corrupção, desvio de dinheiro, roubo. Ninguém come sanduíche em frente a um palácio e anos depois o compra. Nem mesmo através de mágica se consegue isso.
Eu não sou burra, nem os funcionários da Iesa o são. Somos, infelizmente, parte da massa que fecha os olhos para as quadrilhas, alguns por medo, ingenuidade, preguiça, outros por não estarem nem aí, desde que eu também ganhe o meu. Sei lá, “n” motivos. Costumo dizer, leis são feitas para protegerem bandidos. Por isso, muitas pessoas se afastam. Quanto mais longe eu estiver melhor. Seria se não matasse ou nos aleijasse, porque, mesmo nós nos “distanciando”, não ficamos ilesos.

Muitos, como eu, sonham (sonharam) com um cavaleiro vingador (quase pensei ter visto um - o da capa preta -, mas foi somente impressão de ótica). Pura fantasia. A impunidade nos atira na cara a realidade. Quem manda em nossas vidas, pelo menos na triste vida brasileira, é a impunidade. Nestes meus 50 anos de vida, não vi, não ouvi falar, não conheço nada nem ninguém mais poderoso que a impunidade. Ela foi quem demitiu mil trabalhadores, e ela também quem me deixou sem emprego às vésperas do Natal, pouco antes de me aposentar, assim como a muitos funcionários da Iesa. Números simbólicos, porque, lógico, são muitos mais. Todos sabiam. Sim, todos nós sabíamos. Eu sabia o que acontecia. Funcionários sabem. Se a lei existisse neste meu País, eu não estaria desempregada, nem os funcionários da Iesa. Discurso derrotista? Não. Realista. Você que acredita que algo vai mudar é que está fantasiando.

Jornalista e escritora

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