"A impunidade é a maior causadora de crimes, não a violência ou a miséria. Os ferrenhos defensores dos "direitos humanos, os adeptos de tudo que é politicamente correto", precisam compreender isso. Esses são os primeiros a lutarem em defesa dos bandidos, condenando somente os abusos de polícia, e usando argumentos como "são apenas crianças" ou a culpa é da miséria". Não sabem o desserviço que prestam à nação". Rodrigo Constantino.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

REINO DA IMPUNIDADE

ZERO HORA: 28 de maio de 2012 

PÁGINA 10 | CARLOS ROLLSING (INTERINO)

 Passados quase 15 meses da eclosão das denúncias de irregularidades na contratação de pardais pelo Daer, nenhum dos servidores públicos acusados de envolvimento com as negociatas sofreu punição. Na esteira do escândalo dos controladores de velocidade, foram revelados outros casos de descalabro, como as irregularidades no pedágio comunitário de Portão e no programa O Estado na Estrada, ambos responsáveis por desfalques milionários nos cofres públicos. No entanto, assim como ocorrera no episódio dos pardais, os funcionários públicos envolvidos seguem incólumes a sanções. O corporativismo estatal parece não ser afeito a modelos eficientes de gestão.

 

O fato é que procedimentos investigatórios semelhantes estão se sobrepondo, averiguando os mesmos fatos por incontáveis vezes, sem a efetivação das penalidades cabíveis. No momento, nove dos 11 servidores do Daer envolvidos com irregularidades estão respondendo processos administrativos disciplinares (PADs) junto à Procuradoria-Geral do Estado (PGE). Instaurados em março de 2012, os procedimentos têm duração mínima de dois anos. No final, podem demandar perda da função pública, cassação de aposentadoria, suspensão ou arquivamento. 

 

O PAD é exemplo de retrabalho. A força-tarefa e a comissão processante do Daer, entre abril de 2011 e janeiro de 2012, levantaram fatos, produziram provas, ouviram suspeitos e testemunhas e ofereceram o amplo direito à defesa. Ainda assim, tudo será feito novamente nos PADs. E, por no mínimo mais dois anos, os acusados seguirão recebendo salários pagos pelo Estado. Sete deles estão na ativa, três desfrutam da aposentadoria e um deles, Paulo Aguiar, apontado como o mentor da fraude dos pardais, permanece em licença. Aguiar não é alvo de PAD, mas sim de ações na Justiça do Trabalho para apuração de falta grave. 

 

Alguém dirá que os servidores públicos têm estabilidade, que não podem ser demitidos sem comprovação de fatos, sem direito ao contraditório. Não serão os achaques cometidos no Daer graves imputações? Não teriam garantido direito ao contraditório a força-tarefa e a comissão processante, integradas por Ministério Público, Ministério Público de Contas e Polícia Civil?

 

Soa como deboche saber que, além de não terem sido punidos, alguns dos servidores suspeitos foram premiados. Após as denúncias, acompanhadas por fartos indícios de ilegalidades, Emir Masiero, acusado de ter participado da fraude dos pardais, ganhou função gratificada (FG) para ser assessor do presidente do Daer, Francisco Thormann. Fábio Ballejo, suspeito de ter colaborado com irregularidades no pedágio de Portão, foi agraciado com FG de superintendente na Diretoria de Infraestrutura Rodoviária. Os dois somente perderam as benesses após reportagens de ZH.

Nenhum comentário:

Postar um comentário